21.jan.2015

Objeto Transicional: você já ouviu falar sobre ele?

objeto transicional 2Possivelmente, conhecemos alguma criança que tem ou já teve um ursinho, uma fralda ou um paninho que costuma carregar para todos os lugares que vai ou que lhe faz companhia na hora de dormir. Então, saibam que não é por acaso ou por “charme” que os pequenos tendem a apresentar tal comportamento, estamos falando sobre os objetos de transição.

O objeto transicional representa um conforto para a criança principalmente quando ela está na ausência dos pais. Este conceito foi criado a partir das observações do médico pediatra e psicanalista, Donald Winnicott e tem como definição ser um objeto, normalmente um brinquedo, que permitirá a criança “criar” uma ponte entre ela e sua mãe (ou alguém que a represente) nos momentos em que ela não está presente. É como se este objeto permitisse ao seu filho suportar a sua ausência.

Sabemos que nos primeiros meses de vida o bebê não tem a capacidade de diferenciar que ele e a mãe são pessoas distintas e independentes, mas, após um tempo, ele começará a sentir-se separado da mamãe. Aí é que entra em cena o objeto transicional, como um auxílio às separações inevitáveis e necessárias que acontecerão entre ele e sua mãe. Portanto, quando a mãe precisa se afastar gradualmente do seu filho, pois tem que voltar ao trabalho, por exemplo, a criança tendo que lidar com isso, poderá eleger um determinado objeto (cobertor, bichinho de pelúcia, paninho, etc) como se este fosse um substituto da mãe.

O que se quer dizer com isso mamães, é que o pedacinho de pano que a criança segura e cheira não é, para ela, um simples pedacinho de pano, é como se fosse uma parte da mãe e do cuidado materno que fica com a criança quando a mãe precisa se ausentar. Ou seja, trata-se de algo ao qual os pequenos se apegam e carregam para todo o lado, muitas vezes não largando nem para dormir, principalmente nos momentos de ansiedade, medo, tristeza ou insegurança.

Mas, não será todo e qualquer o brinquedo eleito para ser esse objeto especial, geralmente ele apresenta algumas características, como: ser um brinquedo macio; é cuidado com carinho; e também, deve resistir às possíveis agressões e mutilações. Este apego é tão grande que dificilmente as crianças deixam que seja lavado ou substituído por outro. Algumas escolhem, elas próprias seu objeto, ou este é apresentado pelos pais para a criança.

Sabe-se o quanto ter um objeto transicional é comum e o quanto indica o crescimento, isto é, auxiliar os pequenos a aceitar uma determinada realidade – a presença-ausência da mãe, e mesmo assim, algumas crianças podem não ter objeto transicional, pois por alguma razão não precisarão. Caso seu filho não se apegar a nada, não é preciso se preocupar, nem insistir. Isto apenas poderá ser um problema se a criança deixa de participar das atividades em grupo, com os amiguinhos ou coleguinhas para ficar só com o brinquedo. Se isso for observado, é importante descobrir por qual motivo o apego segue.

Já o desapego deste objeto tende a acontecer de forma natural. Não tem como dizer uma idade específica para que isso ocorra, mas em geral, até os 5 anos ainda é aceitável. Para cada criança o objeto transicional terá um sentido, o importante é observar como a criança lida com ele e por quanto tempo.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência  

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