3.mar.2012

Dos sentimentos sobre o desmame

A amamentação é uma dádiva, é um momento de mãe e filho, não tem palavras, não tem explicação, só quem é mãe sabe a alegria e as dores de amamentar.
Amamentar é tudo de bom, mas sim, tem suas dores, quem acredita que vai parir e amamentar de primeira como nas novelas está muito enganada. Pode acontecer que sim, que seja fácil, sorte sua. Mas se prepare, se informe, vá em bancos de leite, troque de médica se precisar, não aceite um médico dizer que você não tem leite suficiente ou que você não pode amamentar, isso é muito raro!
Ok, não sou nem médica, tão pouco especialista, mas sou mãe, e já passei por poucas e boas durante a amamentação.
Na primeira semana foi péssimo, meu peito estava cheio de leite, o bico estava plano. Eu estava ansiosa, um pouco inconformada, pois queria parto normal e foi uma cesárea. A pediatra que acompanhou o parto, e chegou a ser a primeira pediatra do Antônio, não me apoiou, disse que eu oferecesse leite artificial, já que estava sendo difícil. Ela chegou a receitar leite em pó na receita e (PASMEM) uma mamadeira, chegou a colocar a marca da mamadeira. Dá para acreditar?
Já falei inúmeras vezes no blog sobre minha experiência com a amamentação, não vou falar de novo para não ser repetitiva, inclusive esse post é para falar sobre desmame. Mas não tem como falar em desmame e não querer falar sobre a amamentação…
Sempre quis que o Antônio amamentasse em livre demanda, e assim foi. Ele mamava a hora que queria, durante o dia de 2 em 2 horas, e a noite de 3 em horas, as vezes menos, as vezes mais, conforme a vontade dele.
Como optei por ser mãe em tempo integral, sempre estive disponível para as vontades e necessidades dele, colo de mãe, peito, estava 24 horas na função, enfim, todas delícias da maternidade.
Amamentei exclusivamente até os 6 meses, mesmo com a insistência da pediatra em introduzir água, ou suquinhos. Confesso que até tentei dar, porque confio nela, e ao mesmo tempo não acreditava nos meus instintos. Mas ele rejeitou a água, suco, copinho, mamadeira, então, resolvi que só iria tentar novamente com 6 meses, para o bem geral da família.
E foi assim, amamentei Antônio exclusivamente até os 6 meses, fiquei orgulhosa, enchia a boca para dizer que tinha conseguido, pois quem amamenta sabe que cansa, que não é fácil, mesmo sendo a melhor coisa do mundo, nos deixa um caco, muitas vezes.
A minha “meta”, meu sonho, minha vontade, meu objetivo era amamentar até os 2 anos, conforme recomendação do ministério da saúde, conforme minhas vontades. Mesmo indo contra a pressão da sociedade, dos pitaqueiros de plantão em falar que amamentar até 6 meses é suficiente, eu queria mais, pelo Antônio e por mim, por nós!
Ao mesmo tempo sabia que o desmame uma hora iria acontecer, sempre fui realista, sabia que iria acontecer.
Eis que com 1 ano e uns 3 meses o Antônio deu sinais que não queria mais mamar. Mordia o peito, brincava com ele, mamava 5 segundos e não queria mais. Isso aconteceu uns 2 dias durante as mamadas. Eu não sei se eram os dentes nascendo, ou se simplesmente vontade dele, preferi acreditar que eram os dentes…
Lembro do meu pensamento no dia que ele não quis mais o peito, que virou o rosto, pensei que como podia?Não entendia como de um dia para o outro ele não queria mais mamar? E que se eu soubesse que a última vez que ele tinha mamado seria a última eu teria aproveitado mais, teria curtido mais, teria guardado eternamente aquele momento.
Mas como sou brasileira, continuei insistindo na amamentação, que por vontade dele passou de 5 vezes por dia a 2 vezes, ao acordar e antes de dormir…tudo bem, mas ainda amamentava, tinha bastante leite.
E tudo tinha voltado ao normal, ao nosso normal, ao menos parecia… mas aos 18 meses, o Antônio simplesmente não quis mais mamar no seio. Nem duas, nenhuma vez. Ele decidiu que não queria mais, que já estava bom de peito de mãe, e ponto.
Se eu disser que foi fácil, pois foi pela vontade dele, sem dramas, sem sofrimento (da parte dele, ao menos) eu estarei mentindo. Eu sabia, sabia que iria acontecer, mas não estava preparada, a gente nunca está. Claro que penso que foi da melhor maneira que poderia acontecer (para ele), sem sofrimento e sem traumas. Inclusive conheço casos de mães que falam para os filhos que o peito está dodói para parar de amamentar,ou colocam pimenta, ou simplesmente param de dar o peito, pois não querem ou tem que voltar ao trabalho, enfim, bem mais traumático.
Aconteceu como tinha que acontecer, naturalmente o meu bebêzinho cortou mais um “cordão umbilical”.
E a mãe como fica?
Com saudades, com muitas lembranças… de bons momentos, das dificuldades, das conquistas, do vínculo, do amor que só quem amamenta sabe como é…

Esse peito não é meu…

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