19.fev.2014

Parto Brasil Afora {Julia e Nico}

Gurias, hoje é dia de Parto Brasil Afora! E um dia especial, pois a Julia é uma amiga desde os tempos da escola, e também porque estivemos grávidas juntas, fico pensando que logo serei eu aqui contando do parto do Caetano! A Julia é uma mulher admirável, pelo seu astral, seu humor, seu jeito de lidar com as situações da vida, uma querida, e hoje compartilhou conosco do momento mais especial na vida de uma mulher, o parto! OBRIGADA Julia, por tudo, pelo relato de parto lindo, e pela força que me deste em alguns momentos que precisei! Beijos, Angi
IMG_4336491285833
“Era dia 01/02 e eu já estava com 40 semanas e 2 dias de gestação. Tinha feito um parto normal há 1 ano e 1 mês atrás, na véspera de Natal, quando ganhei minha gatinha Alice. Eu achava q sabia como seria tudo, mas se tem uma coisa q o Antônio já me ensinou de largada é que cada filho é muito diferente do outro, e isso já começa na gestação. O parto não fugiria à regra.
Eu estava apreensiva porque eu não queria ter que fazer uma cesárea porque ele não se coçou pra nascer, e meu limite era 06/02, quando fecharia 41 semanas, aí seria induzido e se não rolasse ia pra cesárea… Isso me tirava o sono. Então, na véspera do dia dela resolvi apelar: “Iemanjá, minha mãe querida, por favor, traz meu Nico amanhã, no teu dia, prometo que ele vai te encher de graças e orgulho…” Coloquei meu brinco de pedra azul pra puxar o saco “dela” e segui o dia. Ao longo do dia eu tinha sentido algumas contrações mais fortes, mas nada de muito diferente do que eu vinha sentindo nos últimos 3 meses, então não dei muita bola.
O dia foi passando e eu estava me sentindo diferente, mas não sabia se não era a vontade de estar diferente ou se eu estava de fato. A verdade é que eu estava sentindo. Fui tomar um banho porque estava muito quente, no banho senti que algo estava saindo de mim: era o tampão. Puxei ele todo e saiu inteirinho. Mandei uma mensagem pro meu obstetra amado “Perdi o tampão, acho que vamos ter festa de navegantes”. Segui com contrações isoladas, longe de uma regra ou intensidade que eu sentia no parto da Alice. Quando fui dar banho nela, ali pelas 8 da noite, virei pro meu marido e disse: “como diria Licurgo Cambará – Acho que a cousa é pra essa noite”. Cansado da expectativa e depois de duas idas frustradas ao hospital nas ultimas semanas ele me respondeu “só acredito vendo!”.
Por volta das 22 horas me deitei, olhei no relógio 22h11 e fui tomada por um sentimento muito estranho. Me virei na cama e fiquei sentada nos calcanhares com o peito apoiado numa pilha de travesseiros e respirando profundamente, meu marido estranhou e perguntou:
– O que tu ta fazendo??
Eu tb não sabia direito o que era aquilo. Assumi uma pose q nunca tinha feito antes.
-Não sei, mas sinto que preciso fazer isso… não sei te explicar mas sinto que o Nico quer ajuda pra sair… sinto que preciso ficar nessa posição.
Olhei pra ele buscando apoio sem entender de onde vinha aquela sensação… Ele me olhou estranhando e tentando entender comigo, mas logo se distraiu no programa de motos q estávamos assistindo.
Me deu uma vontade de ir aos pés. Pensei “era isso”. Fui ao banheiro e quando voltei ainda estava com a sensação, segui mais um tempo na posição e fiquei criativa: “amor.. pega minha bola de pilates pra mim”. Sentei na bola e comecei a fazer movimentos circulares. Pra frente e pra tras, de um lado pro outro e finalmente consegui sentir uma contração. Bem intensa e longa… eu podia sentir o bebê descendo. Me animei, continuei. A medida que eu ia estimulando fui tendo contrações, mas elas ainda não estavam regulares e depois de uns 40 minutos começaram a ficar mais fracas… desanimei:
– Bah amor, meus olhos estão ardendo de sono…
– Então deita e descansa, deixa que o Niquinho vai chegar a hora q for a certa pra ele, relaxa e para de provocar.
-É né… acho que to dando uma piradinha mesmo… boa noite amado.
Me deitei. estava deitada havia uns cinco minutos e senti o trancão exatamente igual a quando rompeu minha bolsa da Alice.
-Amor, posso estar pirando, mas eu acabei de sentir exatamente a mesma coisa de quando rompeu a bolsa da Alice…
-Peraí q te ajudo a ir ao banheiro…
-Não precisa, ta tranquilo, vou ali ver qual é…
E, assim como no parto da Alice, me levantei da exata mesma posição, caminhei uns 6 passos até o banheiro e quando sentei no vaso XUAAAAA, era a bolsa rompida mesmo, 23h40.
Quando virei pro meu marido ele já estava com a minha mãe ao telefone.
-Vem agora Sogra, rápido, direto!
Eu liguei pro obstetra e avisei: ” To indo pro hospital!”
Na hora fiquei meio incrédula… mesmo com a bolsa rompida. Ainda bem que já estava tudo pronto pra ir pro hospital. Fui no quarto da minha filha e falei pra ela dormindo:
– “Filha, chegou aquela hora sobre a qual nós conversamos. Papai e a mamãe vão lá no hospital buscar o maninho, tu vai te divertir como sempre na vovó e no vovô e daqui a dois dias vai nos buscar pra irmos pra casa. É o melhor presente que vou te dar na vida, te amo muito meu amor…”
E é obvio que me emocionei muito…
Nos quinze minutos que minha mãe levou pra chegar comecei a ter contrações de 3 em 3 minutos. Eles chegaram, minha mãe já chorava de emoção por não ia poder ir pro hospital. Me deu um abraço bem apertado e desejou boa hora. Meu pai me abraçou e entrou no carro junto… vamos, vamos.
