29.out.2014

Meu filho tem um amigo imaginário: e agora??

amigo imaginario

Não é raro encontrarmos pais extremamente preocupados com o fato de o filho criar um amigo imaginário. É uma situação que os assusta, por muitas vezes não entenderem os motivos de a criança conversar com alguém que “não existe”, podendo associar isso a questões de várias ordens, como neurológicas e até mesmo religiosas.

Não é preciso tanta preocupação! Pode-se dizer que criar um amigo imaginário é algo comum entre aproximadamente 3 e 7 anos de idade (podendo variar). A primeira coisa que os pais devem ter em mente é que esse pode ser um meio saudável de a criança tentar lidar com as situações que ocorrem na sua vida, não estando associada a algum tipo de alucinação real ou psicose. A criança sabe que o seu amigo é fruto de sua imaginação, que não se trata de uma pessoa real.

O amigo imaginário pode servir como uma forma de a criança buscar elaborar conflitos psíquicos, podendo imaginar no “amigo” como gostaria que as coisas fossem, podendo criar, modificar e permanecer na brincadeira o quanto ela quiser. Do mesmo jeito que o adulto precisa conversar, “desabafar”, ou seja, expressar seus sentimentos através das palavras, isso também ocorre com as crianças. A diferença é que o adulto possui muito mais recursos psíquicos para poder pensar e colocar em palavras seu sofrimento. A criança, por sua vez, também expressa seus sentimentos, porém o faz através da sua capacidade de brincar e imaginar, encenando na brincadeira situações pelas quais ela pode estar passando, justamente por ainda não ter recursos psíquicos e cognitivos para falar sobre seus problemas e sobre si mesma.

Dessa forma, a capacidade de a criança usar sua imaginação e criatividade para lidar com os problemas é um indicativo de que ela possui bons recursos internos para elaborá-los. O próprio adulto muitas vezes faz uso da imaginação, criando situações em sua mente como talvez gostaria que as coisas fossem, amenizando o sofrimento que pode ocorrer na realidade. O mundo da imaginação, da fantasia, da brincadeira está muito mais vivo na criança, tornando natural para ela o uso desse mundo para tentar lidar com as situações reais. O amigo imaginário nada mais é do que uma criação da própria criança, podendo ser, portanto, uma boa maneira de lidar com situações difíceis, como algum tipo de separação dos pais, nascimento de um irmão, sentimento de solidão, luto, etc.

As crianças podem apresentar uma grande capacidade de lidar com os problemas, criando recursos como o próprio amigo imaginário. Porém, também é importante que os pais não deixem de ficar atentos a essas “novidades” que as crianças criam pois, por mais que o amigo imaginário possa ser um bom recurso, ele não deve substituir a relação da criança com os demais. Caso isso ocorra, pode ser um indicativo de que ela precise de ajuda!

Manoela Yustas Mallmann (51) 9559-2905
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação Email: [email protected], pergunte sobre o desconto para leitoras do Blog.

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