14.nov.2011

Especial de Parto – Vamos falar de cesárea?

Bom dia!
Hoje é dia de especial de parto, e quem veio tomar um chimarrão aqui no blog e compartilhar de suas histórias de parto é a querida  Bethania do blog Dupla de dois. Cada mãe é uma história, uma expectativa e uma escolha, assim como tivemos um relato emocionante da Letícia, hoje foi tão emocionante quanto, são dois partos cesárea da Bê. Lembrando que, não somos especialistas, nem levantamos a bandeira para nenhum tipo de parto específico, e sim, somos mães e devemos nos informar. Assim como eu fiz cesárea necessária, segundo meu GO, podem ter outras mães que querem um tipo, e acabam fazendo outro, é sempre bom ter histórias de todos os tipos de parto…porque nem sempre a nossa vontade, o nosso sonho se realiza, e o importante é se informar sempre! Quem fez cesárea e quiser enriquecer os comentários com sua opinião, recuperação, enfim, fique a vontade, será muito bom para outras mães!Obrigada Be,adorei sua história, sinceridade, obrigada!!
Vem se emocionar!
“Esses dias a Angi falou aqui sobre a expectativa de um parto perfeito e eu acho que isso é coisa de toda mãe – cada uma de nós idealiza o que seria um parto ideal  e na maioria das vezes daquele jeito bem filme americano: a mulher fala “amor, chegou a hora”, o marido sai apressado e esquece a mulher em casa… rs… Malinha no carro, respiração cachorrinho, o marido apavorado e sem saber como agradar mais a mulher… o hospital prontinho para recebê-los, todos sorridentes (inclusive a mulher!), o momento mais tranquilo e iluminado e comercial de margarina de todos os tempos. E, por fim, o bebê enrolado numa mantinha branca no colo da mãe. É ou não é mais ou menos por aí?!
Pois bem. Quando fiquei grávida, uma coisa era muito certa na minha cabeça: eu queria que fosse parto normal e ponto final. Confesso que não li muito sobre o tema e  nem conversei sobre os detalhes sórdidos com as outras pessoas. Oras. Se normal era da natureza, é porque tinha que ser assim e estava acabado. Mas na conversa com o gineco… o negócio não era bem esse. Ele se esquivava, mudava de assunto e dizia que quando chegasse a hora nós conversaríamos sobre isso. Marquei uma consulta com aquele que seria o pediatra do meu filho para chorar as pitangas e dizer que o meu médico não me ouvia… que eu queria parto normal e nada diferente disso. Conversamos longamente (mais de uma hora e meia) e ele, além de ter me esclarecido muitas dúvidas, ainda me tranquilizou muito em relação a isso tudo. Para ele, do ponto de vista de trauma para a criança, tanto faz se cesárea ou parto normal. Os dois são traumáticos, os dois têm prós e contras. Portanto… É uma questão pessoal de cada mãe. E eu honestamente concordo com ele. Acho ruim quando a pessoa tenta enfiar sua opinião de goela abaixo das pessoas. Acho bacana que existam vermelhos e azuis. Mas não acho bacana quando vermelhos tentam mudar a opinião dos azuis à força… Acho honesta, sincera e verdadeiramente que não existe certo e errado. Existe opinião, situação, ocasião e, bem importante: conforto e segurança por parte da mãezinha que está para ter bebê.
Pois bem. Ainda não estava querendo abrir mão do parto normal… Mas já não pensava que se tivesse que ser cesárea desmereceria o momento mais importante da minha vida. Segui minha vidinha bem feliz. E eis que, do alto das minhas 36 semanas de gestação… chegou a hora. Mas coooooomo! Faltava um mês ainda!!! Eu nem tinha terminado o enfeite da porta da maternidade ou as lembrancinhas (porque mãe de primeira viagem metida que sou… fiz questão de eu mesma fazer – me sentia mais “mãe” assim: aprendendo a bordar só para fazer toalhinhas com o nome do Yan para dar para as pessoas!)
Acordei com um sutil “vazamento”. Oras. A gente vê na novela e no curso de gestantes que quando a bolsa rompe acontece aquele “chuá” (e eu rezava para que não acontecesse num local público tipo um shopping ou festa – pensou o micoooo?). Pois naquele dia 05 de agosto eu estava mais úmida que o normal e isso me acompanhou o dia inteiro. Meu marido tinha ido viajar para longe naquele dia e só voltaria de noite. Quando ele voltou, comentei com ele sobre o que estava acontecendo e ele me sugeriu que ligasse para o médico para saber se era normal. Ele pediu que eu voasse para o hospital e, chegando lá, já estava tudo pronto, à minha espera. E aí sim… o pânico imperou nesta pessoa tão calma e serena até então! Mas coooomo! Ainda faltava um mês inteiro até chegar a hora! O líquido aminiótico estava muito baixo. Não dava para esperar. E assim, sem chuá nem dilatação, nem dores e contrações… Assim fui encaminhada para a sala de parto. Seria uma cesárea de urgência. E eu tinha ouvido tantas coisas – nessas horas aquele comentário daquela tia ou amiga inconveniente volta à memória, independente de você ter ouvido milhares de relatos bons… Mas a eclampsia de fulana, a dor absurda da agulha gigante do anestesista, a sala de recuperação cheia de pessoas de peito aberto por cirurgias cardíacas e especialmente aquilo que não saía da minha cabeça – que bebê de cesárea ganhava NAN por causa da demora da recuperação e ele provavelmente iria gostar mais deste leite que do leite da mãe… esses eram os relatos que vieram naquele momento. Eu não estava nervosa. Eu queria FUGIR! rs…
