31.ago.2017

O momento certo de nascer – quem espera, espera!

Oi gurias, há algumas semanas, estávamos num happy hour de mães e começamos a falar sobre parto. Cada uma falou brevemente sobre suas experiências do nascimento dos seus filhos. A Janine, que foi minha doula e é colunista do Blog estava lá e surgiu o assunto sobre como é importante esperar a hora do bebê nascer, independente da via de parto que a mãe quer. Então hoje a Janine vai esclarecer esse assunto para as leitoras do Blog, então independente de parto normal, natural ou cesárea, tenham em mente que, se estiver tudo bem na gestação e desenvolvimento do bebê, o ideal é esperar ele estar pronto para nascer!

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Photo by Camila Cordeiro on Unsplash

Oi mamães, estudos mostram cada vez mais que o desenvolvimento infantil é dependente de fatores importantes desde a concepção, passando pelo nascimento e ocorre de maneira mais intensa até os três anos de vida da criança, incluindo a sua saúde, nutrição, o afeto e as oportunidades de aprendizagem.

Durante a gestação a expectativa para o momento da chegada do bebê é vista como um evento, mas, e quanto a considerar a maneira que esta criança vai preparar-se para o nascimento.

Como assim? A criança é quem escolhe? Sim!

A sensação de chegar nas 38 semanas causa a ansiedade de final de gravidez, que não é verdadeira, o tempo ótimo é considerado entre 39 e 41 semanas, caso você não entre em trabalho de parto antes, não há razões para impedir que o bebê cresça e amadureça no local mais indicado.

O Brasil (55%) e o Rio Grande do Sul (63%) são campeões de cesáreas eletivas, associado a isso, o grande número de nascimentos entre a 37ª e 38ª semana de gestação, levando estes bebês a internações em UTI neonatal com problemas respiratórios imediatos, aumento na mortalidade e restrições em sua qualidade de vida a médio e longo prazo. Mesmo não sendo considerados prematuros cada semana a mais de gestação, aumenta as chances de o bebê nascer saudável, permitindo ganho de peso, maturidade cerebral e pulmonar.

Salvo em situações de risco para a mãe e/ou o bebê e nas indicações absolutas (já citadas AQUI), que justifiquem a cirurgia, é necessário ressaltar a importância do trabalho de parto para a saúde deste binômio.

O trabalho de parto é o alerta de que este bebê está pronto para a vida extrauterina. De maneira espontânea, com sinais específicos, únicos e peculiares em cada parturiente. O desencadeamento do trabalho de parto, sua evolução e duração, não são garantias de um nascimento por via vaginal, mas para a criança estar passando por todo este processo irá fazer toda a diferença. Por quê?

A partir do “START”, ativado pela maturidade dos sistemas do bebê (respiratório, gastrointestinal, neuromotor, imunológico e hematológico), são liberadas substâncias, como o corticoide, hormônio que auxilia na independência no mundo externo para uma efetiva respiração e, para a mulher, a ocitocina, que vai prepará-la para a amamentação. Crianças nascidas de cesárea sem indicação apresentam um risco de desenvolvimento futuro de casos de alergias, asma, pneumonia, refluxo, prisão de ventre, infecções e doenças autoimunes na vida adulta.

Para a mulher, que espera o início do trabalho de parto, também são inúmeras as vantagens. Desde a criação do vínculo mãe/bebê, pois o cérebro processa a informação deste “trabalho” para receber o bebê em seus braços, diminuindo as chances de ocorrência de depressão pós-parto, o sangramento será em menor volume e há o rápido reestabelecimento de funções do dia-a-dia.

No nosso país, a questão cultural em relação à espera pelo nascimento via vaginal é muita forte. Muitas mulheres acreditam e confiam que, sua equipe (SUS ou privada) detém o total conhecimento e não participam das consultas de pré-natal com questionamentos e busca de informações embasadas cientificamente. O medo da dor do parto normal e relatos de experiências negativas no atendimento e presença de violência obstétrica assustam as gestantes, que acabam a escolher um método erroneamente conceituado de mais seguro.

Tenham em mente que cada mulher irá apresentar um trabalho de parto único e subjetivo. Mas, alguns pontos são essenciais ressaltar, como:

O trabalho de parto é caracterizado por contrações espontâneas e ritmadas e frequentes (pode haver os sinais de pródromos, que caracterizam dias ou horas antes onde estas contrações são mais desorganizadas), se a mulher não entrar e não ficar em TP ela não obviamente não terá dilatação (portanto se na consulta de 38, 39 semanas houver toque vaginal sem dilatação é totalmente normal pois você não está com contrações, ou seja, não está em TP), se a bolsa rompe antes do início de contrações, não há dilatação e deve-se esperar ( avaliar a possibilidade de indução), ocitocina numa mulher sem dilatação só provoca dores intensas que não fazem o colo do útero dilatar, o estado de tensão da mulher pode bloquear a dilatação e tornar-se um processo lento e doloroso (nestes casos a possibilidade de analgesia deve ser avaliada e indicada), falta de dilatação não é indicação de cesariana.

O desconhecimento sobre a indução do parto, medicamentosa ou mecânica, rouba a possibilidade destas mulheres proporcionarem aos seus bebês uma chegada mais saudável e uma experiência positiva em relação ao nascimento do seu filho. Os diagnósticos como a diabetes gestacional e pressão arterial elevada podem ser monitorados com segurança, sendo possível esperar pela idade gestacional mais indicada proporcionando o parto vaginal com seus inúmeros benefícios.

Todas as mulheres devem conhecer seus direitos e ter acesso a alternativas seguras de nascimento e atendimento, em casos de parto normal ou cesariano. A mulher munida da sua carteira de gestante, de preferência com o seu pré-natal realizado adequadamente é considerada informada e educada pela equipe de saúde, já que foi esclarecida sobre as reais necessidades e indicações de um parto cirúrgico com seus riscos e, de um parto normal com suas vantagens e segurança pra si e seu filho.

Não tenha pressa. O nascimento não é o fim, apenas o começo de uma nova vida. Desde agora e, principalmente após o parto, tenha apoio, trabalhe o físico e o psicológico e aproveite, encante-se com esta espera.

Abraços, Janine Franceschi.

Enfermeira pós-graduanda em Obstetrícia e Doula.

Referências:

Declaração da OMS sobre taxas de cesáreas – disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/161442/3/WHO_RHR_15.02_por.pdf

Diretrizes de atenção a gestante: a operação cesariana – disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/31/MINUTA-de-Portaria-SAS-Cesariana-03-03-2016.pdf

“Eu não tive dilatação” – palavra da parteira Ana Cristina Duarte – disponível em: https://www.maternidadeativa.com.br/artigo6.html

Permita-se entrar em trabalho de parto – entrevista com o médico obstetra Braulio Zorzella – disponível em: http://www.bloggraodegente.com.br/gravidez/parto-posparto/atencao-mamae-permita-se-entrar-em-trabalho-de-parto-e-muito-importante-para-saude-do-seu-bebe/

Quem espera espera – cartilha da UNICEF – disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/quem_espera_espera.pdf

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