10.nov.2015

Como apresentar os novos companheiros para seu filho?

apresentar novo namorado aos filhos

Imagem daqui!

Esta dúvida permeia a ideia de muitos pais quando decidem começar uma nova relação, pois na maioria dos casos não sabem como o filho irá receber a notícia nem a nova pessoa que fará então, parte da sua vida. Nos últimos anos observa-se um aumento do número de casais que se separam e mudanças significativas no modelo de família, cada vez mais vemos novas organizações, formas e valores.

Alguns fatores como a autonomia da mulher, o aumento das adoções e das mães solteiras e a própria legalização do divórcio, contribuíram com o surgimento de diferentes tipos de família, que por sua vez, originou novos papéis: padrastos, madrastas, meio-irmão, ex-sogro, enteados, etc. Com isso, a família torna-se maior e mais complexa. Criam-se também, mitos ao redor do novo núcleo familiar, que causam incômodos e talvez façam com que muitos pais se sintam inseguros na hora de apresentar um novo companheiro(a) ao filho. Percebemos esses mitos, por exemplo, quando pensamos que madrastas são sempre más, que as crianças estão sempre em primeiro lugar, que o amor entre os novos membros se dará instantaneamente.

Mas, é importante que adultos e crianças se desprendam desses mitos para terem suas próprias experiências e para que entendam que as novas relações nem sempre serão “tranquilas”, elas podem vir acompanhadas de ciúmes, brigas e muita dificuldade de aceitação por parte da criança, afinal o que elas mais desejam é ver os pais “felizes para sempre”. Sabemos, que isso, às vezes, não é possível e então a separação é necessária, mas não necessariamente conviver com outros membros será traumático – a maneira como os filhos enfrentarão o novo relacionamento de seus pais está relacionado com a idade da criança, com sua personalidade, se existem filhos por parte dos dois e, sobretudo, de como foi feita a introdução dessa nova pessoa em sua vida.

Uma grande parcela dos pais separados tendem a sentir culpa ao assumir um novo relacionamento! Temem serem julgados pelo outros e temem a reação dos filhos porque de fato, há algumas crianças que mudam de comportamento. Umas tornam-se “birrentas” e mais agressivas outras apresentam queda no rendimento escolar. Essas são formas de chamar a atenção dos pais e/ou de expressar que não entendem bem o que acontece, por isso é preciso ser bastante claro com as crianças, já que elas podem imaginar que o novo companheiro irá substituir um dos pais. Caso note intensificação dos sintomas, a ajuda de um profissional poderá ser necessária.

Então, antes mesmo de apresentar o novo membro é importante falar com os filhos sobre a possibilidade de formar uma nova família, de ter outro namorado(a) e principalmente, fazer com que entendam que O SEU AMOR E AFETO POR ELE NÃO MUDARÁ. Se essa comunicação for clara e estiver presente desde o inicio, as coisas tendem a acontecer melhor, assim como não é indicado que deixemos as crianças sem saber o que acontece ou à margem do que se pensa ou do que está prestes a acontecer, pois elas conseguem perceber a naturalidade com a qual o papai ou a mamãe retomam suas vidas e assim, pouco a pouco se vai apresentando o novo (a) companheiro(a). E como se faz isso? É complicado poder dizer “algo pronto” como se isso fosse a solução dos problemas, uma vez que cada pessoa e cada família funcionam de um jeito, mas existem algumas orientações para que esse processo transcorra da melhor maneira possível.

– não adianta esconder da criança o que está acontecendo. Se você está seguro sobre seu novo relacionamento, comece falando sobre isso, sobre a existência de uma nova pessoa muito querida pelo papai/mamãe. Vá falando sobre essa pessoa, pouco a pouco;

– que esta nova pessoa não substitui um dos pais e nem mesmo o amor sentido pela criança. É preciso falar e afirmar isso aos pequenos, que em nada altera o carinho e amor pelo filho;

– inclua a pessoa aos poucos em algumas atividades, explicando que “essa é a pessoa da qual conversamos”;

– fale para seu filho quando o (a) novo(a) companheiro(a) irá estar junto.

Até que gradualmente a pessoa vá ocupando o seu lugar na família, um novo lugar e assuma, portanto o novo papel – padrasto ou madrasta. Ainda, é preciso cuidar alguns detalhes antes de iniciar a convivência propriamente dita, como:

 – a necessidade de estar de acordo e delimitar os limites e regras da nova família, caso haja ideia de morarem juntos, criando um ambiente calmo e sem distinções nas regras. É importante que os membros tenham ciência de seus papéis e de seus lugares nesse novo arranjo e para isso entender o tempo de assimilação da situação para cada um é fundamental;

– evitar comparações entre os filhos de um ou outro cônjuge, não criticar o ex-companheiro (a) ou fazer com que a criança o “esqueça”;

– criar novo vínculo e não obrigar ou “forçar” a convivência. É preciso buscar entender porque isso acontece;

– preservar um tempo a sós com os filhos;

Ou seja, na vida em família não existem fórmulas mágicas e sim, afeto e respeito. É preciso ter em mente que para uma boa convivência, as “negociações” estarão presentes, seja qual for o objetivo, existe um que é bastante comum – o de se construir uma família funcional que conviva em harmonia. Oferecer apoio e compreensão facilita qualquer (novo) processo!

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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