27.maio.2015

A história de um Milagre de Amor {Relato de Leitora}

Mamães, recebi um email da Juliana Soares, mãe do Enzo e compartilho com vocês a história dela, tenho certeza que servirá de inspiração para muitas mães, a Ju é uma guerreira! Obrigada Ju, por compartilhar conosco sua história!

“O Enzo tem uma cardiopatia congênita, isto é, uma má formação no coraçãozinho e precisa realizar uma cirurgia de emergência”, disse a cardiologista durante um exame de ecocardiograma.

E foi assim que ficamos sabendo que nosso bebê, com cinco dias de vida, era cardiopata. Meu primeiro filho, tão amado, esperado e indefeso precisaria realizar uma cirurgia no coração. O chão se abriu e nada tirava o medo que tomou conta de nós.

Enzo tinha Transposição das Grandes Artérias (TGA), quando as grandes artérias estão invertidas, fazendo com que a Artéria Aorta fique ligada ao ventrículo direito e a Artéria Pulmonar ao ventrículo esquerdo, o oposto da anatomia normal do coração. Com as artérias invertidas, o sangue pobre em oxigênio continua circulando pelo corpo enquanto sangue rico em oxigênio continua voltando para os pulmões, o exato oposto do modo como o sangue deve circular. Ou seja, o sangue que circulava pelo corpo não era oxigenado. Enzo tinha também uma Comunicação Interventricular (CIV), que é um “buraquinho” entre os dois ventrículos que tinha um tamanho um pouco maior e estava deixando passar uma maior quantidade de sangue oxigenado, o que manteve Enzo bem e sem os sintomas visíveis da cardiopatia. 

Geralmente (não é regra) os bebês cardiopatas, pela má oxigenação do sangue, nascem cianóticos (roxos) e precisam imediatamente de auxilio para a respiração e cuidados especiais na UTI Neonatal. Na maioria dos casos a cardiopatia é descoberta durante o pré-natal, mas no nosso caso não foi. No ultra Morfológico, quando todos os órgãos do bebê são avaliados, é que se descobre alguma má formação. Se identificado algo no coração, a mãe é encaminhada para fazer o ecocardiograma fetal e assim confirmar ou não as suspeitas.

Tive uma gestação super saudável e um bom pré natal, realizei todos os ultrassons  (inclusive 4D que nem é exigido) e nada foi visto de anormal, sempre com os batimentos excelentes e desenvolvimento perfeito. A minha saúde também estava ótima, com a pressão super bem, peso controlado e nenhuma alteração nos exames. Tudo as mil maravilhas e esperando pelo grande dia.

No dia 28/06/2014, em um sábado de jogo do Brasil na copa, Enzo chegou! As 17h10min, com 3.200kg e 49cm, de parto normal, nasceu o nosso guerreiro que logo veio para o meu colo. Chorou quase que imediatamente, teve os primeiros atendimentos ao meu lado e voltou para o meu colo de novo. Lindo, perfeito e recebeu a nota 9/10 de apgar. Ficamos um dia e meio no hospital e o pediatra de plantão o avaliou por duas vezes e estava super bem, tudo dentro da normalidade. Bebê rosadinho, choro bom, com um pouquinho de dificuldade para mamar, mas já, já ele entraria no ritmo. Fizemos o teste do coraçãozinho para ter alta e tudo ok, com saturação ótima!

Fomos para casa e nada de diferente aconteceu. Conseguimos uma consulta com um Anjo na terra chamado Dr. Macus Vinicius, pediatra e chefe da UTI-Neo do hospital que ele nasceu e apenas consulta de rotina. Logo ao examiná-lo, o Dr. Marcus ouviu um “sopro” e nos encaminhou para que fosse realizado o ecocardiograma. Nele, o diagnóstico, o desespero e a correria para a o plano de saúde autorizar transferência do Enzo para um hospital de referência em Belo Horizonte. No outro dia pela manhã, estávamos lá. Enzo foi avaliado, refez exames e marcaram a cirurgia. Quatro dias depois, lá vamos nós entregar o nosso menino nas mãos da enfermeira no Bloco Cirúrgico. Como é difícil e palavras são poucas para explicar. Cinco horas de cirurgia e enfim chega ao fim o desespero. O cirurgião nos tranqüilizou dizendo que tinha ocorrido tudo bem, sem nenhuma intercorrência, que Enzo tinha a anatomia do coração diferenciada e que as próximas 72h no CTI eram importantíssimas. Não pudemos vê-lo mais naquele dia.

