25.mar.2015

A capacidade de EMPATIA!

Pouco antes do bebê nascer a mãe saudável entrará em um estado mental especial, que é responsável por fazer com que ela se “devote” aos cuidados de seu bebê. Durante essa fase a mãe então, revela um tipo de apego sincero, justamente porque consegue identificar-se com as necessidades básicas do seu filho, dedicando-se a ele. Diferenciar se o choro é de fome ou de sono, manter um certo ritual na hora da mamada, adaptar o ambiente ao bebê, perceber se o filho está triste ou ansioso são alguns destes exemplos.

Na base da identificação materna estão as experiências da própria mãe de já ter sido um bebê um dia. Já, por outro lado, para o bebê a mãe é sentida como uma extensão sua e não como outra pessoa, diferente dele, assim tudo o que a mãe faz (seus gestos, atitudes, etc) é sentido pela criança como acontecimentos que fazem parte dela e é assim, que nos primeiros meses se dá a relação mãe-bebê.

Essa relação, garantirá o cuidado de que os filhos precisam, sendo que os adultos precisarão desenvolver cada vez mais sua comunicação para melhorar esse contato e os bebês, por sua vez, irão captar e responder os sinais emitidos pelos adultos. Esses comportamentos facilitam o estabelecimento do vínculo.

Então, o que estamos percebendo é que nessa história toda, há uma habilidade de comunicação envolvida, certo? CERTO! E de que tal habilidade está relacionada com a formação de vínculos e com a qualidade destes relacionamentos? SIM! Na verdade, estamos falando sobre a empatia.

A empatia é definida de forma geral, como a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas, como uma habilidade de experimentar reações emocionais através da observação da experiência alheia. É como “ver o mundo com os olhos dos outros”, é usar o campo de visão do outro.

E, de forma mais completa a empatia pode ser definida como uma habilidade composta de 3 componentes. O primeiro refere-se a capacidade de adotar a perspectiva dos outros (componente cognitivo); o segundo consiste em uma predisposição para experimentar compaixão  e preocupação (componente afetivo) e o último, seria a habilidade de expressar compreensão e reconhecimento com os sentimentos e pensamentos dos outros (componente comportamental).

Mas, e como desenvolvemos essa capacidade? Alguns estudos sugerem que o ambiente no qual a criança cresce, tem grande influência. Ambientes que ofereçam ao bebê e à criança oportunidade de experimentar e expressar diferentes emoções, tendo suas emoções reconhecidas e que ofereçam a possibilidade para cuidar e ajudar os outros, pois assim a criança percebe que pode “fazer o bem” e torna-se inclinada, por exemplo, a empatizar com os coleguinhas menos competentes na escola. Já, o é oposto, ambientes nos quais a negligência é maior, podem desfavorecer e prejudicar o potencial empático da criança.

Uma boa maneira de verificar a empatia nos bebês é quando em interação face-a-face com suas mães ou quando observarmos os seguintes sinais: a expressão facial de apreensão, o olhar brilhoso e a atenção dirigida.

Por isso, que as primeiras relações que o bebê experimenta são tão importantes e também por isso, que a mãe (ou algum representante) se torna fundamental para o desenvolvimento saudável, pois, ao proporcionar ao bebê que pode identificar, validar e fazer algo para satisfazer as suas necessidades básicas permite que a criança tenha esse registro de que “fui cuidada” e possa depois, “cuidar dos outros”. Muitos registros desta fase inicial do desenvolvimento, tendem a moldar seus gostos, formas de sentir e agir no mundo.

Mas, isto, se dará naturalmente a medida que mãe e filho convivem, que se afinam e que se descobrem! Que ambos tenham um ambiente que lhes acolham. Saber ouvir seu bebê, compreendê-lo, ensinar e aprender  com ele vai muito além de perceber só com a cabeça, é também percebido com o coração.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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