14.jun.2012

A expectativa é a vilã da maternidade!

31semanas4
A maternidade é uma daquelas coisas que só conseguimos imaginar quando acontece com a gente.
Você pensa que será a melhor mãe do mundo, que será bem diferente da sua mãe e nunca perderá a paciência com seus filhos. Uma profissional bem sucedida, que conseguirá o que toda mãe almeja, trabalhar meio turno e ter o resto do dia para o filho. Será aquela amiga presente, que não abrirá mão de eventos sociais por causa do bebê, ou seja, todos lembrarão de você. Ainda terá tempo de ser a esposa perfeita e tirará de letra todas as tarefas de casa. Sabem aquela receita delíciosa que passou na Ana Maria? Você anotou e conseguiu fazer antes do marido voltar do trabalho.Claro que tudo isso com mãos e pés feitos, corte do cabelo em dia, e em forma, como antes de engravidar.
Até que o bebê nasce e você se vê no mundo real, onde fazer tudo é impossível! Não me refiro às coisas que sabíamos que seriam como são, como por exemplo, as 729307 fraldas trocadas, e o nariz sujo de cada dia, nem as 18729 trocas de roupa quando o bebê vomita toda vez depois que mama.
Estou falando de quando não damos conta da lista com várias tarefas que nos exigimos fazer todo santo dia.
Eu não sou daquelas mulheres que defendem o ideal de “Yes, we can do it”. Não acho, nem espero de mim mesma, que consiga fazer tudo, não mesmo. O problema todo são as expectativas, sejam nossas, ou dos outros. Aqueles sonhos de quando éramos gurias e pensávamos que a maternidade era mole, quem nunca pensou? Muitas vezes, as expectativas são exageradas e quando não conseguimos realizá-las vem a culpa.
Há quem ache que a maternidade é moleza e que conseguirá conciliar com a rotina que já existe na família. Há quem acredite quer ser mãe em tempo integral é a 8ª maravilha do mundo e será 100% realizada.
Eis que o filho nasce e a mãe que trabalha fora se sente culpada em colocar o filho na creche ou em ter uma babá. Já a mãe que se dedica ao filho 24 horas por dia se sente tão cansada e estressada e se sente culpada por achar que poderia estar se dedicando ainda mais ao filho, com mais qualidade. E também a mãe que se separa logo após o nascimento do filho e se sente culpada por não proporcionar o ideal de família a ele.
Uma boa mãe é uma mãe feliz. Para sermos felizes temos que escolher aquilo que nos faça mais feliz. E nos livrarmos da pressão e da culpa. Ter tudo o que sempre sonhamos não é possível, ao menos não ao mesmo tempo. Por isso priorizar algumas tarefas e sermos felizes todos os dias, dando um passo de cada vez é fundamental.
As escolhas fazem parte da vida dos pais desde antes do nascimento do bebê. Fazemos a escolha do médico, do nome do filho e algumas vezes do tipo de parto. Algumas mães escolhem o dia que o filho vai nascer, a hora e o local. Depois tem a escolha de amamentar, ou não. Em voltar a trabalhar, ou ficar em casa. Escolher se o filho assiste TV, ou não. Se só se alimentará de orgânicos, ou não. Se fará aula de música, ou esporte. E são escolhas eternas… o que gera uma ansiedade eterna.
Eu amo ser mãe, amo tudo e desde o primeiro dia. Eu mudei, me transformei, e amadureci. E agora, com um filho de um ano e cinco meses, penso que meu segundo filho terá muita sorte. Sempre trabalhei, nunca fiquei um mês sem trabalhar, até nas férias, inventava alguma coisa. Sou inquieta, e gosto muito de trabalhar, e claro, ter um reconhecimento. Desde que o Antônio nasceu, escolhi ser mãe em tempo integral, e dona de casa nas horas vagas. O começo não foi fácil, além da pressão de muitas pessoas, me perguntando quando eu pretendia voltar a trabalhar, eu me cobrava muito. Senti falta da independência de quando tinha meu emprego, de ter sempre um dinheirinho meu, entendem? E sofria com a falta de reconhecimento, pois ninguém sai te elogiando por aí: “Que maravilha de roupinha cheirosa, és uma mãe especial. Parabéns pela iniciativa em trocar essa fralda suja, vou te dar uma promoção”
Aos poucos fui me cobrando menos, me adaptando à nova vida, nova Ângela, priorizei algumas coisas, e disse NÃO para outras. Fiz as minhas escolhas baseadas naquilo que me faz feliz e não no que esperam de mim. Muitas vezes me sentia perdida, sem saber o que escolher e o que eu queria, então comecei a eliminar o que não queria. Ficou muito mais fácil visualizar o que eu queria de verdade.
E feitas as escolhas, dê tempo para que as coisas se ajeitem, tudo acontece no seu tempo, e tudo dá certo, sempre dá…

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