9.dez.2015

“Coitadinho!” E agora? Como ajudar as crianças a não se sentirem assim.

“Eu não presto para nada!”. “E eu nunca faço nada direito.” Certamente já escutamos alguém falar isso. Não que o problema esteja centrado nesse tipo de afirmativa utilizada vez ou outra quando nos sentimos, por algum motivo, diminuídos frente à determinada situação. Mas se nos serve como uma crença central que domina nossos pensamentos e orienta nossas ações, bom, talvez tenhamos um problema!

Em muitas pessoas, inclusive as com um potencial notável, podemos perceber como se sentem “COITADAS”. Ou seja, pessoas que incorporam um papel dramático nas suas vidas, onde características como a autopunição ou a autopiedade estão presentes. De fato, temos alguns momentos nos quais sentimos pena de nós mesmos e o problema se estabelece quando esse sentimento é usado de forma destrutiva, impedindo, por exemplo, a superação das dificuldades. Afinal, a autopiedade se exercida como um padrão faz a pessoa sentir-se “a pior de todas as criaturas” e espera que os outros também a vejam assim, como “coitada”.

E não raro, vemos crianças que teriam plenas condições sendo tratadas como incapazes, e mesmo as que têm alguma deficiência, que se impulsionadas pelos pais, conseguem ir muito além das expectativas. Sem perceberem os pais podem ter em mente essa ideia “coitadinho, tirou nota baixa”; “ele quer tanto esse brinquedo, coitado, vou ter que dar mesmo que não possa”; “coitadinho os pais se separaram“.  Não que nós adultos, em muitas situações não pensaremos isso, porém não em todas as situações.

Os desafios são muitos na vida desde o nascimento: aprender a mamar, a comer, a dormir sozinho, a ir para a escolinha, entender que não podemos ter tudo, aprender a dividir e também a se desculpar… Imaginem se em cada situação destas, transmitimos aos filhos que eles são “pobrezinhos” por estarem passando por isso. E o mesmo é válido para aquelas situações traumáticas, onde o pensamento predominante talvez seja “tadinho, ele não vai se recuperar”. Assim, passamos para a criança essa ideia, que se identifica, incorpora e comporta-se como uma “vítima de tudo”. Os pais, como representantes das pessoas mais significativas para as crianças, são seus primeiros modelos e por isso que ao olharem os filhos dessa forma, facilitam com que os pequenos se reconheçam assim “como coitadinhos”. Apesar das crianças necessitarem de olhar, de cuidado e de muito amor, elas não são tão frágeis como imaginamos. Se bem orientadas e SEGURAS, elas têm a capacidade para superar possíveis desafios.

Por isso é bom estar atento e participativo da rotina dos filhos, até para observar como a criança reage frente aos desafios, por que algumas, apesar do apoio e incentivo dos pais, podem se perceber assim devido a traços de suas personalidades. De qualquer maneira, é adequado observar para que as consequências não se tornem hábitos.

Algumas das consequências podem aparecer anos depois, tais como: ficar acostumado a zona de conforto e sem “coragem” para enfrentar os medos; sentir-se um coitado diante dos problemas; comportamento passivo; vitimização; negativismo, entre outros. Características que impossibilitam crianças e adultos a se resolverem sozinhas e na maioria das vezes, buscando auxilio profissional.

Então, por mais tentados que os pais estejam, a solução não seria a de ser complacente com todo tipo de situação e sim, aproveitar os momentos difíceis e inesperados como um caminho para mostrar aos filhos que eles podem enfrentar e quem sabe, extrair uma “lição de vida”, dessa forma aumentam-se as chances de criar crianças que consigam lidar com suas emoções, a vencer os obstáculos e a se alegrarem por suas conquistas.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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