7.fev.2014

Meus meninos {Histórias de Adoção }

Gurias, já estava com saudades dessas histórias de ADOÇÃO! E hoje compartilho a história de uma leitora, a Ariana, não tem como não se emocionar! Muito obrigada, Ariana, por contar sua história lindamente! Beijos, Angi

” Como todas as histórias infantis iniciam com Era uma vez…e termina no foram feliz para sempre! A nossa também será contada dessa forma, mas em muitas vezes o narrador passa a ser o personagem.

O sonho de ser mãe nasce com a maioria das mulheres, e o meu não seria diferente. Quando imaginava esse sonho, acreditava que seria de uma forma muito especial, porque tinha a convicção que não precisaria gerar um filho para me transformar MÃE.

Foi logo no inicio do casamento que descobrimos que esse gerar um filho seria quase impossível, mas de forma alguma isso se transformou em problema, pelo contrário, tivemos a certeza que a nossa missão seria essa, não gerar, mais acolher, receber no coração o desejo de sermos pais.

Esse desejo foi crescendo a cada dia, a partir desse momento buscamos onde poderia transformar esse desejo, sonho, em realidade. Fomos até o fórum da nossa comarca e iniciamos o processo de habilitação para adoção. A partir de então começou a parte burocrática,entrega de documentos, visitas da assistente social, exames e o curso preparatório.

Na entrevista se traça o perfil de criança que se almeja, o nosso perfil era diferente da maioria dos pais, não usamos nenhum critério de escolha, porque acredito ser um absurdo escolher seu filho,e também não deixamos decidido se seria um ou mais. Acreditava que quando nossos olhos batesse teríamos a certeza .

Tudo isso levou um ano e seis meses. Durante esse tempo a gestação emocional nos angustiava porque você quer tanto um filho que os parâmetros da justiça nos desanimava. Mas quando já estávamos cansados pela espera, foi marcado o curso preparatório, que enfim nos tornaria habilitados. E foi nesse curso que soubemos que a nossa gestação estava chegando no fim, durante três dias de curso foi debatido o perfil e a demora da justiça. E diante de tanta discussão a Dra. Juíza de Direito se manifestando, contra determinados perfis, acabou relatando que na próxima semana estaria assinando o processo de três crianças que iram para adoção. Ainda falou que os pais querem tanto, mas algumas escolhas e preferências acabam atrasando o processo.

Nesse momento ela se virou para mim e meu marido e disse: ” Estou falando dessas crianças para vocês!” Como ela já conhecia nosso perfil…

Então esse momento foi uma confusão de sentimentos, olhei para meu marido e nosso olhos falaram, minha vontade era sair dali correndo e buscar meus filhos. A ansiedade quase nos matou, não conseguia me concentrar no curso, meu coração parecia saltar,  tentava respirar para me acalmar,mas era em vão. Por minha insistência descobri o sexo do nosso trio, era uma “piazada” como falou a Assistente Social.

A ansiedade se tornou a nossa pior inimiga, viemos para casa fazendo mil planos, como seriam três. E por mais um dos parâmetros da justiça, tínhamos que esperar para conhecê-los. Insistimos muito e conseguimos o direito de conhecê-los, depois de quase um mês da anunciação. Foi determinado que não poderíamos demonstrar qualquer indicio que desejávamos adotar. Nesse meio tempo já tinha organizado o quartinho, feito decoração, enfim tudo que imaginava que pudesse agradá-los.

A partir de agora começa o conto de fadas. Como sou professora e já fui contadora de histórias, contei a história da Casa Sonolenta (Autor: Audrey Wood). Assim conheci nossos filhos Darlan de 10 anos, Urion de 7 anos e Lúcio de 1 ano e 3 meses. A vontade era dizer vamos, o Papai e mamãe vieram buscá-los.Mas não é assim, tudo teria que acontecer gradativamente, pelo bem estar deles, mesmo que a nossa ansiedade fosse enorme.

Ao mesmo tempo que estávamos super felizes, descobrimos que adotar é comprar um briga com o mundo. Muitas pessoas se achavam no direito de dar opiniões sobre a nossa decisão, muitos comentários são loucos… ” como iríamos sustentá-los, ou ainda que só iríamos nos incomodar” Pessoas próximas acabaram nos magoando e muito. Mas tínhamos a certeza eram três anjos enviados do Senhor para nossas missão.

E assim fomos nos conhecendo, levando para conhecer nossa casa família, nossa vida. Ficamos por dois meses assim, passávamos os finais de semana juntos e a semana longe. Era torturante a despedida, um período muito cruel.

Mas até que enfim saiu a guarda das crianças e minha licença maternidade, e agora a certeza da realidade. Já se passaram seis meses e o desafio só está começando.

A convivência está avançando muito bem, claro que temos alguns obstáculos, mas nenhum superou o nosso amor. Nesse momento sinto meu coração apertar ao falar deles, ao atender o chamado MÃEEEEE no meio da noite quando um teve pesadelos, dar colo quando se machuca ou embalar o outro até pegar no sono. São coisas que constrói esse amor incondicional.

Muitas vezes me pego observando o sono deles, se estão respirando. Hoje tenho a certeza que são anjos enviados, para transformar nossas vidas, mudar nossos pensamentos nos tornar menos egoísta com o mundo. Logo sairá o novo registro deles e passarão a se chamar Darlan Gabriel,Urion Rafael e Lucio Miguel, os anjos guerreiros… E não importa o tempo que perdemos do seu crescimento, importa o presente, meus filhos foram gerados no coração.

O destino nos uniu, como um bela consciência as semelhanças físicas são muitas, como não bastasse fator sanguíneo é o mesmo meu dos três. Quando preciso deixá-los para ir em algum lugar, sinto vazio enorme.Sempre que vou comprar algo, penso primeiro neles. Amor de mãe não se explica, se sente, se abraça, se beija, e é sem limites pela grandeza.

Nesse ano, assim que sair o novo registro e pretendemos realizar o batizado dos três ,porque não foram batizados. E também o nosso casamento na cerimônia religiosa (somos casamos no civil apenas), renovando nossos laços de união de oito anos juntos. E a partir de agora o destino continua escrevendo as linhas dessa história e porque não ser feliz pra sempre! ”

Ariana de Sousa Bitencourt e Alceu Marques Bitencourt

familia (1)

Para quem quiser conversar sobre ADOÇÃO pode me enviar um email, que respondo com prazer: [email protected] .

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  • Eduarda

    Que linda história prima, que Deus continue lhe abençoando com seus lindos filhos!
    Beijos.

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