28.mar.2011

Das coisas que a gente não entende…

Na verdade, não sei muito bem por onde começar este post, porque é um assunto que é,e não é difícil para mim. Hoje vou falar um pouco de mim, da minha história, e do que tem dentro do meu coração. Sou filha do meio, e quem é filha do meio sabe que é difícil, pois não é nem a primeira (normalmente a mais desejada), e nem o caçula (o que normalmente é o mais protegido)!Filhos do meio adoram fazer mimimi. E além de filha do meio, sou filha adotiva. 

Fui adotada recém nascida. Não sei o que é estar em um abrigo, ou orfanato. Eu tive a sorte de ter um lar, uma família desde que nasci. E claro, desde pequena tinha minhas dúvidas, meus dilemas, minhas preocupações, coisas que passavam na minha cabeça, e só eu sentia. 

Um sentimento de abandono, de ser rejeitada, eu posso dizer que conheci desde muito pequena. Mas ao mesmo tempo um sentimento de amor muito grande, pois minha mãe me quis muito, me quis tanto que minha mãe que não conseguia engravidar, acabei vindo na barriga de outra mulher.

Criança é tão sincera que chega a ser sem noção, me lembro da minha prima falando que eu poderia casar com meu primo, e que poderíamos ter filhos porque não éramos primos de verdade.

Que feio isso,né?! 

Muitas vezes, as crianças repetem o que os pais falam em casa, então fica o recado, de todos tratarem em casa esse assunto normalmente, e não como um bicho de sete cabeças. Falasse muito em preconceito com religião, raça, nível social, mas tem muito preconceito com quem é adotado, e com quem adota! Tem vizinho que fica falando entre eles, a fulaninha é adotada, coitadinha. 

Me lembro de ver crianças abandonadas na t.v. e me comparar com elas, achar que eu poderia estar no lugar delas, e sofrer com aquilo. Sempre quis ajudar as outras pessoas, principalmente, as crianças, pois achava que poderia de alguma maneira estar no lugar delas. Acabei fazendo muito trabalho voluntário, e escolhendo educação física para poder ajudar as crianças a transformarem suas vidas através do esporte.

As pessoas muitas vezes me falavam, e ainda me falam que imaginam como é, mas não tem como tu imaginar uma situação se tu não tenha vivido. Minha mãe sempre me falou, que eu não nasci da barriga, mas que nasci no coração dela. Ela sempre me falou o quanto eu fui desejada, e o quanto ela me ama. Mas mesmo assim, coisas idiotas sempre passavam na minha cabeça, sempre tinha um colega, um professor que perguntava com quem você é parecido fisicamente na família. Essa era a pergunta que mais me incomodava, e ainda me incomoda, para quem eu tenho um pouco de intimidade, agora eu falo direto, “ah, eu sou eu, sou adotada, não sou parecida com ninguém”. É uma pergunta idiota, eu sei, mas que me tirava o sono muitas vezes durante muitas fases da minha vida. Acho que por isso na gravidez sempre desejei que o Antônio fosse um pouco parecido comigo, ter alguém parecido comigo, sabe?

Na nossa família, nós irmãos sempre fomos tratados igual, não tem aquele negócio de falar por exemplo, quem é adotada, e quem não é. Acho muito estranho aquelas famílias que falam, eu tenho 3 filhos, 2 biológicos e 1 adotivo. Acho que se tu adota, é filho e pronto. Lá em casa foi assim, somos 3 filhos e pronto. 

Não tenho do que reclamar da minha família, sempre tive muito carinho por todos, acho que tive até mais carinho por conta de ser adotiva. Não sei se por pena, ou por eu ser querida mesmo, mas tem pessoas que me tratam com bastante carinho, e eu adoro. Agora eu entendo perfeitamente e na prática, que mãe é quem cria, e não quem põe no mundo. 

Eu posso dizer que botar no mundo é a parte mais tranquila, que o difícil mesmo é criar.

E o que eu não entendo mesmo, é por que uma mãe não fica com seu filho? 

Não acho que dinheiro seja justificativa, tem muita gente com necessidade, que tem filhos, e cria, educa, ama seus filhos. Não quero falar sobre o jeito que criam, nem as condições, mas tem gente que não tem dinheiro e cuida bem seus filhos, assim como tem gente que tem muito dinheiro e cuida mal dos filhos. Isso é relativo, e não vem ao caso. 

Acho que dinheiro não é desculpa. Assim como imaturidade, ou qualquer outra desculpa, se não tem condições de ter, que faça sexo com camisinha, tome pilula, que dê um jeito. 

Não, não sou contra adoção, não mesmo, mas não entendo muito bem os motivos Ainda mais agora que sou mãe, as vezes, estou com o Antônio e penso como uma mãe pode não querer seu filho? Eu sei que tive muita sorte na vida, a minha família me ama, e sempre fizeram de tudo por mim, e ainda fazem. 

Muito obrigada a vocês! Amo muito vocês!

Tenho certeza que esse texto está  bem confuso, mas queria mesmo era desabafar, e tem coisas que nunca vamos entender mesmo…

Comente pelo Facebook

Leia mais!