18.jul.2013

Dificuldades de Fala na Síndrome de Down {Fala, Fono!}

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A Síndrome de Down é causada por uma anomalia genética (trissomia do cromossomo 21). As crianças com Síndrome de Down têm um atraso no desenvolvimento global, que se manifesta também na aquisição da linguagem. O desenvolvimento da fala, bem como de todo o processo de comunicação, depende de vários fatores orgânicos, ambientais e psicológicos, que estão presentes desde os primeiros dias de vida.

O bebê com Síndrome de Down algumas vezes é menos responsivo às palavras ditas pelos pais, bem como para estímulos não verbais, como sorrisos, gestos ou caretas, vocalizando menos que os outros bebês. Porém, os pais devem agir normalmente, proporcionando estímulos, conversando e interagindo com a criança.

Um dos maiores problemas encontrados pelos pais de crianças com Síndrome de Down é o atraso na aquisição da fala, mas é importante lembrar que a comunicação não se dá apenas com a produção de palavras, e sim com gestos e expressões de afeto.

Algumas características que predispõem às dificuldades na fala :

  • Hipotonia: a flacidez dos músculos faz com que haja um desequilíbrio de força nos músculos da boca e face, ocasionando alterações na arcada dentária, projeção do maxilar inferior e posição inadequada da língua e lábios – com a boca aberta e a língua para fora. A criança respira pela boca, o que acaba alterando a forma do palato (céu da boca). Esses fatores, dentre outros, fazem com que os movimentos fiquem mal coordenados e a articulação dos fonemas fique imprecisa e prejudicada;
  • Suscetibilidade às infecções respiratórias: essas infecções levam a criança a respirar pela boca, aumentando a dificuldade para articular os sons.
  • Pouca memorização de seqüência de movimentos: a dificuldade para aprender seqüência de movimentos faz com que as crianças com Síndrome de Down pronunciem a mesma palavra de vários modos diferentes. Cada vez que dizem uma palavra é como se a estivesse falando pela primeira vez.

Muitas crianças com Síndrome de Down apresentam trocas na fala, como: /b/ por /p/ /d/ por /t/,/ /v/ por /f/, /g/ por /c/. Como esses sons são parecidos, desde cedo é necessário um trabalho de discriminação auditiva. Os pais devem mostrar para a criança que esses sons são diferentes, falando-os em oposição em sílabas e início de palavras. O Fonoaudiólogo é o profissional que vai atuar na orientação aos pais sobre quais os sons devem ser estimulados, pois dessa forma os pais não perderão tempo estimulando sons que a criança ainda não possui maturidade para produzir, além de serem orientados quanto as variações aceitáveis, dependendo do nível de linguagem de seu filho, bem como sobre os exercícios para o fortalecimento dos ossos e músculos da face, de maneira a proporcionar um melhor padrão de fala.

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Como estimular o desenvolvimento da linguagem e fala em casa:

  • Brincar com seu filho (de casinha, de carrinho etc), onde a linguagem usada é depois transferida para a vida diária. Você pode usar brinquedos ou os próprios objetos de sua casa e ir dividindo a brincadeira em partes: hora do banho, hora da refeição, hora da limpeza etc.
  • Procure usar uma linguagem simples com palavras fáceis e curtas no início, depois acrescente verbos (comer, dormir, lavar etc.), palavras mais longas, conceitos como dentro, fora, em cima/embaixo e palavras de uso cotidiano como oi, tchau, mais etc.
  • Mais importante do que a criança repetir palavras e saber nomear vários objetos, é conhecê-los, saber para que servem, observar as diferenças entre um e outro. Isso só é conseguido quando a criança tem oportunidade de explorar os objetos, manuseá-los, aprendendo, assim, através de coisas reais e concretas. Por isso é bom levá-la à feira, ao supermercado, jardim zoológico, passeios etc, para que ela possa vivenciar cada uma dessas experiências.
  • Evite falar com a criança colocando as palavras no diminutivo. Isso prejudica a discriminação e piora a inteligibilidade. As palavras devem ser ditas inteiras à criança e não separadas em sílabas, pois isso dificulta o processo de aprendizagem.
  • Não corrija a criança, mas devolva o modelo correto: por exemplo, se ela falou “Supa lalanza”, você pode responder: “Ah, você quer chupar laranja? Vou buscar a laranja para você”, sempre articulando muito bem as palavras.

Em caso de dúvidas, façam nos comentários que responderei assim que possível

Abraço,

Taís Alves Batschauer

CRFª 9309/RS

email: [email protected]

Porto Alegre

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