11.abr.2012

Das lembranças da infância


As pessoas guardam muitas coisas de quando eram crianças, e até quando eram bebês. Quantas vezes lembramos de coisas, cheiros, e sabores da infância? Eu lembro de muitas coisas, coisas que me contaram e coisas que estão guardadas num cantinho especial do meu coração. Infelizmente lembro de coisas tristes, e coisas que nos marcaram, mas sei que faz parte da vida. Além das lembranças que vivi, eu tenho certeza que a mente lembra de coisas que não aconteceram de verdade, coisas que gostaríamos que tivesse acontecido, enfim…a mente, mente.
Já falei aqui sobre eu ser adotada, não é algo que tenho vergonha, tão pouco algo que me orgulho, simplesmente sou e nasci no coração da minha mãe. Mas quero falar sobre alguns sentimentos que tenho de pequena para desabafar e alertar as mães que querem adotar, ou já adotaram.
Meus pais sempre falaram que eu fui adotada desde que me conheço por gente. Provavelmente foram a psicólogos para ver o que era melhor para a criança. Eu não lembro dessa conversa, lembro de eles me contarem que com uns 2 aninhos eles me contaram.
Uma criança de 2 anos não tem capacidade de entender isso, não sei qual seria a hora ideal, mas lembro de algumas situações que vivi e que de vez em quando vem a tona. Lembro de palavras das pessoas, lembro de quando um senhor foi lá em casa para dar o papel que eu era de fato filha dos meus pais, nesse dia minha mãe não estava em casa. Eu tinha uns 2 anos e pouco, primeiro eu achei que ele era meu pai e tinha vindo me buscar, e depois eu saí correndo achando que ele queria me levar embora. Minha mãe me explicou milhões de vezes essa história, mas sentamos e conversamos bem sobre ela, todos os pingos para eu entender só esses dias, acreditam? Era uma “pulguinha” que ficava ali na minha cabeça até hoje.
Outro fato que me marcou muito foi um dia que estávamos brincando e estava dando jornal. Minha mãe queria me tirar da sala, pois achava que eu podia me assustar com a notícia, estavam falando sobre crianças em orfanatos, que estavam abandonadas, e eu sempre achei que poderia estar em um orfanato se não fossem meus pais, então sempre tive essa sensação de abandono, desde a barriga, né?
Minha mãe sempre falou que eu nasci no coração dela, mas ela dizia que minha mãe biológica estava doente e não pode cuidar de mim. Aí que eu PIREI!
Eis que quando Antônio nasceu eu tive uma depressão, se foi leve ou não eu não sei, sei que chorei muito, vivia ansiosa, e há pouco tempo eu descobri o porque de muita dessa ansiedade e medo.
Eu tinha medo de que algo acontecesse comigo, tinha medo de ficar doente, de morrer. A gente sempre tenta superar, se faz de forte, mas de vez em sempre quando vinha pensamentos ruins.
E lógico que na minha cabeça como a minha mãe biológica ficou doente e não pode ficar comigo, tinha medo de ficar doente e não poder ficar com o Antônio. Então tive uma conversa com minha mamis sobre isso, sobre o que ela me falava, porque eu achava algumas coisas e não tinha certeza que tinha acontecido. A conversa foi ótima, tirou um peso de mim, não teve nada de mãe biológica doente, ela me falava para eu me sentir menos rejeitada, ou abandonada, ou querida, sabe? E eu tinha isso dentro de mim até que se libertou quando o guri nasceu.
Precisava desabafar, esse post está trancado aqui dentro de mim faz tempo, mas ao mesmo tempo não é fácil se expor e expor a família. Mas graças a Deus meus medos passaram, e sei que nada, nem ninguém tira o guri de mim. Fica a dica para quem adotou, ou pensa em adotar, procurem conversar com um psicologo, pois as palavras tem muito poder, e podem ficar dentro de nós e causar traumas.
Agora ainda tenho lembranças da infância, do biscoito da minha vó Amélia, das brincadeiras na praia e de comermos jabuticaba no pé, dos banhos de açude no sítio e de mascara de lama (eca)!
Beijos gurias

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