10.nov.2016

Mecônio no Líquido Amniótico!

Oi gurias, hoje tem mais um post da Janine, que é minha amiga/doula e colunista do Blog. O post é sobre o Mecônio no Líquido Amniótico! Ah, quem estiver procurando uma doula, super indico a Janine, ela atende Porto Alegre e Grande Porto Alegre, o email é [email protected]

Afinal, o que é o tão temido mecônio?

A partir de um determinado momento na gestação, geralmente após as 36 semanas, o feto está formado e começa a ingerir o líquido amniótico. Este processo é normal e mostra o amadurecimento do seu trato gastrintestinal. O bebê evacua e urina a cada instante na barriga. Os compostos do mecônio são os presentes no líquido amniótico (células mortas, lanugo e vérnix). Sua presença não traz problemas, apenas quando há pouca quantidade de líquido, o mecônio torna-se espesso, ocorrendo geralmente no final da gravidez e nas gestações prolongadas (>41 semanas).

A produção do líquido amniótico depende:

  • Quantidade de urina que este feto elimina;
  • Do funcionamento adequado dos seus rins;
  • Da placenta;

Fisiologicamente no final da gestação é normal a diminuição do líquido, por isso é importante manter uma adequada hidratação da gestante e controle da pressão arterial, durante toda a gravidez.

A gravidade está na aspiração do líquido amniótico com mecônio, a Síndrome de Aspiração Meconial (SAM). Quadro que ocorre em bebês com dificuldade respiratória ao nascer, provocado na maior parte das vezes por indução do parto com ocitocina, posição deitada (pressiona a artéria uterina, dificultando a oxigenação para o feto) e, nascimento por cesariana (a extração do bebê, de maneira brusca não permite que a musculatura torácica seja pressionada como no canal vaginal, dificultando o reflexo de expelir qualquer líquido de seu pulmão).

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Mas não se desesperem, nenhum bebê vai para a UTI por “engolir” mecônio ou fazer “cocô na barriga”!

O feto precisa de suporte de UTI quando “aspira” o mecônio para os pulmões. Dentro do útero, o bebê não respira pelos pulmões, pois recebe oxigênio pelo cordão umbilical. Portanto, o cuidado deve estar na vitalidade respiratória deste bebê e não na presença do mecônio.

Se a vitalidade fetal estiver preservada e o trabalho de parto com franca evolução a conduta é aguardar o parto normal.

A gestante deve ser cuidadosamente monitorada e avaliada quanto a característica do líquido. O mecônio pode ser fluído (quando há mais líquido amniótico que mecônio) ou espesso (semelhante a uma papa de ervilha). Ou seja, o mecônio em si não é o problema e sim, a quantidade de líquido amniótico.

A incidência de mecônio do líquido amniótico é de 10 – 16% em partos a termo de mulheres de gestação de risco habitual. Ser primípara e ter idade gestacional maior do que 41 semanas tem associação positiva para ocorrência de mecônio no líquido amniótico no parto. Multíparas e ter apenas partos normais em gestação pregressa, representa uma condição de fator protetor.

Concluindo…

O mecônio isoladamente, não é indicação de cesárea, mas é um achado que deve ser considerado para analisar outras formas de avaliação do bem estar fetal e pode, em determinadas circunstâncias, requerer abreviação do nascimento.

Se durante o trabalho de parto, o mecônio é fluido, o bebê apresenta boa vitalidade, boa movimentação fetal, batimentos cardíacos tranquilizadores, a mãe tem liberdade de se movimentar e se posicionar de forma a contribuir com a oxigenação fetal, é possível que se continue (com monitoramento) com o trabalho de parto.

beijos

Janine – Enfermeira e doula, faz parte do Grupo AMI, profissionais da saúde que prestam serviços especializados de acompanhamento, apoio e orientações às mulheres e suas famílias!

Referências Bibliográficas:

“Mecônio é sinal de sofrimento fetal?” – Blog Estuda Melânia, Estuda – escrito por Dra. Melânia Amorim, Ginecologista, Obstetra, PhD.

OSAVA, Ruth Hitomi et al . Fatores maternos e neonatais associados ao mecônio no líquido amniótico em um centro de parto normal. Rev. Saúde Pública,  São Paulo ,  v. 46, n. 6, p. 1023-1029,  dez.  2012 .

Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102012000600012&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  08  nov.  2016.  Epub 28-Jan-2013

 

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