25.fev.2016

Não é apenas um apelido carinhoso! É bullying familiar!

A essa altura do campeonato, a palavra bullying não é novidade para ninguém. De qualquer forma, para garantir, vale lembrar que o termo refere-se as diversas formas de agressão, corporais ou psicológicas, que são realizadas de maneira intensional e frequente, por algum indivíduo ou grupo de pessoas. Em ambos os casos, a prática provoca na vítima muito sofrimento, físico e/ou emocional, sendo esse último, geralmente, o mais nocivo.

Fala-se muito sobre “bullyinhg escolar”, entre colegas, crianças e adolescentes (e acredite, professores), “bullying no trabalho”, entre funcionários e chefes e “cyberbullying”, nas redes sociais. Contudo, existe um outro tipo bastante comum, mas pouco abordado, ou melhor, minimamente reconhecido no meio social: o “bullying familiar”.

Presente em muitos núcleos, esse tipo de “tortura” nem sempre recebe a atenção que merece, por permear as relações de forma sutil e pouco visível àqueles que já se habituaram com a sua dinâmica. Independente da formação, a família na qual crescemos, normalmente, representa um alicerce de segurança, de proteção e gratidão. Por esse motivo, mesmo cientes dos possíveis altos e baixos, não raro, torna-se difícil para determinados integrantes, contestar algumas atitudes. Sobretudo, quando elas provém daqueles “privilegiados” hierarquicamente. Pais, tios, avós, primos e irmãos mais velhos (ou maiores), todos podem acabar – discretamente – causando abalos na criança ou no adolescente, sem necessariamente ter a intenção ou se dar por conta disso. Claro que, infelizmente, muitas vezes, nos deparamos com situações onde há o desejo de machucar, bater e lesionar. Mas, refirome aqui aos pequenos movimentos do dia a dia como: piadinhas, adjetivos, críticas, exposições e apelidos (pejorativos ou racistas), que desqualificam o pequeno, ou o jovem, podendo causar-lhe um profundo prejuízo na autoestima e no sucesso das relações (sociais, profissionais e amorosas), presentes e futuras. Dependendo da idade, ou da estrutura emocional, aquele que sofre o bullying pode acabar internalizando as ofensas como se fossem verdades e passar a (des)construir sua vida em cima de uma base instável. Estresse, depressão, baixo redimento escolar, psicossomatização, comportamentos violentos e suicídio, são algumas das possíveis consequências desencadeadas pela recorrência dessas condutas.

“Meu burrinho”, “vai ficar para titia”, “compridinha”, “preguiçoso”, “só pensa em comer”, “dente de coelho”, “orelha de dumbo”, “pé de lancha”. “Brincadeiras inocentes” que quase sempre vêm acompanhadas da justificativa de que se trata de um “apelido carinhoso” ou “só uma maneira de falar”, “é frescura”. Mas, é aquela velha história de que “pimenta no olho do outro, é colírio”. Nós nunca saberemos como determinadas provocações vão atingir alguém, principalmente quando este encontra-se em pleno desenvolvendo psíquico. Um ser que ainda não estabeleu sua identidade e a capacidade de se defender.

A mente humana é complexa e, principalmente quando somos mais novos, frágil, vulnerável. Logo, para evitar os transtornos oriundos do bullying, a melhor saída é poder se colocar no lugar do outro e avaliar não apenas os efeitos dos nossos atos, mas o porque precisamos cometê-los. Ao invés de apontar para o filho, o sobrinho, o neto, o primo, o irmão, quem sabe poder repensar a motivação de algumas atitudes e sobre a sua repercursão. Gostaria que fosse com você? O respeito, o diálogo e a escuta são sempre os melhors aliados da família. Assim, todos se divertem.

Até logo,

Juliana Neves é psicóloga clínica (CRP 07/18462), em Porto Alegre/RS. Atende adolescentes, adultos e idosos em psicoterapia e é idealizadora da revista eletrônica de psicologia, Simples Insight. Tem um carinho especial pela adolescência e um prazer enorme em escrever e compartilhar conhecimento.  Email: [email protected] Telefone: 51 99620556 Site www.simplesinsight.com

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