8.ago.2016

Pai é PAI! – O Pai e a autoconfiança dos filhos

Foi-se o tempo em que falar de “pai”, era falar de um personagem mais distante, mais rígido e dedicado, basicamente, ao sustento financeiro da casa. Ainda bem! Claro que nesse mundão afora, existem as mais diversas configurações familiares, bem como variadas personalidades paternas que podem – ou não – se aproximar desse estereótipo mais antigo. Contudo, graças a constante transformação (e evolução) social, hoje, de uma maneira geral, podemos perceber um crescente (ou total) envolvimento do homem nas tarefas da casa e no cuidado/carinho com os filhos. É aquela coisa: não basta ser pai, tem que participar. E essa participação deve passar longe da ideia de uma simples ajuda como, não raro, é referenciada. O pai (ou figura representante), dentro das suas diferenças, é tão protagonista quanto a mãe (ou figura representante).

Independentemente de quem for assumir a “atitude paterna”, é importante ter em mente o quão FUNDAMENTAL é sua parcela na constituição da personalidade das crianças e jovens, e na conquista do sentimento de autoconfiança dos mesmos, inclusive para idade adulta. Portanto, é indispensável que tal função seja internalizada pela própria pessoa e por todos que estão envolvidos no processo de transmissão de valores. A comunicação e a sintonia entre os cuidadores, bem como a autoridade igual em ambos, é vital. Essa conexão e definição de papeis, fortalece o zelo e contribui para que os filhos se identifiquem e reconheçam-se nos pais, construindo, aos poucos, sua própria identidade. Além disso, esse funcionamento, digamos, “mais organizado”, funciona como terreno fértil para o desenvolvimento das potencialidades dos descendentes. Uma base de recursos mentais – sobretudo – que funciona como um potente amortecedor, frente às adversidades da vida.

O pai, ou aquele que lhe representa, é alguém essencial para autonomia dos filhos. Ele deve encarregar-se de evitar um prolongamento da relação de total dependência entre mãe e bebê (ou maiores). Tem que colocar-se como um “não”, como um terceiro, que ajudará na manutenção de uma distância saudável e importante para a sobrevivência emocional e criativa das novas gerações. Para que mãe e filho sejam dois, é preciso que hajam três. Auxiliar nesse processo de separação, faz do pai um referencial de força e realidade. Colabora na tolerância de angústias e ajuda na percepção de que é possível ficar só. Não no sentido de solidão, mas no sentido de independência e liberdade. 

Para tanto, é substancial que o pai busque maior intimidade consigo mesmo. Para transmitir segurança, é preciso sentir-se, ao máximo e dentro do possível, seguro. Encontrar um equilíbrio interno, faz com que possa assumir de forma mais natural a paternidade.

Pai rígido demais; pai perfeito demais; pai distante demais; pai amigo demais. São “jeitos” que se não reconhecidos e transformados, podem atravessar negativamente a educação e o convívio com os filhos. Vetar vivências importantes. Fazer com que os primogênitos sintam-se incapazes (pois temem jamais conseguir ser igual a alguém tão idealizado). Desencorajar a autonomia. E impedir de ter um modelo adulto masculino para se espelhar, ou  se encantar, e crescer.

Por fim, devo lembrar que não existe um manual de instruções para ser pai. Aliás, é impossível determinar como ser um bom pai, uma boa mãe, um bom filho, um bom ser humano. Essas são habilidades que vamos desenvolvendo à medida que nos permitimos experimentar e avaliar nossos sentimentos e comportamentos, com doses de bom senso. Perceber as consequências e os caminhos que estamos tomando. Meu objetivo aqui, foi apenas apontar alguns elementos relevantes, do ponto de vista psicológico, e convidar à reflexão. Pois, colocarmos-nos para pensar e analisar nosso próprio funcionamento, ainda é (e acredito que sempre será) um dos melhores dispositivos no cuidado com o outro.

Até logo,

 JuJuliana Neves é psicóloga (CRP 07/18462).

Atende adolescentes e adultos em psicoterapia psicanalítica, em Porto Alegre/RS.

É idealizadora do espaço eletrônico de Saúde Emocional, Simples Insight.

Tem um carinho especial pela adolescência e um prazer enorme em escrever e compartilhar conhecimento.

Email: [email protected]

51 99620556

Site: www.simplesinsight.com

 

 

 

 

 

 

 

Comente pelo Facebook

Leia mais!