25.jul.2016

Indicações de Cesárea!

Oi gurias, hoje tem mais um post da minha doula, a Janine, que é colunista do Blog e trará assuntos algumas vezes um tanto polêmicos, para refletirmos! Acredito que é importante falarmos sobre parto, cesárea e saúde da mulher e fico muito feliz de ter um espaço para isso no Blog, espero que curtam! Ah, quem quiser uma doula para chamar de sua, super indico a minha, ela atende Porto Alegre e Grande Porto Alegre, o email dela é [email protected] ! O assunto de hoje é sobre Indicações de Cesárea, lembrando que o post tem as referências bibliográficas, então foi feito com embasamento teórico, não é simplesmente da cabeça da Janine, entendo que algumas pessoas não vão concordar com tudo, mas nada mais natural do que não concordar, porém para duvidarmos, temos que ter estudos, referências… então vamos tentar refletir, porque precisamos mudar muitas coisas da saúde da pública e privada do Brasil, falando em parto e cesariana! Não somos contra cesárea, pelo contrário, é uma cirurgia que salva vidas, mas somos contra médicos que iludem as gestantes e induzem a cesárea, sem necessidade, não respeitando a vontade da gestante!

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Imagem daqui!

No Brasil, a alta incidência de cesariana é preocupante, sendo atualmente um grave problemas de saúde pública. Deve-se dar preferência à realização quando indicada, durante o trabalho de parto e, não de forma eletiva, agendada e rotineira.

Muitos afirmam que as mulheres preferem a cesárea. Isso nos faz repensar sobre o modelo obstétrico atual, onde a assistência ao parto normal é muitas vezes violenta, medicalizada e intervencionista. Os profissionais de saúde, desde o pré natal, desacreditam a mulher, fazendo-as acreditar que é um processo difícil, doloroso e sofrido. A gestante precisa saber quais são as reais indicações, conhecer os riscos maternos e fetais para que possa conversar com seu obstetra e então fazer uma escola consciente. Até mesmo compreender porque o planejado é esperado parto normal não foi possível.

Ao contrário das reais indicações, vamos listar as relativas. Estas, que geram muitas dúvidas e por serem mal esclarecidas, as mulheres são facilmente convencidas de que a decisão foi a mais segura.

DCP (desproporção cefalo-pélvica): deve ser avaliado somente no momento do trabalho de parto. Usar informações de tamanho fetal, altura materna, tamanho do pé, falta de dilatação antes do TP, não são recomendados para cesárea eletiva.

Mecônio: deve-se avaliar a qualidade do líquido após o rompimento das membranas, não pela ultrassonografia, indicar a cesárea após associar com presença de alteração da frequência cardíaca fetal.

Falta de dilatação: mito muito comum, só pode ser avaliado após início do TP, tendo várias alternativas para uma boa evolução através de assistência contínua, monitorada.

TP prolongado e bolsa rota sem início de contrações: mulheres demoram até dias para entrar em TP ativo, o cansaço materno pode ser aliviado com analgesia intraparto hospitalar, técnicas não farmacológicas de alívio da dor e conforto; no caso da bolsa rota maior que 18horas sem TP, uma indução bem indicada pode evoluir com sucesso.

Circular de cordão: o bebê não respira pelo nariz intra-útero, então não teria como se “enforcar”, 40% dos nascimentos são de bebês com 1,2 ou 3 circulares, o cordão é maleável, pode haver casos de compressão mas são raros e não são indicação de cesárea.

Sofrimento fetal: termo inexistente, sempre avaliar a frequência cardíaca fetal através da ausculta por cardiotocografia, de preferência fora do momento de contração, onde é fisiologicamente normal a sua redução.

Prematuros: a cesariana não é recomendada antes das 37 semanas, mesmo a gestante estando em TP, pois esta contribui para nascimento de fetos com desconforto respiratório e internação frequente em UTI neonatal.

Múltiplos: a cesárea é indicada apenas se o primeiro feta tenha apresentação não cefálica (o que ocorre apenas em 15 casos/1000) ou em TP prematuro com fetos de baixo peso.
Pélvicos: recomendado a realização de VCE (versão cefálica externa) com 36 semanas completas na ausência de TP, tendo 60% de sucesso. Aguardar completar 39 semanas e desencadeamento do TP  para oferecer cesariana.

Três ou mais cesarianas prévias: o risco de ruptura uterina e sangramento é menor comparada com nova intervenção cirúrgica. 70% de sucesso de partos normais.

HIV: cesárea recomendada apenas em gestantes sem tratamento, carga viral desconhecida ou alta.

Pré eclâmpsia/eclâmpsia: parto normal sempre indicado, com indução e internação hospitalar para interrupção da gravidez, avaliando maturidade fetal e saúde materna. Os distúrbios da coagulação podem complicar a pré-eclâmpsia, e o risco de sangramento é, evidentemente, muito maior na cesariana em relação ao parto normal. Se plaquetas baixas, não pode ser feita anestesia regional (raquidiana ou peridural) e, na cesariana, a anestesia terá que ser geral, com maiores riscos para o binômio mãe-bebê.

Diabetes/diabetes gestacional: cesariana reservada apenas em casos de descontrole glicêmico sem efeito ao tratamento com insulina (avaliado individualmente), macrossomia fetal e sinais de frequência cardíaca fetal não tranquilizadora. Sim, os bebês podem ter o peso estimado mais elevado, sendo necessário em alguns casos, indução e sempre, parto hospitalar assistido.

Então, quando a cesárea é realmente indicada?

PROLAPSO DE CORDÃO UMBILICAL – em ausência de dilatação completa
DESCOLAMENTO PREMATURO DA PLACENTA – fora do período expulsivo
FETO TRANSVERSO – durante o trabalho de parto, antes pode ser tentado a versão externa
RUPTURA DA vasa praevia – sangramento excessivo
HERPES GENITAL COM LESÃO ATIVA – no momento do TP

Mulheres, famílias, gestantes e pais… Devem munir-se de informação de qualidade, participar de grupos de apoio, buscar empoderamento e desmitificar a cultura do medo do parto normal. É possível parir de forma respeitosa, fisiológica, protagonizando o momento, suas escolhas.

“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer” (Michel Odent)

Beijos Janine

Referências:

Blog: http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticia

Ministério da Saúde, 2015. Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana. CONITEC. Comissão Nacional De Incorporação de Tecnologias no SUS.

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Enfermeira pela UNISINOS em 2002, especialista em Terapia Intensiva e Cardiologia, descobriu sua verdadeira vocação após o nascimento de seus dois filhos, ambos de parto normal. Apaixonada pelo universo materno infantil decidiu aliar seu conhecimento em enfermagem e abraçar sua nova função, passando a atuar como doula. Presta consultoria sobre aspectos fisiológicos da gestação, parto e pós parto com base em evidências científicas, além de utilizar técnicas de massagem Ayurveda relaxante para gestantes e puérperas e Shantala para bebês.

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