12.nov.2014

Afinal de contas, mudar ou não os filhos de escola?

Kids

O final de ano é um momento de reflexão e “retrospectiva” de tudo o que foi vivido nos meses anteriores. Nesse momento muitos pais se questionam se devem mudar ou não o filho de escola. Essa é uma situação muito delicada, pois pensar sobre esse assunto pressupõe que algo não vai bem.

O ambiente escolar é, depois da família, o local mais relevante na vida de uma criança. É ali que ela vai viver suas primeiras relações com pessoas que não fazem parte da sua família. Abre-se para ela um novo mundo de conhecimentos, vivências e aprendizagens. Para que a sua experiência seja a melhor possível, ela deve sentir-se bem, segura e adaptada na escola que frequenta.

Os motivos para se querer mudar de escola podem ser dos mais diversos tipos: questões geográficas, dificuldade do aluno em se adaptar à metodologia da escola, problemas de relacionamento interpessoal da criança (ou adolescente), má qualidade de ensino da escola, questões financeiras, etc. Além disso, a iniciativa da mudança pode partir tanto dos pais quanto do filho.

Quando essa decisão é de fato concretizada, é preciso que os pais fiquem atentos à adaptação do filho ao novo ambiente escolar. É um momento muito delicado na vida da criança ou do adolescente, pois implica em uma mudança significativa, recheada de expectativas, medos e inseguranças.

É esperado que a troca de escola desperte diversos sentimentos, inclusive medos e inseguranças, porém os pais devem ficar atentos à intensidade com que eles aparecem. O filho pode dar sinais de que a adaptação não vai bem quando reluta muito em ir à escola, apresenta queda significativa no desempenho escolar, muda seu comportamento, perde o interesse em tarefas que antes gostava…

É importante levar em consideração a idade com que a mudança de escola é feita. Crianças mais novas, até cerca de 10 anos geralmente mostram maior interesse em ir à escola. Já os adolescentes, devido à fase do desenvolvimento em que se encontram, agem naturalmente com comportamento mais opositor. Sendo assim, geralmente sua primeira reação é falar mal da escola, mesmo que no fundo gostem dela, o que não deve ser confundido com desinteresse ou problemas mais sérios.

Outro ponto importante é o diálogo com os filhos. A rotina é agitada e cansativa, porém, reservar alguns minutos do dia para ouvir os filhos, saber como foi o seu dia, pode ajudar, e muito, a perceber possíveis situações que ele possa estar tendo dificuldade de lidar. Além disso, esses poucos minutos são muito importantes para o vínculo com a criança.

Conhecer a fundo os valores e a metodologia de ensino da escola também facilita muito a percepção dos pais frente à adaptação dos filhos. Isso ajuda para que eles tenham maior clareza para discernir se a dificuldade, quando existe, pode estar mais relacionada a alguma questão da criança ou da própria escola. Existem casos nos quais a criança apenas não se adapta tão bem ao modelo de ensino utilizado na sua escola, e um olhar atento a isso pode prevenir maiores transtornos que a criança possa passar em função disso. Por mais lógico que pareça ser, os pais devem estar de acordo com os valores e metodologias de ensino da escola. O que acontece é que, com a falta de tempo, por exemplo, muitos pais acabam não conhecendo a fundo a instituição na qual o seu filho passa grande parte do seu dia. Com isso, acabam colocando-os de fato em boas escolas, mas que talvez não sejam as melhores para o seu filho.

Mudar ou não os filhos de escola é uma decisão importante, que deve ser muito bem analisada e, principalmente, conversada com a criança. Ela, mais do que ninguém, pode responder se uma mudança é necessária ou não. Não cabe a ela a responsabilidade de decisão, porém sua opinião deve ser levada em consideração. Afinal de contas, é ela quem passa muitas horas de seu dia dentro da escola. Um local com tanta importância na vida dos pequenos deve ser muito bem pensado e valorizado, pois vai proporcionar-lhes vivências que ficarão marcadas para sempre. 

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

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