16.set.2015

A birra na hora de comer!

 

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Imagem daqui!

 

Seu filho está bem fisicamente, passou a semana brincando em casa e com os amiguinhos na escola, mas, parece que de repente ele muda. Um dia, é sono, no outro só quer colo e em outro dia não quer comer, nem mesmo a sua comida favorita. Não quer beber água, o colo que antes acalmava agora está ruim e se você coloca no chão, piora! É… A maioria das crianças passa por momentos de birra. E sim, elas existem inclusive na hora da alimentação.

A boa notícia é que tem como lidar com as teimosias, porque podemos entender esse comportamento comum a muitos pequenos e que, geralmente passam pela fase do “não querer comer” ou comer só determinados tipos alimentos. Os pais precisam ficar atentos e observar se a birra na hora de comer acontece com muita frequência e a intensidade com a qual o filho expressa esse desejo de não comer – fala, grita, chora. Ou torna-se agressivo, por exemplo. Ainda é preciso descartar fatos como a erupção dos dentes, já que determinados alimentos irritam ou machucam a gengiva e então, o bebê ou a criança oferecem resistência para se alimentar; problemas gástricos; aftas; estomatites. Ou simplesmente, falta de apetite, fato esse que os pais não precisam se preocupar de uma forma significativa, pois a própria diminuição do crescimento demanda menos necessidade de energia, o que poderá interferir na fome.

A birra ou teima, característica do comportamento infantil, muitas vezes, é entendida como uma tentativa da criança mostrar certa independência e expressar suas vontades. Aparecerem normalmente, por volta de 1 ano e meio de idade e assim como fazem birra para não tomar banho, para não ir á escolhinha, entendem desde pequenas que podem usar esse comportamento para também não comer ou comer pouco. São capazes de passar a hora do almoço brincando com os talheres, engolindo e cuspindo os alimentos, para desespero de algumas mamães! Porém, o horário das refeições é um dos momentos da rotina no qual o limite deve ser construído com a criança e para que isso ocorra de forma tranquila, é fundamental que as combinações feitas permaneçam mantidas. Inclusive as exceções.

A criança “tem por hábito” testar as regras que lhe são impostas o que pode estar acontecendo com seu filho ao se negar a comer. Pode ser que assim consiga algum tipo de controle com relação aos pais; pode ser que não consiga comer por que está muito agitado e é, por isso que a hora da refeição precisa ser uma hora calma, uma possibilidade de troca e interação entre mãe e filho. Que esse momento seja um prazer para ambos. Talvez, muitos de nós, poderá lembrar de na infância, termos sido forçados a comer algo que não queríamos ou não gostávamos e de esta não ter sido uma experiência legal. Então ai vai uma “dica”, evite fazer o mesmo com as crianças, forçar ou ameaçar a comer algo não vale a pena e caso a criança tiver fome, ofereça-lhe outro alimento.

Ok, sabemos que nem sempre é assim “tão tranquilo” e que na vida real os pequenos choram, gritam e tentam sair correndo pela casa, tudo para não comer. E, o que se faz numa hora dessas? De forma geral, perder o controle só reforça esse tipo de comportamento, pois a criança entende que a reação dos pais é igual a dela e percebe que conseguiu “tirar os pais do sério”. Ou seja, que conseguiu chamar sua atenção – fator que comumente está por trás das birras.

Por isso, primeiro é preciso tentar manter a calma. Evite forçar ou castigar caso seu filho não queira tal alimento, isso pode deixá-lo ressentido ou aflito, tornando o momento de comer um desprazer, que pode acompanhá-lo durante anos. Evite também, oferecer a sobremesa como recompensa, é preciso que a criança entenda o valor de uma boa alimentação e seus benefícios – comemos para ter energia, para poder brincar e pensar, por exemplo, não só porque depois podemos comer o chocolate. Criar uma rotina a mesa auxilia, pois manter o hábito de comer a mesa, com horários relativamente fixos, pode evitar que seu filho coma em frente à televisão, o que pode dar vazão às birras “só como se estiver vendo meu desenho favorito”, alguns pequenos podem negociar.

Por isso, com o seu exemplo – um dos melhores ensinamentos – mostre para a criança que a birra não levará a nada, que você não vai mudar de ideia, que a “hora do almoço/janta na sua casa é tal hora” e assim, criando hábitos e limites, explicando por quais motivos você está falando ou fazendo “aquilo” – dando um sentido ao seu comportamento, isso também orienta os pequenos e tende a abrandar os terríveis momentos de birra.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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