13.nov.2014

Caixinha de mãe!

A maternidade tem o poder de mexer com as mulheres no seu mais íntimo sentimento. Só quando nos tornamos mãe, é que somos cutucadas por lembranças, sentimentos, que até então estavam guardados a 7 chaves numa caixinha, a qual jamais pensávamos em abrir.

Mas não adianta, assim que nasce o bebê, essa caixinha é aberta, quer você queira ou não. Não sabemos como lidar com tudo que existe dentro dela.

Eu não sou terapeuta, mas sou mãe. Há quatro anos, a minha caixinha se abriu. Assim que o Antônio nasceu, olhei para aquele bebê e só pensava em “como uma mãe é capaz de dar seu bebê para outra mulher?” Vocês sabem que eu sou filha adotiva, né? Em todos esses anos aprendi a lidar com meus sentimentos e revoltas, mas quando ele nasceu, não conseguia pensar em outra coisa. Chorei muito, por dias e dias, com meu filho no colo. Tentando entender o que não se pode entender, tentando aceitar meu destino.

Também não imaginava que ao realizar meu sonho, que sempre foi ser mãe, essa caixinha seria aberta dessa maneira. Precisei abrir a caixinha, ir até o fundo dela para poder fechá-la novamente e abrir na chegada do Caetano. Com novos sentimentos, de uma mãe que quer fazer ainda melhor do que já fez… foi diferente dessa vez, mas é sempre uma emoção abrir essa caixinha.

Queria ser a mãe perfeita, inclusive quando adolescente tinha feito uma lista de coisas que faria diferente da minha mãe, mas que hoje em dia faço igualzinho. Queria ser a mãe mais feliz do mundo, mas tem dias que a vontade de não levantar da cama é maior do que a vontade de sorrir. Queria fazer tudo para meus filhos, sempre pensei que essa seria a minha maior felicidade, e é, mas hoje em dia eu quero mesmo é ter alguma horinha do dia para mim, para cuidar de mim, para fazer minhas coisas, ou não fazer nada também.

De um dia para o outro deixamos de pensar apenas em nós, e passamos a pensar no nosso filho(a). Já não vamos no salão, como costumávamos ir antes dos filhos. Não temos tempo para cuidar da gente, e muitas vezes, nem nos damos um tempo, porque queremos ser a mãe que idealizamos e não nos permitimos umas horinhas para nós mesmas. Pensamos no que os outros vão falar se deixarmos o bebê 1 hora com o pai/avó para fazer as unhas? E vamos nos tornando a mãe que os outros esperam, e não a que sempre quisemos ser.

Mesmo que você tenha o filho mais calmo do mundo, que ele durma a noite inteira. Mesmo que você tenha o marido mais presente, que leva e busca o filho mais velho na escola, que chega em casa cansado do trabalho e ainda dá banho no baby, faz a janta, conta histórias para dormirem, ainda assim você vai se sentir sozinha.

Você fica em casa a maior parte do tempo, cuidando da casa, do almoço das crianças, dos cuidados com o bebê, amamentação, fraldas, soninho, e por mais tranquilo que seja, seu bebê depende de você para tudo. Enquanto isso, a vida segue, as pessoas continuam fazendo as coisas que sempre fizeram, mas você tem a sensação que a sua parou. Tenho saudades de muitas coisas da minha vida antes dos filhos, até saudade de mim! Tudo que você queria ao final do dia era alguém que a compreendesse, que te desse um abraço, e conversasse contigo.

Portanto, deixe a sua caixinha se abrir, abra seu coração, coloque para fora todos seus sentimentos, culpas e acontecimentos da infância, ou da vida. E acredite, quando nos tornamos mães, teremos dias de solidão, mesmo com a casa cheia.

Aos poucos a solidão vai passando, você se reinventa e volta ao mundo diferente, com outras prioridades e nova identidade. Mas quando a solidão bater forte, chore, chame uma amiga, uma vizinha, converse com alguém, compartilhar esses sentimentos fazem muito bem. Tire umas horinhas para você. Assista um filme, compre um batom novo. Se reinvente!

Beijos

Angi

 

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