Chegando na sala de parto, o nervosismo era tanto que foram necessárias três agulhadas da anestesia. E logo começou. Fiquei impressionada com a simplicidade com que tudo aconteceu. Em menos de 5 minutos depois do início eu já ouvia o chorinho do meu filho. Emocionante demais da conta, mas eu estava tão nervosa com aquilo que ainda “estaria por vir” que não pude curtir de verdade o momento. Mas eu tive que respirar fundo no momento em que o médico aproximou o Yan de mim. Ele chorava compulsivamente e quando falei  “o bebê da mamãe!” ele parou de chorar na hora. Foi lindo! Ele me reconheceu! Taí aquele toque de “natureza” que eu sempre sonhava! Uma coisa tão pequena que fez valer tudo! 😀
Na sala de recuperação, fui colocada na frente de uma TV e assisti ao último capítulo de uma novela da Globo. Mas eu estava bem nervosa em relação aquela coisa do NAN e perguntei para a enfermeira quando poderia ir para o quarto para ter o meu bebê. Ela disse que quando o meu joelho mexesse. Foi o que bastou para eu ficar olhando fixamente para o meu dedão por minutos seguidos até conseguir fazê-lo mexer. Em menos de uma hora e meia eu já pude chamar a enfermeira e exibir meus joelhos para cima e para baixo – ela não acreditava! rs…
Fomos para o quarto, Yan mamou sem precisar do NAN da maternidade, fomos para casa e foi uma recuperação muito rápida e tranquila. Sem queixa nenhuma MESMO! Minha referência de cesárea era das melhores possíveis e, sem querer evangelizar ninguém  ou dizer que isso é certo ou aquilo é errado… Penso que Deus escreve certo por minhas tortas. Acredito que realmente foi a melhor opção e a melhor coisa que poderia ter me acontecido: essa cesárea. Falei num comentário anterior aqui no blog que os cientistas se esforçam tanto para dar qualidade de vida para a gente e que a gente tem mais é que usufruir! Penso, hoje, que cesárea envolve muito menos variantes e coisas que podem dar errado que o parto normal, pois é um ambiente controlado… uma situação controlada. Parto normal, na minha opinião hoje é como tirar o dente do siso…. A gente nunca sabe como vai ser. E isso francamente me incomoda. Que bom que aconteceu do jeito que tinha que ser: sem dor, sem trauma (para mim – para o bebê, diz o pediatra que existe trauma de qualquer jeito pois, para o bebê, respirar pela primeira vez dói… rs…)
Na minha segunda gravidez eu nem considerei a possibilidade de fazer um parto normal. Sou uma mulher Fly – super prática e moderna! Mas deixei bem claro  para o médico que eu não queria marcar data. Queria deixá-lo vir. Pois bem. Meu segundo filho me relembrou que eu não escolho nada! Chegou às 40 semanas a minha segunda gestação e nada de ele se manifestar! Tivemos que marcar a cesárea de qualquer forma. Como da primeira vez eu peguei uma equipe fantástica. As enfermeiras fazem partos umas 550 vezes por dia e ainda sim foram capazes de minimizar minhas inseguranças sem banalizá-las. Entrei nervosa no centro cirúrgico… falando que nem uma tramela… Mas logo elas seguraram minha mão e me acalmaram. O anestesista também foi fatástico: ele chegou perto de mim e sussurrou: “Vou usar só 75% do anestésico para que tu possas sentir mais e participar da vinda do teu filhote! E foi mesmo… Não senti dor, mas senti fotos os movimentos dos médicos… foi uma experiência muito muito boa mesmo! O médico já chegou rindo e contando piadas… Um astral fantástico naquela sala! Meu filhote não chorou logo de cara! O médico abriu e exclamou “que bolachudiiiinhooooo!” e a enfermeira, lá atrás falou “Ah, que lindinho!” e eu preocupada – aqueles dois segundos e meio que duram uma eternidade. Quer saber da parte?! Lui estava dormindo e só chorou porque o médico insistiu em importuná-lo… hehehe E de novo aquela coisa sutil e fantástica da natureza… Quando colocaram ele perto de mim… ele ficou quietinho. A sensação mais gostosa do mundo!
Depois disso, ele foi tomar um banho, e eu, na sala de recuperação da maternidade (houve reforma no hospital entre o Yan e o Lui) pude assistir tudo. E de lá ele já veio para o meu colo, mamar… Antes de mexer qualquer joelho! Foi mágica a experiência (a enfermeira até brincou com o meu marido que ele teria que comprar uma geladeira extra!) O parto aconteceu às 7 da manhã. Às 10 estava no quarto recebendo visitas, perambulando por ali (ninguém acreditava que eu tinha recém-chegado!) o dia todinho! No dia seguinte ganhamos alta e viemos para casa. E vivemos felizes para sempre desde então.
Meu parto dos sonhos acabou acontecendo, mesmo sem eu ter sonhado efetivamente com ele. E olha. Aconteceu duas vezes e de um jeito que eu jamais poderia ter lido em qualquer literatura. Os profissionais humanos que me cercaram nos dois momentos, a estrutura do hospital, tudo. Como mãe de segunda viagem aprendi a ter expectativas sem ser tão intransigente. E que as coisas acontecem exatamente do jeito que tem que ser.
E quer saber qual a pior parte de tudo isso?! Você, mãe de parto normal… você não passou por isso, tenho certeza absoluta! O que eu poderia enumerar como o pior “contra” da cesárea é a baita coceira que dá no nariz quando a anestesia começa a sair… Jesus! Isso eu realmente não queria passar de novo! Nuuuuuuuuuunca maaaaaaaaaaaissssssss! rs…
No vídeo, o parto do meu primeiro filhote, Yan. O parto o Lui também foi gravado… Só que ainda não foi editado – em casa de ferreiro, espeto é de pau. Alguém duvida?! rs…

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