7.ago.2015

“Combinados e Negociações” com os pequenos: como lidar?

Educar os filhos parece estar se tornando uma missão cada dia mais difícil! Em um mundo no qual as crianças têm cada vez mais voz e espaço e os adultos por sua vez menos tempo e paciência (e mais culpa), os pequenos aprendem a conseguir o que querem, “manipulando” facilmente os adultos em algumas situações. Com isso surgem muitas dúvidas sobre quando ceder ou não ao pedido dos filhos.

Não existe uma regra sobre como lidar com essas situações, pois elas também dependem de cada criança e do contexto familiar existente. Combinados e negociações devem existir na relação com as crianças, mas desde que sejam baseados em um diálogo coerente, que faça com que a criança respeite e confie no adulto porque entende que isso é preciso e faz sentido.

Um ponto importante é se dar conta de que fazer com que a criança ceda à vontade dos pais nem sempre quer dizer que a situação foi bem manejada pelo adulto. Muitas vezes ela cede apenas para conseguir o que quer naquele momento, pois no fundo sabe como deve fazer para ter sua vontade atendida. É como se fosse uma simples moeda de troca: “eu dou isso para ganhar aquilo”.

Quando a criança cumpre um combinado simplesmente porque respeita o adulto e entende que ela não pode fazer tudo o que quer, aprende a ter confiança, respeitar e sentir-se segura, sabendo que tem alguém que a ama sem deixar de impor limites, o que contribui para que se desenvolva um adulto seguro de si, flexível e tolerante às furstrações que viverá ao longo da vida. Dessa forma, ela pode aprender e conseguir resolver situações conflituosas, ao contrário da criança que nunca precisou ceder à vontade do outro, que muitas vezes acaba tendo muitas dificuldades de relacionamento e desenvolvimento pessoal, mostrando-se insegura e competitiva.

Na hora de fazer combinados e negociações com os filhos é preciso muita paciência e, principalmente, coerência no que está sendo transmitido. Muitos pais brigam entre si e desautorizam um ao outro na frente da criança; também convidam a criança a burlar um combinado feito com o outro genitor. Isso causa confusão na cabeça da criança, que pode fazer a leitura de que se pode “dar um jeitinho” para conseguir o que quer.

Outro ponto importante é fazer na prática o que se cobra da criança. Não adianta ter um discurso e no dia-a-dia e agir de outra forma. Também é importante que o adulto cumpra o combinado com a criança até o final, não voltando atrás por insistência do pequeno. Se ela começa a chorar e gritar querendo algo do supermercado, por exemplo, e o pai ou a mãe acredita que ela não deve ou não pode ganhar aquilo naquele momento, deve manter-se firme na decisão, explicando o motivo disso e dizendo quando será possível ou não que isso aconteça.

Além de respeitar o adulto, assim se instaura na criança a capacidade de esperar e tolerar a falta, incorporando isso no seu comportamento. Quando se tornar um adulto, provavelmente saberá lidar melhor com as situações, sabendo que não é possível ter tudo que se quer e tendo mais facilidade de saber qual é o melhor caminho a seguir para alcançar seus objetivos!

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

Comente pelo Facebook

Leia mais!