10.set.2014

Após ter filhos… Os medos.

Para falarmos nos medos que rondam muitas mães após terem seus filhos, precisamos entender um pouquinho o que afinal, é medo? Tendo em vista a singularidade do ser humano e os vários motivos capazes de desencadeá-lo, o medo poder ser definido, de forma geral, como uma emoção que pode levar à alterações de sentimentos, mas que também é importante para nossa preservação. Ou seja, o medo não necessariamente é patológico ou “anormal”, pelo contrário, ele nos protege. E isto, é uma de suas características, imaginem-se viver sem medos? Certamente, nos colocaríamos em risco o tempo todo. Ele passará a ser uma “doença” quando sentido como desproporcional, exacerbado e limitante da vida da pessoa que o sente.

Existem vários tipos de medo, desde os medos de determinados animais, medo de viajar de avião, de altura até aqueles medos sentidos como ansiedade, apavoramento, desassossego e porque não, o medo de enlouquecer!! O que esperar então, quando decidimos engravidar, quantos medos e receios são gerados. Dúvidas, preocupações, inquietações, medos… A decisão de ter filhos, de ser mãe envolve muitas alegrias e expectativas, assim como estar grávida costuma trazer para a gestante um estado de felicidade e um crescimento emocional que são enriquecedores. Além é claro, dos medos.

Cada mulher quando engravida vivencia medos de acordo com sua própria história de vida e isto não acontece de forma diferente, quando os filhos nascem e vão crescendo. A mulher passa por transformações ao longo da gestação que a deixa mais sensível, mais vulnerável e, portanto, com mais medos.

Antes do filho nascer as mães têm medos de fazer algo e prejudicar o bebê, tem medo da dor do parto, da dor do pós parto. Depois do nascimento, têm medo de não dar conta, de não conseguir amamentar, de não saber o que fazer quando eles choram. Medo de morrer e faltar para os filhos. Medo do filho morrer enquanto dorme. Medo de dirigir com o bebê no carro. Quando eles crescem um pouquinho, têm medo de “deixar” o filho e ir trabalhar. Como será? Com quem deixá-lo? Avós, babá ou escolinha? Qual escolher? Será que meu filho será bem cuidado? Medos…

É comum as mães ao final da gestação e após o nascimento do bebê, apresentarem uma grande sensibilidade, a qual acredita-se que seja necessária para que a mãe possa se adaptar gradualmente às primeiras necessidades do bebê. Sendo capaz, por exemplo, de preocupar-se com ele e de cuidá-lo. Então, um pouco de medo é BOM!

Mas como ser mãe sem ficar o tempo todo preocupada com o que pode acontecer de ruim?

Se você é daquelas mães que se abala com as notícias nos telejornais e redes sociais, selecione os seus programas e fique longe desse tipo de notícia. Evite assistir a telejornais e  cancele a assinatura daquela sua amiga que só compartilha desgraça no facebook. Seu filho está doente? Não busque informação no google, por exemplo, pois certamente achará vários casos ruins, e muitas vezes, essa informação será errada. Vá ao médico e se informar com ele, o melhor amigo de uma mulher é o cabeleireiro e o da mãe é o pediatra!

Sentir medo é normal! O importante é a mãe conseguir identificar quais medos sente, se tem relação com alguma situação atual ou não. Caso a mulher note que os medos estão relacionados aos filhos e estejam causando prejuízos na rotina, como não conseguir voltar à trabalhar, sentir-se muito angustiada, muito insegura ou ainda apresentar alterações no sono, entre outros.

Nesses momentos, é importante que a mulher possa falar sobre seus medos com pessoas próximas. Amigas, o marido, suas mães, avós são pessoas que podem tranquilizá-la. Mas, caso algumas dessas mesmas pessoas notem mudanças comportamentais e emocionais na mamãe, é indicado buscar a ajuda de um profissional, para que os medos não prejudiquem, nem causem danos às rotinas da mamãe e dos filhos.

Vocês tem muitos medos, mamães?

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação email: [email protected]

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