19.nov.2015

Falando sobre minha história de adoção!

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Mesmo sendo super bem resolvida com minha adoção, depois de mil anos, de terapia, de aceitação, de muito choro, de muito amor, sempre que falo/penso sobre o assunto, me emociono. Fui adotada com 0 dias, assim que nasci a minha mãe já foi para o hospital me receber! Uma coisa que gosto de deixar BEM CLARO é que NUNCA ouvi minha mãe se referindo a mim como filha adotiva, sou FILHA DELA E PONTO! Já vi muitas famílias apresentando um filho assim, como filho adotivo, mas na minha família isso NUNCA aconteceu, sempre fui e sou tratada igual aos meus irmão! 

Resolvi falar sobre esse assunto, pois uma leitora me perguntou: “ Caso meu filho queira fazer uma Volta ao passado para saber sua origem, não sei se é bom ou ruim, só sei que estarei ao lado dele. Gostaria de saber se você teve esta curiosidade?

Acredito que a maioria das pessoas que foram adotados já tiveram curiosidade de saber suas origens. Por muito tempo “sofri”, pois as pessoas me perguntavam se eu era parecida com minha mãe, ou com meu pai, as pessoas procuram semelhanças, cor dos olhos, cabelo, sorriso… vocês sabem que é assim, sempre que postamos uma foto dos nossos filhos, as pessoas logo comentam que é a cara da mãe, do pai… Como nem todo mundo de nossa convivência sabia que eu tinha sido adotada, para não falar que não sabia, pois fui adotada,  sempre tinha que falar com quem era parecida, e o mais “engraçado” é que sou parecida com minha mãe. Hoje entendo que podemos não ser parecidas fisicamente, isso não tem a menor importância, mas temos a mesma essência, mesmos valores, mesmo coração e isso que importa! 

Quando eu era pequena, tinha vergonha de falar sobre isso, tinha vergonha de falar que tinha sido adotada, porque a gente tem vergonha mesmo de ser diferente, queremos ser iguais aos outros, então nunca falava sobre isso. Sofri muito, por muito tempo, pois crianças são malvadas e só eu sei o que já ouvi por ter sido adotada. Então não queria falar sobre isso, preferia esconder, mudar de assunto, ficar quieta mesmo… Apesar de ficar chateada quando alguém fazia brincadeiras de mal gosto, nunca fui de me fazer de coitadinha. NUNCA TIVE PENA DE MIM MESMA, sempre entendi que cada pessoa tem sua história e temos que aceitar o que não podemos mudar, e MUDAR o que podemos!

Sempre assisti muitos filmes e lembro que quando assistia a filmes de meninas órfãs, me colocava no lugar delas. Talvez por isso, criei uma história para mim, que minha mãe biológica tinha morrido no parto (ou depois dele) e por isso não poderia ficar comigo.  Essa mentira para mim mesma, que ela tinha morrido, me gerou medos e ansiedade pós parto, comecei a achar que morreria e não poderia criar meu filho. Foi a fase mais PUNK da minha vida, pois morri como filha e renasci como mãe! 

Por muito tempo quis conhecer minha genitora, ao menos ver uma foto para ver se sou parecida com ela. Por muito tempo quis saber se tenho irmã biológica, que tenha mais coisas em comum comigo do que minha irmã… somos muito diferentes e já quis ter uma irmã que pense mais parecido comigo. Hoje eu não tenho vontade…  mas confesso que a minha maior preocupação são questões de saúde, queria saber se tem algo que eu preciso me cuidar, câncer na família, diabetes, problemas cardíacos, pode parecer “bobeira”, mas queria saber disso…

Ainda tenho um pouco de curiosidade, mas não me vejo indo atrás dessas informações. Adoção é um chamado! Hoje em dia é diferente, pelo cadastro nacional de adoção, entrando na fila, etc … você recebe todo o histórico da criança/adolescente. Os dados dos genitores ficam arquivados em sigilo. Somente você terá acesso e a criança quando tiver 18 anos, caso ela queira.

Claro que dói saber que a mulher que te gerou não escolheu ficar com você. Nós que fomos adotados temos a questão no nosso interior de termos sido abandonados por alguém em algum momento. No meu caso, fui direto para os braços de minha mãe, meu pai e minha irmã. Mas nem todos que foram adotados tem essa benção. Fui escolhida pela minha mãe,  que não tinha obrigação biológica nem jurídica e ESCOLHEU me amar. Meus pais me contaram quando era bem novinha, acho que com uns 2 anos eles já tinha me falado que eram meus pais do coração, que havia sido gerada em outra barriga. Muitos me perguntam quando é a melhor hora para contar aos filhos que foram adotados, na verdade não tem melhor hora, ninguém está preparado para saber que foi “abandonado” por quem te gerou, isso dói. Mas claro, tive o privilégio de ter sido adotada pela melhor família do mundo!

As vezes demora para tu aceitar/entender que ela fez o melhor por ti. Hoje sei que é muito mais fácil criar filhos de qualquer maneira, como vemos muito por aí, do que admitir que você não pode ter/criar e tem que dar seu filho para outra mãe criar/educar/amar. Hoje em dia, depois de ter meus filhos, sou grata a minha genitora, pois ela me deu a vida. E sou muito mais grata a minha MÃE, pois ela me deu muito mais do que a luz, ela é minha luz, ela é minha referência, meu exemplo, morro de orgulho dela, e sei que sou muito parecida com ela, somos guerreiras, somos felizes, somos fortes, e preferimos ver o copo meio cheio, do que meio vazio…

beijos

Angi

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  • Rosemary Rocha

    Sou mãe de dois lindos filhos, não sou adotada e até tenho vontade de um dia adotar. Não sei os motivos que levam uma mãe a abrir mão de seu filho(gostei do que disse sobre ser grata a sua mãe que te deu a vida) é um assunto delicado para entrar em discussão, mas o fato de não ter decidido “não rsr o bebe para mim já é o suficiente! Porque muitas tem, não entregam para adoção, mas também não cuidam, abandonam por aí, um ser indefeso, jogam no lixo, num saco plástico num rio. Não digo que é bom abrir mão de um filho, mas ao menos esse filho teve oportunidade de ter um lar. Eu não imagino minha vida sem meus filhos, mas e quanto aquela mãe que não pode gerar filhos e hoje tem a graça de ter um ou vários filhos do coração!!!

  • Cristiane presotto

    Ah q lindo. Também sou adotada, sei bem tudo q vc disse ai. Eu tb já tive vontade de conhecer a minha familia biológica mas entendi q pai e mãe são os q te criam, estão ali com vc qdo precisa, te dá amor e carinho… Deus foi muito generoso comigo e pelo q vejo foi cm vc tb nos dando pais maravilhosos como os nossos!

  • Cássia Ribeiro Correa

    Como te contaram que você era adotada?

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