27.maio.2013

Entrevista com Dr. Claudio Basbaum {Duvidas sobre parto}

Gurias, falei aqui do 2º Workshop da Fisher Price, e falei sobre a participação do Dr. Claudio Basbaum, que é ginecologista-obstetra com 49 anos de profissão. Ele é o introdutor de diversas técnicas no Brasil como a laparoscopia e a videolaparoscopia, o Parto Leboyer, a técnica Shantala, foi o preconizador e defensor do Parto de Cócoras, da presença do pai na sala de parto, do estímulo à amamentação logo após o nascimento do bebê e da adoção do alojamento conjunto (o bebê junto com a mãe no quarto).
 
Quem me lê sabe que eu sempre quis ter Parto Normal, e hoje em dia, mesmo depois de ter tido uma cesárea, quando penso no próximo filho, sonho em ter um Parto Normal, pois  acredito que é o melhor para a mãe e para o bebê.
Hoje eu fiz algumas perguntas para ele, quem sabe alguma é uma duvida sua também, espero que possa ajudar muitas mães! Agradeço ao Dr. Claudio pelas respostas, e pela Fisher Price me oportunizar essa troca virtual! 
 
Muitas mães tem medo de esperar mais que as 40 semanas de gestação, quanto tempo o senhor acha que é seguro esperar para fazer um parto normal/natural?
Quais fatores são importante observar? Por definição, toda gestação que atinge 42 semanas completas, a contar do 1º dia da ultima menstruação, é chamada de “gestação prolongada”. Por isso, é muito importante o médico ter esta informação e também, se possível, a grávida fazer a datação baseada em uma ultrassonografia precoce.

A conduta atual, porém, tem sido a de não permitir que a gestação vá além da 41ª semana pelos riscos comprovados sobre a vitalidade fetal dentro do útero, como asfixia do bebê, eliminação de mecônio, peso excessivo fetal e redução do líquido amniótico. E é por isto que se exige uma atenção clínica dobrada sobre as condições do feto a partir deste período, incluindo exames especiais a cada 2 – 3 dias.

Além disto, a tentativa para o parto vaginal induzido passa a exigir cuidados mais atentos e a cesárea encontra aí uma boa indicação.
Para as mães que desejam ter parto normal/natural, você indica alguma preparação especial? Algum exercício físico, ou outra preparação?

Todas as gestantes devem ser contempladas com uma assistência pré-natal de qualidade desde o inicio da gravidez, inclusive com informação, interação afetuosa, respeitosa e competente com o profissional da saúde. Esta é a base fundamental para se alcançar o parto vaginal (parto normal) dentro dos conceitos do parto humanizado e do chamado “Nascimento sem violência”, princípios preconizados pelo médico Frances Frédérick Leboyer.

Outro ponto a considerar é um programa de exercícios físicos a partir do 3º/4º mês de gestação, sempre com orientação profissional especializada. Indico a hidroginástica, pelo baixo impacto dos exercícios, o alongamento e outros exercícios que trabalham o tônus da região do períneo.
Quais motivos seria indicação de cesárea?

A cirurgia deve acontecer obrigatoriamente quando puder salvar vidas, tanto da mãe quanto do bebê. Alguns exemplos: hipertensão, diabetes gestacional, hemorragias do terceiro trimestre, gestação prolongada, sofrimento fetal e etc. 
Não indico como a primeira opção para ajudar uma criança nascer.
Depois que a bolsa rompe quanto tempo podemos esperar para que se inicie o trabalho ativo do parto? Tem algumas horas que devemos respeitar para que aconteça o parto normal? Ou depende de alguns fatores? Se sim, quais seriam?
O rompimento da bolsa antes do inicio do trabalho de parto é chamado de ‘rotura prematura das membranas’. Em 90% dos casos de rotura da ‘bolsa das águas’, o trabalho de parto fraco se inicia dentro de 24 horas.
Mas, caso não ocorra é preciso internar a paciente e monitorar rigorosamente tanta a mãe quanto o feto, de forma clínica e laboratorial. Isto é importante para reconhecer precocemente qualquer processo infeccioso.
A resolução do parto será definida pela idade gestacional e também pelos riscos potenciais de cada caso.
Você é a favor da episiotomia ou depende do desenvolvimento do trabalho de parto? Quais os pontos positivos em fazer e em não fazer a episio?
Eu sou contra o uso rotineiro e sistemático da episiotomia, pois a meu ver isso pode ser substituído caso haja um preparo adequado da gestante, como liberdade para caminhar e se agachar na hora das contrações durante o período expulsivo. Esse método, álias, é bastante conhecido pelas mulheres indígenas e por aquelas que deram a luz através do parto de cócoras.

Entretanto, caso haja realmente necessidade de ampliar o espaço para a passagem do feto, seja pela resistência dos tecidos ou por acomodação desfavorável do feto, podemos e devemos realizar o corte cirúrgico. Sempre, é claro, objetivando preservar as condições dos músculos maternos, bem como facilitar a saída do bebê. 
Dupla circular de cordão umbilical é indicio de cesárea?

O reconhecimento prévio de dupla circular não é fácil e tampouco habitual.
Em geral, podemos suspeitar da existência de circular de cordão pela monitorização dos batimentos cardio-fetais ou da cardiotocografia. Nos casos em que se apresentem sinais compatíveis com sofrimento fetal, a cesárea deverá ser realizada com brevidade.
Em geral, as circulares verificadas na fase de expulsivo do parto são desfeitas e afrouxadas, permitindo a conclusão do parto vaginal sem maiores problemas.

 

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