8.out.2014

A autonomia das crianças

autonomia_infantil

Antes mesmos de se ter os filhos, uma das frases mais escutadas pelas futuras mamães é que “se cria os filhos para o mundo”!! O que pode até ser verdade, mas essa idéia, talvez faça parte de um futuro distante para muitos pais, afinal nos primeiros meses os bebês dependem totalmente dos adultos. Mas…será que é tão distante assim? Basta crescerem um pouco mais e começarem a balbuciar, pegar coisas, engatinhar, andar, falar, etc. para que, a partir desse momento, seja preciso ensiná-los coisas básicas, para esse “futuro tão distante”.

Então, por exemplo, quando seu filho tentar comer a papinha sozinho, incentive-o! Mostre como se faz! Ensine! Sabemos que essa pode ser uma situação desesperadora para muitas mamães, pois, às vezes, a bagunça e a sujeira serão tantas, que preferimos nós mesmos alimentarmos e por isso, tendemos a não deixar que eles façam pequenas ações como esta.

A idéia da autonomia, em linhas gerais, pode ser entendida como a capacidade de ser governado por si mesmo ou como ter a liberdade de escolha. Para isso, é preciso conquistar tal capacidade e também, é preciso saber que essa conquista passa por estágios e por um conjunto de normas que norteiam a criança. Enquanto a criança se desenvolve, física e emocionalmente, vai se tornando capaz de fazer algumas coisas por si própria e com isso, adquirindo a autonomia.

Ao adquirir maior capacidade de controle motor e verbal, observamos uma disponibilidade da criança para explorar, descobrir e comunicar-se com o mundo a sua volta – momentos esses, em que a autonomia ganha espaço. Nessas horas, os adultos serão fundamentais para influenciar a forma como a criança conseguirá superar seus desafios.

Dúvidas como: “será que meu filho já sabe se trocar sozinho?”; “Será que consegue fazer a lição da escola sozinho?”; “será que sabe atravessar a rua?” são normais e podem demonstrar o cuidado e a preocupação dos pais com a fase do desenvolvimento de seus filhos e suas respectivas potencialidades. Mas, na maioria das vezes, acabam se tornam impedimentos para a criança. É que, diante do contexto atual, que nos deixa inseguros devido a violência, a velocidade das informações e mudanças constantes, os pais tendem a buscar tanto nas suas famílias, como nas escolas, um lugar que proteja os filhos das ameaças do mundo moderno.

Porém, corre-se o risco de criar um mundo perfeito. Onde nada dá errado, no qual satisfazemos todos os seus desejos e privamos nossos filhos dos menores esforços. E, com isso, tiramos a oportunidade de construírem sua autonomia. Ou seja, antecipar todas as vontades e problemas, impede que as crianças lidem com a falta. Impede a capacidade de desenvolverem a iniciativa e a capacidade de lutar por aquilo que querem, por exemplo.

Ok,é difícil mesmo encontrar o equilíbrio entre superproteger e “largar” muitos os filhos, mas, por mais cansativo que essa tarefa seja, um dia o mundo se impõe e cobra que saibamos lidar com conflitos, ansiedades, problemas. Para enfrentar tais situações, o sentimento de confiança, ajuda! Porque, ao permitir que a criança escolha, se transmite, entre outras coisas, que “confiamos em ti”.

Estamos vendo que autonomia se ensina!! Como? Primeiro, é preciso espaço e tempo. Aprender a escutar a criança é necessário, elas possuem um tempo próprio para organizar seus pensamentos, e seria adequando que o adulto não antecipe suas idéias, dando-lhe tempo, para terminá-las. Permitir que a criança erre sem julgá-las. E claro, adequar a tomada de decisão de acordo com a maturidade e idade de seu filho.

Pode não ser tarefa fácil, entretanto é necessária se quisermos que os nossos filhos desenvolvam suas capacidades e sejam resistentes aos contratempos gerados pela vida.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação Email: [email protected], pergunte sobre o desconto para leitoras do Blog.

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