3.set.2014

Afinal, o que é o famoso TDAH?

Muito comentado atualmente, o TDAH – Transtorno de Deficit de Atenção /Hiperatividade é um transtorno mental diagnosticado tanto na infância quanto na vida adulta, porém sua prevalência encontra-se em crianças e adolescentes. Geralmente associado a dificuldades escolares, o TDAH suscita muitos questionamentos em pais, professores e nas próprias crianças e adolescentes que “carregam” esse diagnóstico.

Cabe primeiro ressaltar que nenhum indivíduo deve ser rotulado a um diagnóstico – o que infelizmente é comum de acontecer. Ninguém é apenas “uma doença” ou um “transtorno”. Cada pessoa é, falando de forma muito geral, uma soma de suas próprias características, de suas experiências e do ambiente em que vive. Sendo assim, todos esses pontos devem ser muito bem analisados antes de se dar um diagnóstico fechado.

O DSM, manual diagnóstico muito usado por psicólogos e psiquiatras, atualmente encontra-se na sua quinta edição. Segundo ele existem subtipos de classificação que dizem respeito ao sintoma que predomina, podendo ser a desatenção ou a hiperatividade, sendo que, na maioria das vezes, os dois estão presentes.

Para se diagnosticar o transtorno é preciso que a criança ou o adolescente apresente, por pelo menos seis meses, alguns dos sintomas como: falta de atenção, dificuldade de ouvir os demais, não cumprimento das tarefas escolares ou domésticas, dificuldade de organização, distração, esquecimento, muita agitação, inquietação, dificuldade de brincar silenciosamente, estar sempre “a mil”, falar de maneira exagerada, além de interromper os outros, não sabendo esperar ou dando respostas precipitadas. Todas essas manifestações podem estar presentes no TDAH e estão associadas a ele quando trazem um prejuízo considerável à criança ou ao adolescente.

Não cabe aqui estabelecer os critérios para que o transtorno seja de fato diagnosticado, uma vez que uma boa avaliação deve ser feita por um profissional capacitado. Além disso, uma avaliação bem feita não envolve apenas o cumprimento ou não dos sintomas mencionados acima. Ela é muito mais profunda, pois deve considerar a criança como um todo, inserida em um contexto social que também influencia na sua subjetividade.

Observando os critérios utilizados para diagnosticar o TDAH se pode perceber como eles são comuns, ou seja, se mal utilizados podem englobar um grande número de pessoas. Sendo assim, fica ainda mais evidente a importância de uma avaliação criteriosa e de um cuidado muito grande na hora de associar esse transtorno às difculdades de alguém.

Atualmente cresce muito o número de diagnósticos e, consequentemente, de prescrição de medicamentos para crianças e adolescentes, principamente a ritalina. Esse é um tema muito delicado, pois muitas vezes o que é visto como um sintoma que evidencia um possível transtorno nada mais é do que o jeito que se está conseguindo lidar com conflitos normais do desenvolvimento.

Nesse sentido, o medicamento pode agir no sintoma sem abrir espaço para que se possa pensar no motivo de a criança estar com dificuldades escolares ou apresentando determinados comportamentos. Muitas vezes ela pode estar apenas passando por conflitos familiares ou até mesmo estar denunciando uma dificuldade de ensino da sua escola. É preciso encontrar um meio termo para que não se caia na medicalização desenfreada e nem se vá para o outro extremo, apenas de aspectos psicológicos, negligenciando questões orgânicas.

Então, mamães e papais! Muito cuidado com o diagnóstico precipitado de TDAH ou de qualquer outro transtorno. Os pais devem sempre ficar atentos ao comportamento dos filhos, tentando entendê-los como eles são, na sua singularidade, e não partindo de um transtorno no qual se tenta encaixar a criança ou o adolescente. Além disso, quando se perceba alguma dificuldade maior, o ideal é que se procure um profissional capacitado que possa ajudá-los a entender as possíveis dificuldades que seu filho possa estar enfrentando.

 

 

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

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