11.mar.2015

Ansiedade de Separação: que fase é essa?

Muitas pessoas ao verem um bebê ou uma criança “abrindo o berreiro” quando, por exemplo, a mãe sai de casa para trabalhar ou ainda quando precisam ir para escola, podem se perguntar, será que isso é normal? É normal meu filho chorar e temer se afastar de mim? Sob o ponto de vista do desenvolvimento infantil sim, esses comportamentos são esperados em determinada idade. Ou seja, estamos falando da ansiedade de separação.

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À medida que os bebês crescem, eles tomam ciência do mundo ao seu redor, começam a formar relações importantes com as pessoas que convivem e aprendem também que algumas destas são fundamentais para sua sobrevivência, porém por serem pequenos eles ainda não entendem como as coisas funcionam e tampouco não sabem o que faz com que essas pessoas apareçam e desapareçam. E basta não enxergar os pais para pensarem que sumiram, e então a criança expressa esta sua preocupação chorando ou se agarrando neles.

A ansiedade de separação é uma fase que revela um estado emocional desagradável para a criança e ocorre quando esta precisa se separar das figuras dais quais tem um vínculo forte, em geral os pais. Por volta dos 6 meses, o bebê percebe que é uma pessoa separada da mãe, mas dela dependente e a idéia de que, quando ele não a vê ou não a ouve, a mãe deixa de existir. A ansiedade de separação é variável de criança para criança, mas tende a ser observada nos bebês por volta dos 8 meses e poderá acompanhar crianças maiores, onde o fato de não ver a mãe é sentido como uma perda e assim, tenta não perdê-la de vista, já esse sentimento geralmente é manifestado como um protesto, pois quando não a vê começa a chorar.

Algumas características desta fase costumam ser marcantes e observadas por quem convive com a criança, como choro e medo quando os pais ficam fora do seu alcance de vista; recusa ou relutância em ir à escola ou para outro lugar; dificuldade para dormir e pesadelos envolvendo essa temática e alguns sintomas físicos podem surgir quando a separação de fato ocorre, como dores de cabeça, dor de barriga, vômitos, etc. Porém, mamães é preciso estar atentas para a frequência e intensidade com que tais comportamentos aparecem, caso haja uma ansiedade excessiva envolvendo o afastamento de casa ou de pessoas importantes e nesta situação a criança precisa saber onde estão os pais, sentindo necessidade de permanecer em contato, por exemplo, através de ligações. Se a duração destes persistir, causando prejuízo no funcionamento social ou escolar, uma avaliação profissional é recomendada.

Algumas dicas podem ser úteis para ajudar os pais nesses momentos de maior tensão e também, ajudarão seu filho a lidar melhor com a situação, são elas:

– brincar com o bebê de esconder o rosto e logo reaparecer. Essa simples brincadeira expõe o bebê a pequenas separações visuais;

– antes de ir embora, deixar claro que não há nada de errado e que a mãe ou o pai irão voltar;

– comece as separações de forma breve e gradual;

– se precisar sair rapidamente de um cômodo da casa para outro, siga conversando com a criança para que ela saiba que você está ali;

– brincar de esconde-esconde ajuda a criança a entender que mesmo que você não esteja no seu raio de visão, você está lá.

Essas são apenas algumas dicas de como lidar melhor com a ansiedade de separação, até mesmo porque muitas mamães podem ser invadidas por sentimentos de raiva ou sentirem-se sem liberdade, mas lembre-se, esta é uma fase do desenvolvimento que tende a diminuir com tempo e passar e caso “não passe”, procurar ajuda sempre é válido! Paciência e amor acalmam qualquer coração!

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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