E foram 12 dias de visitas ao CTI, podendo ficar lá dentro por uma hora apenas. E como era difícil querer pegá-lo no colo e não poder, querer sumir com ele de lá, mas saber que lá era o melhor lugar para ele. Mas foram 12 dias em que aprendemos a viver um dia de cada vez e uma vitória todos os dias. No dia da alta do CTI, nos ligaram. A felicidade era gigante em saber que poderíamos ficar com ele o tempo todo no quarto do hospital, que eu poderia cuidar dele e não desgrudar mais. E quando ele chegou, foi uma festa só! Oito dias no apartamento aprendendo a respirar sem ajuda do oxigênio, reaprender a mamar sem a sonda e com fisioterapia todos os dias para fortalecer o pulmãozinho. E levá-lo para casa foi mais uma felicidade, mais uma vitória vencida.

Um mês e meio depois que fomos para casa, depois de uma quantidade enorme de sorrisos, de “conversas” e de muito amor, Deus o levou. Acho que Deus entendeu que precisávamos curtir ele em casa e que ele ainda não tinha ensinado tudo que veio ao mundo para nos ensinar. Nesse tempo em casa, Enzo nos fez esquecer o medo que tivemos de perdê-lo porque a gente só lembrava da cardiopatia ou quando via a cicatriz, mais conhecida como a “marca da vitória” ou quando ele tomava os remédios. Tirando isso, quem o via nem imaginava a batalha que ele venceu.

Vencedor! De acordo com um cardiologista que me atendeu recentemente, ao contar a história ele me disse que Enzo foi um milagre de Deus por ter conseguido nascer bem e de parto normal (a indicação da cesárea é feita em quase 100% dos bebês cardiopatas para que ele não passe pelo esforço excessivo ao nascer e para ter uma equipe preparada para recebê-lo, por isso a importância do diagnóstico durante o pré-natal), por ter a anatomia do coração diferenciada e ainda sim ter vivido tão bem e feliz por todo esse tempo. Enzo foi um Milagre de Deus e um Milagre de Amor e por Amor. Deus permitiu que meu menino ficasse comigo o tempo necessário para nos ensinar a amar. E ele ensinou muito mais do que amor. Agradeço tanto a Deus pelo privilégio de ser mãe do Enzo e de ter me transformado com ele. Ele me transformou, me fez uma pessoa muito melhor, menos egoísta e me fez compreender que eu posso ajudar sempre a dor do outro, pois ela é menor que a minha, que é a maior dor do mundo. Porque nada se compara a dor de uma mãe perder um filho. Essa não é a ordem natural das coisas.  

Contar a história do meu menino me faz muito bem. Toda vez que olho para as fotos dele, vejo que apesar de tudo que ele passou, ele foi feliz e eu pude fazê-lo feliz. E ele me fez a mulher mais feliz do mundo porque ao ver aquele sorriso maravilhoso que só ele tinha, o meu mundo ficava ainda mais colorido e cheio de amor.

Enzo me realizou. Não vou ser hipócrita em dizer que não queria ele aqui, que não dói o tempo inteiro e que a maioria dos meus sonhos se foram com ele, mas não posso ser egoísta em querer ele aqui para sofrer. Antes eu sofrer, antes eu sentir toda essa dor absurda de não tê-lo, do que ele. E sei que ele está em um lugar lindo, sem dor, sem sofrimento e cheio amor e proteção por nós aqui. Sou mãe de um anjo e tenho uma ligação direta com Deus. Mesmo com a dor, só posso agradecer.

Mamães, fiquem atentas a todos os exames de ultrassonografia, perguntem, questionem tudo e se possível, façam o pedido do ecocardiograma fetal. 1 em cada 100 bebês que nascem são cardiopatas e, apesar de 1% ser uma pequena chance, não basta se cercar de todos os cuidados. O meu menino nasceu com o coração especial e me transformou em uma mãe especial.

No próximo dia 12 de junho é o dia da conscientização da Cardiopatia Congênita. Vamos espalhar informações para as gestantes e futuras mamães. Questionem os médicos, peçam exames e se informem.

Informação nunca é demais!

Beijos Juliana Soares

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  • Leidiane

    Como não se emocionar com essa história? Estou emocionada, tanto com a linda história que você teve com teu anjinho, assim como me emociona perceber tamanha tua fé em Deus! Sem dúvidas esse anjo que você pode chamar de filho, veio para te mostrar a grandiosidade do verdadeiro amor, e você aceitar e compreender a missão dele aqui junto de nós é divino! Querida Juliana, parabéns pela tua luta e coragem, que teu anjo possa acalentar sempre teu coração, e acredite que nada é em vão!!! Bjs

  • Jaqueline Sena

    Nosso Eterno Príncipe…. Te amamos pra Sempre… E que Ele ao lado de Deus, continue abençoando essa Mãezona e todos nós… Aprendemos muito com Ele, e a cada dia aprendemos muito mais… Força Ju!

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