4.mar.2015

Ansiedade Infantil

Ansiedade” virou um termo comum nos dias de hoje. Com a crescente aceleração no estilo de vida, nos deparamos cada vez mais com pessoas agitadas, estressadas e impacientes, que acabam sendo rotuladas como ansiosas. Com isso, muitas vezes, se percebe um mau uso do que esse termo quer dizer. Antes de falar da ansiedade como indicador de que algo não vai bem, é preciso ter em mente que a ansiedade não tem apenas um “lado ruim”. Em um nível adequado, ou seja, nem demais e nem de menos, ela não é apenas benéfica e sim necessária para um bom desenvolvimento, pois o medo e a preocupação presentes no estado ansioso também servem como uma forma de proteção frente a situações possivelmente perigosas.

Porém, infelizmente, vemos a ansiedade trazendo cada vez mais desconforto e sofrimento, tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes, deixando de ser apenas um sentimento natural e podendo passar a ser uma doença clínica. Ela se constitui em um transtorno quando passa da dita “normalidade”. Para identificar uma possível ansiedade exagerada, os pais devem estar atentos a manifestações como crises de irritabilidade (nervosismo), problemas no sono e na alimentação, dificuldade de concentração, preocupação excessiva quanto ao futuro, inquietação, agitação, necessidade de ter o adulto por perto, sentimentos de desvalorização e de culpa, além de sintomas orgânicos como náuseas, vômitos e dores de cabeça excessivos.

Cada fase da vida está geralmente relacionada a uma fonte de medo específica, que faz parte do crescimento e que condiz com o desenvolvimento cognitivo da criança naquele momento. Antes de “diagnosticar” seu filho com ansiedade é preciso ter em mente os medos e preocupações de cada faixa etária:

0 – 6 meses: nesse início da vida, os bebês podem ter medo de estímulos sensoriais intensos e da perda de apoio dos cuidadores;

6 – 12 meses: nessa fase, ainda bebês, existe o medo frente a figuras estranhas e o medo de separação dos pais e cuidadores;

2 – 4 anos: nessa fase em que a imaginação está muito aguaçada, as crianças apresentam medos de criaturas imaginárias e de possíveis agressores (bruxas, monstros, ladrões), além do medo do escuro. Esses medos são intensificados pelo fato de a criança ainda não ter uma clara distinção entre a fantasia e a realidade;

5 – 7 anos: com uma melhor capacidade de raciocinar concretamente, entre os 5 e 7 anos é visível o medo e a preocupação referentes a catástrofes naturais, acidentes e animais;

8 – 11 anos: com o desenvolvimento da vida social também fora da família, o mau desempenho, tanto em situações sociais como escolares passa a ser uma grande fonte de medo e preocupação;

12- 18 anos: no mundo adolescente existem muitos medos, mas um dos mais comuns diz respeito à exclusão pelos colegas.

Como podemos perceber, cada faixa etária possui manifestações ansiosas correspondentes, que são esperadas. Além delas existem outras que podem ocorrer e que estão relacionadas à história de vida e subjetividade de cada criança. Quando essas manifestações e preocupações ocorrem de forma excessiva, poderão resultar nos ditos transtornos de ansiedade (fobias, ansiedade de separação, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico ou estado de estresse pós-traumático).

Quanto mais os pais forem compreensivos e oferecerem um ambiente acolhedor e seguro para que seu filho possa se desenvolver de forma adequada, conseguindo lidar com seus medos, angústias e preocupações, mais seguro ele se sentirá e maior capacidade para lidar com frustrações e adversidades ele terá. O exemplo dos pais é essencial para que a criança “aprenda” ou não a desenvolver um comportamento ansioso, pois suas figuras são fundamentais na vida dos filhos. Vivendo em um ambiente ansioso, com pais ansiosos, fica muito mais difícil para a criança sair desse padrão! Já vendo nos pais uma possível saída saudável frente às dificuldades, maior chance ela terá de fazer o mesmo! Lógico que o modelo familiar não é determinante no desenvolvimento da criança, mas sem dúvida tem uma grande importância!

 Referência utilizada: Marcelli, D. Infância e Psicopatologia. Porto Alegre: Artmed, 2010.

 

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

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