25.jun.2015

Dando ASAS aos nossos filhos!

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Você lembra da primeira experiência como um ser responsável e autônomo? A primeira vez que escalou uma árvore? Pediu pão na padaria? Ficou em casa sozinho? Fez algum trajeto sem um adulto?

Aquela primeira vez em que seus pais depositaram em você a confiança de que era capaz?

Que sensação maravilhosa misturada com frio na barriga, que ficou gravada na memória pra sempre.

Em tese, preparamos nossos filhos para o mundo, mesmo que tenhamos que brigar contra nossos instintos de superproteção. Eu sei que desde que nascem os receios  e medos como pais só vão aumentando.

Por enquanto meu filhote só tem 1 aninho recém completos e nessa fase parece fácil baixar a guarda das proteções, em comparação as mães dos maiorzinhos que já escalam arvores, já dormem na casa de amigos, vão pra escola sozinhos, e algumas que já estão até na fase das festinhas.

Mas voltando ao meu Fernandinho, desde que ele começou a mostrar ser capaz de fazer os primeiros movimentos e mostrar a que veio ao mundo, comecei a criar o habito de avaliar as consequências dos comportamentos apresentados versus ambiente.

Quando começou a ficar mais inquieto, já não podia deixá-lo muito livre na minha cama, pois a consequência seria uma queda, quando começou a tentar engatinhar, minha sala ganhou a decoração de um  edredom bem fofinho como tapete, e as vezes mesmo como uma minhoquinha pelo chão, ele conseguia sair do meu limite imaginário (o edredom) e dar de boca no chão, ahh que choro de cortar o coração, mas pensava “essa é uma consequência que faz parte do desenvolvimento dele que eu não posso evitar para sempre”.

O mesmo quando começou a se aventurar ficando de pé, muitas vezes caia pra traz e eu aparava, mas outras caia de mal jeito e chorava, e até que começou a me mostrar que já sabia cair, e eu aprendi a acreditar que meu filho era capaz e lhe demonstrar tal confiança, muitas vezes dizendo “opa, caiu, vamos lá de novo, tu consegue filho” sem aquele “ai Meu Deus Caiu” a todo volume. Não sei se foi isso, ou genetica, ou o tempo de cada bebê, mas meu apressadinho começou a caminhar de 10 para 11 meses, e desde então pratico muito este habito, de aparentar uma esfinge, calma e sorridente, apenas demonstrando ao meu filho confiança de que ele é capaz, dentro das possibilidades da idade dele e da minha vigilância, claro.

Eu fui criada com bastante autoconfiança das minhas capacidades, quando estou meio travada para alguma decisão importante, ainda lembro da voz do meu pai dizendo “vai lá, faz, tu consegues”, e nesse ambiente que pretendo criar meu filho, ou filhos (meu marido diz que quer 6).

Muita mulher quando engravida já imagina os 50 primeiros anos da criança (sim, somos exageradas), como vai ser na escola, na adolescência, os namorados(as), a profissão, o casamento e até os netos (quem nunca).

Como bacharel em turismo, e intercambista de carterinha desde os 18 anos desbravando o mundo,  eu já pensava em que intercâmbios meu filho faria, curso de idiomas, colegial no exterior, trabalho voluntário na África, enfim, que oportunidades ele teria de descobrir o que há fora dos muros de proteção dos pais, da zona de conforto da vida.

Sempre que me falam sobre intercâmbio na adolescência, meus olhos brilham, intercâmbio não significa de forma alguma voltar apenas com inglês na ponta da língua, é uma experiência de vida, um certificado imaginário dado aos nossos filhos dizendo que acreditamos nas suas capacidades de escolhas, nos valores ensinados durante infância, dentro de um ambiente mais seguro e organizado, que possibilite que vivam um período sem nossa supervisão acirrada, mas com o nosso acompanhamento.

Que riqueza uma experiência em que seu filho morará com uma família de outra cultura, que come outra comida, que fala outra língua, que mora em outro país. Que desafio ir para escola em outra cidade (mais segura nos países desenvolvidos), sozinho de metro. Que aprendizado ser dono do próprio nariz em coisas simples, como ser responsável pela roupa suja, por onde e o que vai almoçar. Que valor este ser humano em desenvolvimento dará ao esforço dos pais, e que admiração pela autonomia, tão necessária na vida adulta, ele vai criar.

Eu chamo de test drive da vida, ou até instrução de voo, pois a vida toda você preparou seu filho para que ele saia um dia do ninho, desde os primeiros passos.

Vou esperar ansiosamente por esta fase da vida do Fernandinho, com aquela mesma cara de esfinge, controlada e sorrindo, mostrando a ele que acredito que ele será capaz de ser um homem completo e autoconfiante, capaz   de realizar tudo que sonhar.

Ok, por dentro estarei com o estomago revirado, e tendo um ataque histérico de nervoso, não vou mentir, mas será o preço para dar o melhor presente que eu poderia dar ao meu filho: ASAS.

Alessandra Rauter 

Mãe do Fernandinho e proprietária do Viajante.com

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