30.set.2015

Como lidar com a birra dos pequenos?

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A famosa “birra” infantil: a maioria das pessoas já a vivenciou! Seja como observador de uma cena na qual a criança grita e esperneia na tentativa de ter sua vontade atendida, seja como um pai, mãe ou responsável desesperado vendo-a fazer um verdadeiro escândalo na sua frente, muitas vezes em público, e não saber como resolver o problema! Afinal, existe solução pra isso?

 Infelizmente não existe um manual e nem uma fórmula mágica para lidar com as crianças, mas podemos pensar em várias dicas que podem ajudar os adultos a lidar melhor com esse tipo de situação! Cada família tem a sua própria história e funcionamento, por isso é complicado generalizar, mas podemos ter algumas “cartas na manga”  na hora de ajudar o pequeno a compreender o “não” que está recebendo!

A criança vai aprendendo gradualmente a lidar com as proibições impostas pelo mundo adulto. Quanto mais nova ela for, menos recursos psíquicos e congnitivos ela terá para lidar com as frustrações, por isso muitas vezes acaba apelando para o grito. Cabe ao adulto que ajuda na sua educação e desenvolvimento, mostrar para ela, de forma acolhedora, segura e empática, o sentido daquilo que está sendo “negado” a ela!

Para que isso ocorra da melhor forma possível podemos pensar em 5 dicas importantes:

  • Sempre mantenha o “controle” da situação: muitas crianças aprendem facilmente que os pais têm verdadeiro pânico de escândalos em público e percebem que conseguem o que querem naquele momento já que eles fazem de tudo para que elas parem. Nesse momento o adulto já perdeu o controle da situação, pois quem está no comando é a criança. Para que isso não ocorra, os pais devem seguir firmes, porém mantendo a calma, falando em um tom de voz adequado e de prefêrencia se abaixando e falando com a criança na altura dela, sem um tom de imposição, de forma que a acalme e assim possa ouvir os motivos pelos quais não pode fazer aquilo naquela determinada situação e, principalmente, fazê-la compreender que aquele comportamento não irá fazer com que ela consiga o que quer.
  • Cumpra com o que foi combinado: uma das partes mais difíceis é manter o que se disse pra criança. É muito mais fácil falar do que de fato cumprir com um combinado e elas sabem muito bem disso! Quando os pais inicialmente falam uma coisa, mas no final sempre acabam cedendo às vontades da criança, a mensagem que fica para elas é a de que no fim sempre vão acabar conseguindo o que querem e, mais ainda, de que a palavra do adulto não tem “credibilidade”. Isso pode fazer com que se tornem autoritárias e desvalorizem a fala dos pais ou adultos responsáveis.
  • Ajude a criança a colocar em palavras o que ela está sentindo: as crianças não fazem birra, gritam e esperneiam porque estão apenas afim de irritar os pais. Esse comportamento ocorre por algum motivo, que muitas vezes está relacionado com algum conflito pelo qual a criança está passando e que faz parte do seu desenvolvimento. A questão é que isso não é claro na sua mente, pois ela ainda não sabe dar um nome ao que está sentindo (se soubesse provavelmente não precisaria gritar, pois teria outras formas de resolver o problema). A ajuda do adulto é essencial para que ela possa colocar os sentimentos em palavras e ir aprendendo a identificá-los, além de se sentir amparada e compreendida.
  • Seja coerente com o seu discurso: De nada adianta ter um discurso na hora de educar as crianças se, no dia-a-dia o que se fala não é seguido. Não se pode esperar que se tenha credibilidade com os pequenos quando se diz que não se pode gritar e logo após é o adulto quem tem o seu ataque de birra! As crianças tendem a repetir o que vivenciam em casa e não o que escutam “da boca pra fora”.
  • Procure manter uma rotina saudável e organizada: Nem toda a birra está relacionada a algum conflito ou dificuldade da criança. Ela pode muito bem acontecer pelo simples fato de a criança estar fora da sua rotina, cansada, com sono ou com fome. Por isso é preciso que os pais tenham o mínimo de bom senso, podendo evitar alguma situação desnecessária. Caso não seja possível, ter isso em mente e explicar para a criança já pode ajudar bastante. Um bom exemplo é uma ida ao supermercado, no final do dia, por exemplo. Além de ser um local propício para “escândalos”, a criança pode estar cansada ou com fome, o que pode favorecer a possível birra. O ideal é que se evite, nesse caso, levar a criança no supermercado. Como isso nem sempre é possível, apenas falar para ela que se entende que ela esteja irritada porque está cansada, com fome e etc pode ajudar muito para que ela se acalme e se sinta compreendida, pois o adulto está colocando em palavras o que ela está sentindo.

Todas as “dicas” trazidas não são fáceis de seguir, mas ao menos pensar nelas e tentar utilizá-las “na prática” pode facilitar o manejo dos pais com os filhos nas situações de birra, o que exige muita paciência e tolerância. Quanto mais cedo a criança internalizar o sentido do que está sendo transmitido, contando com um ambiente estável, seguro e acolhedor, mais fácil será para ela aceitar as frustrações impostas pelo mundo externo e se desenvolver de forma saudável!

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

 

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