26.abr.2016

Masturbação Infantil

Masturbação. Muita gente conhece – intimamente – esse termo, mas nem todo mundo se sente confortável em falar sobre ele.

Ok. Tudo bem.

Realmente é uma atividade muito pessoal e que merece todo o respeito. Contudo, conversar sobre o assunto, além de acalmar a garotada, desconstruindo alguns estigmas socias, possibilita que pais e filhos esclareçam dúvidas importantes sobre algo que faz parte do desenvolvimento físico e, sobretudo, emocional, dos seres humanos.

A sexualidade, diferente do “ato sexual” é algo que está presente, desde sempre, nas pessoas. Tudo que envolve prazer tem a ver com sexualidade. Mamar, por exemplo. Entretanto, o interesse e o deleite genital começam a se desenvolver quando a criança já é maiorzinha, por volta dos 5 ou 7 anos de idade. E na adolencência, essa energia chega com tudo. Mas como meu objetivo aqui não é prolongar um papo teórico sobre as fases do desenvolvimento psicossexual, vamos direto ao assunto: tocar o próprio corpo (eróticamente falando) não só pode, como deve acontecer!

Parece óbvio? Saiba que nem sempre.

Por todo um histórico cultural, a masturbação que já foi taxada de pecado, de loucura, ou de causa de espinhas no rosto e pêlos nas mãos, ainda hoje, mostra-se um tabu. Claro que não dá para generalizar, principalmente com toda a informação e tecnologia que disponibilizamos. Mas, não é difícil encontrar alguém recriminando ou rechaçando a ação, como se fosse algo nojento e vergonhoso.

Os entendimentos variam muito de família para família, de sujeito para sujeito, bem como de valores e crenças. Há diferenças, também, quanto ao sexo. Meninas costumam sentir bem mais o peso da desaprovação.

Mas, pensando pelo viés psicológico, a masturbação tem um papel fundamental no crescimento dos jovens. A curiosidade sobre as zonas erógenas possibilita a descoberta de novas sensações e novos sentimentos, que ajudam na transição da fase criança para a fase adulta. Contribui para a maturação da personalidade.

Apalpar-se aqui ou ali, começa muito antes da adolescência, mas é no período entre 11 e 13 anos de idade que, geralmente, inicia a possibilidade do orgasmo. É um momento que provoca muita ansiedade. Por outro lado, ajuda a aceitar o orgão sexual e desperta para a necessidade de um parceiro. É uma etapa paradoxal. Ao mesmo tempo em que o menino, ou a menina, descobre-se capaz de satisfazer-se sozinho(a), percebe-se incompleto(a) e desejando um outro.

Além disso, a prática permite o descarrego de fantasias e impulsos que se acumulam nesse período. Logo, assim como inquieta, ela pode, também, tranquilizar e contribuir para organização de alguns pensamentos.

O papel dos pais (ou cuidadores) é orientar.

Enquanto criança, deve-se ensinar para que não seja feito em público, para que não se torne um hábito. Entretanto, tem que se ter o cuidado de recomendar de forma delicada e discreta, sem outras pessoas (especialmente amiguinhos) observando. Um tom muito tenso, pode gerar sentimento de culpa e acabar interferindo negativamente no saudável andamento do processo. O ideal é poder chamar a atenção do filho, ou filha, para outra atividade.

Quando mais crescidos, é fundamental poder dar espaço para a privacidade. Geralmente é quando as chaves das portas de quartos e banheiros, começam a ser usadas. “O prazer é meu e de mais ninguém”. Alguns pais incentivam comprando revistas, livros, filmes. É natural e saudável, quando não é invasivo. Novamente: discrição e suavidade na coversa. Cuidar o timing.

A masturbação só vai se tornar um problema, quando ela aparecer de forma extrema. Tanto quando de forma demasiada, tanto quando completamente ausente.

O excesso pode estar representando uma dificuldade de sair da fase infantil. Uma apreensão que pode obstruir o desenvolvimento. Um olhar mais atento para quando e onde, é indispensável. E o suporte profissional – de um psicólogo – muitas vezes, também.

A falta, por sua vez, não é diferente. Pode indicar uma incapacidade de lidar com toda a movimentação sexual (interna e externa) que se apresenta. Pode ser uma voz tirana interior, reprimindo a efusão de sentimentos. Nessas horas, um acompanhamento também se mostra bastante eficaz.

Contudo, independente da forma com que cada um vai lidar com o seu “calor”, cabe a nós, adultos, aceitar que os pequenos estão crescendo. Lembrar que já passamos por isso. Cada um com sua história e momento cultural. Mas todos com o mesmo propósito: viver os prazeres da vida.

Até Logo,

Juliana Neves é psicóloga clínica (CRP 07/18462), em Porto Alegre/RS. Atende adolescentes, adultos e idosos em psicoterapia psicanalítica e é idealizadora do espaço eletrônico de psicologia, Simples Insight.

Tem um carinho especial pela adolescência e um prazer enorme em escrever e compartilhar conhecimento.

Email: [email protected]

Telefone: 51 99620556

Site: www.simplesinsight.com

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