30.nov.2013

Parto Brasil Afora {Carina Schnurr}

Mamis, faz duas semanas que temos posts super especias aqui no Blog, relatos de parto, pelo Brasil afora. Hoje é dia de uma leitora contar como foi seu parto, na frança! A Carina Schnurr, mamãe do Artur, que fala mais sobre sua experiência. E se você quiser postar seu parto, mande email para [email protected] e eu explico como funciona! =)

Ah, quem não leu os primeiros relatos é só clicar AQUI e AQUI, e se emocionar! Beijos, Angi

” Aqui na França, na primeira ecografia o médico já determina qual será a data do “terme”, como eles dizem, e baseado nela é que você conduz toda a gestação. Dia 25 de fevereiro era o meu “terme” (Completava 41 semanas) e estava super ansiosa para saber o que iria acontecer, já que não tinha nenhuma contração. Então telefonei para a clínica que eu tinha agendado o meu parto e marquei um horário para o início da tarde.

Uma sage-femme me recebeu – sage-femme é a/o prifissional que faz os partos e acompanhamentos da gestação. Eles estudam 2 anos de medicina e depois curso específico de sage-femme. Não são médicos, o que nós temos mais parecidos são as enfermeiras com especialidade em parto. Mas elas não tem formação, nem autorização de fazer cesariana nem episotomia, nos dois casos, o procedimento deve ser seguido por um médico – para fazer o “point”, ver se tinha contrações, dilatação e acompanhar os batimentos cardíacos do Artur.

Depois disso passei para a médica de plantão para fazer uma ecografia. Ela disse que o Artur estava bem, já em posição mas que eu poderia esperar mais uma semana. Quase fiquei louca, não podia mais esperar. Insisti com ela e então ela disse que eu poderia marcar uma indução de parto para o dia 27, e aceitei.

No dia 27 às 9 horas da manhã dei entrada na clínica. Começamos o processo de indução. A sage-femme de plantão decidiu pelo “tampão”, colocado diretamente no colo do útero. Esse tampão ficaria 24 horas. Ali sabia que a minha jornada seria longa, levei computador, livros, tricot, tudo para passar o dia…

Às 17 horas comecei a me sentir estranha, mais pesada no nível do quadril. Naquela hora pedi para que meu marido dormisse comigo na clínica. E durante a madrugada as dores aumentaram, ao contrário das contrações naturais as provocadas por medicação são mais fortes e contínuas. Já às 5 da manhã chamei a sage-femme e decidimos por aplicar a peridural.

Sinceramente, para mim essa é a invenção dos deuses! Depois de aplicada, a dor passou na hora. O mais incrível é que não perdi a sensibilidade nas minhas pernas, podia mexê-las sem problema nenhum. Depois disso, eu e o meu marido até conseguimos dormir, sabíamos que o outro dia seria longo. Eu fiquei na sala de parto e meu marido foi para o quarto. Aqui a sala de parto parece um quarto, super agradável, cama confortável, realmente, não me sentia em um hospital.

Na manhã seguinte, a sage-femme de plantão veio tirar meu tampão e colocar a ocitocina na veia. Sempre com o coraçãozinho do Artur em monitoramento. Pelas 15 horas, comecei a notar que às vezes a máquina não lia o coração dele e perguntava para sage-femme se isso era normal, ela só me dizia pra eu não me preocupar que ela estava cuidando daquilo, sempre muito gentil e serena. Mais um pouco, de uma forma muito discreta eu vi que ela rasgou o papel onde estava sendo registrado os batimentos do coração do Artur e pensei “ela vai levar para o médico”. Dito e feito, em 10 minutos o médico estava na sala de parto.

Eu já tinha 10 dedos de dilatação, mas o Artur ainda estava muito alto, não estava ainda no momento de começar a empurrar. Mas, o médico disse que era para eu começar o processo de expulsão. Aiii que nervoso, não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo, que em questão de minutos meu bebê estaria comigo! Empurrei por uns 30 minutos, sem sucesso. Foi quando o médico entrou na sala, me pediu para fazer mais uma força e disse “nós vamos te preparar para a cesariana”.

Gente, eu nunca vi tanta correria, em 5 minutos eu estava na sala de cirurgia pronta. Só lembro quando o médico disse “você tem um belo bebê”, eu só repetia “ela já saiu??” hehehehehe, foi quando a sage-femme baixou o pano e eu vi o Artur deitado na minha barriga e nesse momento ele chorou e eu chorei junto, até hoje não sei descrever o sentimento daquela hora. O meu marido só repetia “ele está bem, ele está bem”, mas eu não chorava por medo, não sei porque eu chorava. Era um misto de alegria, medo, alivio. Depois disso, ele foi para uma salinha para avaliação e o meu marido foi junto. Foi muito engraçado quando a pediatra espiou dentro da sala de parto pra me dizer que ele estava super bem e perguntar para o médico se ele tinha alguma observação para ela, ele respondeu “sim, é um bebê brasileiro”. Achei muito querido da parte dele.

Logo em seguida, já voltei para a sala de parto onde tinha feito todo o trabalho para esperar as 2 horas ver se o útero voltava para o lugar. Nesse momento o Artur já estava comigo, super tranquilo. Também estava lá minha mãe. Só uma pessoa poderia estar comigo, mas, eles abriram uma exceção para a minha mãe, que desandou a chorar quando eu fui para o bloco. As enfermeiras ficaram tão comovidas que levaram pra ela água, biscoitos e, inclusive, procuraram uma enfermeira que falava espanhol para poder ir explicando tudo que estava acontecendo.

Apesar de ter terminado em cesariana e ter tido um trabalho de parto de 30 horas, o meu parto não foi nada traumático e cansativo. Fui muito bem acompanhada, nenhum momento temi por mim ou pelo Artur. Tanto que o Artur teve nota 10/10.

Uma coisa que eu acho bem interessante aqui e que ajuda no parto normal é que o parto não acontece com o teu médico, mas sim com a sage-femme de plantão. Num primeiro momento fiquei super assustada, porque tinha a ideia do sistema como no Brasil, mas depois que entendi como acontece aqui e que todo o sistema é feito para que funcione assim eu perdi o medo. ”

DSC03054

Carina Schnurr

Comente pelo Facebook

Leia mais!