1.dez.2015

Mãe, fiquei. Me alcança o sal? Sobre a sexualidade dos adolescentes

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Sobre a sexualidade dos adolescentes!

E o temido dia chegou: seu filho está beijando na boca! Alguns pais, possivelmente, ficaram nervosos só de ler essa primeira afirmação, não é? Não os julgo, afinal, todos sabemos que a partir dai, muita coisa vai acontecer. Além disso, nessas horas, lembranças da nossa própria adolescência ressurgem das cinzas, causando arrepios.

Na verdade, quando os jovens começam a se interessar (sexualmente) por outra pessoa e buscar parceiros, naturalmente, eles já vêm passando por uma mudança corporal e emocional desde a etapa anterior. A puberdade, por si só, provoca transformações bastante significativas, não apenas nos quesitos físico e hormonal, mas também, nas relações.  Pêlos, menarca, seios, “banhos longos”, voz grave e mudanças de humor. Tudo junto e misturado, apesar de  ser preparatório para os passos seguintes, deixa muitos adultos de cabelo em pé e adolescentes apavorados. Contudo, é quando a palavra “ficar” começa a ecoar dentro de casa, que muitos pais perdem o sono.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente – o ECA – a adolecência acontece no período entre 12 e 18 anos de idade. Todavia, devido a metamorfose que a sociedade vem passando, atualmente, essa fase tem iniciado mais cedo (por volta dos dez) e terminado mais tarde (por volta dos vinte e poucos). Portando, a descoberta da sexualidade tem se dado de forma cada vez mais precoce.

Claro que o sentido da palavra “sexualidade” engloba muito mais elementos do que apenas aqueles relacionados ao ato sexual. Esse termo abrange inúmeros fatores, como identificações e a decoberta de sensações corporais, por exemplo, que estão presentes em nós, desde o início das nossas vidas. Mas, como o foco da minha escrita são besos y otras cositas mas, vamos direto ao ponto: seu filho vai transar.

Peço perdão por ser tão direta, mas eis que meu primeiro conselho é, justamente, conversar de forma aberta com os adolescentes, sem melindres. Na idade em que eles estão já não acreditam mais na cegonha. Ademais, a escola, os amigos e a internet, possivelmente já lhes garantiram algumas informações. Não se preocupe, você não causará nenhum tipo de trauma por deixar claro que entende do assunto.

Se tratando de um diálogo, é importante cuidar para não ser invasivo. Forçar a barra pode gerar constrangimento e provocar certa evitação – por parte do jovem – em contar sobre si. Além disso, é fundamental esperar que seu filho indique o melhor momento de falar sobre o tema. Por vezes, a ansiedade de alguns pais, faz com que adiantem-se comprando camisinhas, por exemplo, baseados numa expectativa pessoal e não, necessariamente, do adolescente. Não raro, os pais fantasiam sobre como, quando e quem o filho deve ser. Visto que essa imagem é ilusória, resta então, desenvolver a paciência e o desprendimento para lidar com a realidade. Muita calma nessa hora!

É legal pesquisar, indicar ou presentear com livros, filmes e palestras que abordem esse ponto, através de uma linguagem acessível a essa faixa etária. É indicado, também, que os próprios pais busquem conteúdos (e até orientação profissional) que os ajudem a compreender melhor a sexualidade dos filhos. O mundo já não é mais como antigamente. Além de questões como DSTs e gravidez (que são as maiores preocupações), uma bom esclarecimento sobre a juventude atual, pode tranquilizar muitos anseios quanto ao comportamento e a orientação sexual dos filhos.

Para encerrar, gostaria de lembrar que, apesar da nossa sociedade ter sido construída sobre uma lógica sexista, para educar é preciso rever esse conceito. É importante manter uma postura semelhante, tanto para meninos quanto para meninas. Ambos estão se descobrindo, se identificando e buscando aquilo que mais representa quem verdadeiramente são. Encontrar o que lhes dá prazer, enfrentar as primeiras decepções amorosas, perder a virgindade (que segue sendo um evento especial), apresentar o novo parceiro em casa e mais, dividir essas vivências com os pais, é desafiador. É um caminho com muitos obstáculos. Nesse percurso, muitos sentimentos serão aflorados e cabe a nós, adultos, colaborar para que, no final, fique somente aquela gostosa sensação de que valeu cada segundo.

Até logo.

Juliana Neves é psicóloga clínica (CRP 07/18462), em Porto Alegre/RS. Atende adolescentes, adultos e idosos em psicoterapia e é idealizadora da revista eletrônica de psicologia, Simples Insight. Tem um carinho especial pela adolescência e um prazer enorme em escrever e compartilhar conhecimento.

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