No caminho minhas contrações começaram a intensificar… 1’40” era o intervalo entre as contrações quando cheguei no hospital. Fui subindo enquanto o marido fazia a internação e o pai estacionava o carro.
Apertei a campainha da maternidade:
-Pois não?
-Boa noite!! Eu to parindo!!! kkkkk – dei uma baita gargalhada, sim, porque eu fico eufórica de alegria quando tenho que parir… nem as dores me tiram o humor… quer dizer… vamos chegar lá!
Entrei pra sala de exame. 6 dedos. Eba.
Já fui encaminhada pra mesma sala onde pari minha Alicinha. Auspicioso… fiquei mais alegrinha ainda.
20140202_003609
Chamei uma enfermeira e fiz a pergunta de um milhão de dólares:
-CADE O ANESTESISTA?
-Calma, já ligamos… vou colocar um “sorinho” em ti pra ajudar…
-Nem pensar… ocitocina só depois que o anestesista chegar… senão não dá pra aguentar…
Aham… Sempre o mesmo papinho, eles são sempre os últimos a chegar na festa…
Nisso chegou meu anjo da guarda, meu querido e amado obstetra e amigo, Dr Sergio.
-Falei que íamos ter festa de navegantes
Ele deu aquele sorriso de quem ama o que faz, me examinou. 8 dedos. Ta indo rápido hein… ele concordou em não me dar a ocito antes do anestesista, amado.
Fazia mais ou menos meia hora que eu tinha chegado ali. Já perguntei de novo… e o anestesista?
Minhas contrações começaram a ficar loucamente fortes e com intervalos de 40”. Nessa hora é praticamente impossível manter o controle. Comecei a gritar de verdade. Depois meu pai me contou q escutava lá de fora… kkkkk ADORO um drama!!
Escutei uma voz desconhecida… a enfermeira Cris, uma queridona, disseque era ele, o tão esperado.
-Entra, entra… faz a tua mágica rápido antes q eu tenha um troço!
-Calma querida, ele tem q trocar a roupa – disse uma das enfermeiras.
-Ta lindo assim, pode entrar – larguei eu bem debochada… risos na sala de parto… ainda tinha um pouco do meu humor.
Ele demorou mais uns 10” que pareceu meia hora…
-Bem-vindo a festa!! pelo amor de Deus, faz a tua mágica, tá muito ruim sem anestesia…
-Calma, vamos fazer…
Veio uma contração e dei um berro bem alto pra ele ter peninha de mim e me anestesiar logo.
No parto da Alice a anestesia me proporcionou alivio instantâneo. Dessa vez melhorou um pouco, mas muito pouco, ainda tava doendo…
-Tu me deu uma amostra grátis de anestesia?? Na boa, eu não preciso sentir essa dor, porque tu quer fazer isso comigo? pode me dar mais… por favor…
-Não, calma, se eu der muito tu não vai conseguir fazer a força..
-Vou sim, juro, eu me comprometo contigo, pode acreditar, né Sergio?? sou muito comportada e esforçada, prometo que vou fazer muita força… por favor, me da mais…
-Espera um pouco mais – e saiu da sala
Virei pra enf.Cris e implorei por ajuda:
-Grita bem alto que ele te da mais…
-ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Veio uma contração e gritei muito. Os dois voltaram pra sala. O Sergio me examinou. 10 dedos.
-Sergio, to sentindo “aquela”pressão. – me referindo a pressão que dá uma vontade parecida com a de ir aos pés, mas é pra fazer força…
Ganhei mais um pouco de anestésico… que maravilha: funcionou!!!
Fiquei chapadona de alegria.
-Viu Dr… assim poderemos manter a amizade… kkkkkkk agora sim eu to pronta pra fazer força… quando quiserem podem me pedir… faço bem caprichado.
Veio uma contração e o Sergio ordenou: faz força bem embaixo… aqui na minha mão, bem longa.
Fiz… caprichada pro anestesista não reclamar. Foi um sucesso.
-Ótimo, muito bem… já to vendo um cabelo loiro… quando vier pode fazer força..
1,2,3 e já
Na hora eu só pensava que minha empregada tava certa, quando eu nem sabia que estava gravida ela veio me dizer que tinha sonhado com um gurizinho loirinho igual a mim. Eu duvidava que fosse ter um filho loiro porque meu marido é muito moreno e nossa pequena era preta igual ao pai, uma semana depois eu descobri que estava grávida e quando vi que era menino comecei a acreditar que ele poderia vir loiro…
-Força, vamos que tá quase!
Eu não acreditei!
-Sério?? – tava uma barbada… – Posso fazer sair de vez? Vou fazer uma força bem lindona agora…- virei pro anestesista – Te dedico – e nesse clima de festa e deboche fiz mais uma baita força e senti a cabeça sair… mais uma mini força e saiu o resto do corpinho.
Eu tinha combinado com meu médico que queria ficar mais tempo com ele no colinho.. recém nascido. A pediatra deixou, ele nasceu ótimo e ficou ali, agarrado na mamãe berrando lindo… era 2:15. 3900g, 54cm. Fiquei chocada com essa informação…
-E não fiz epísio, como tu queria – Completou meu obstetra amado. Rico anjo.
Deu uma laceradinha de 3 pontinhos, mas foi muito menos chato que a epísio de 8 pontos que levei no parto da Alice. Foi muito bom, todos muito felizes.
No outro dia quando o Dr Sergio foi me ver ele contou q ficou muito feliz depois do meu parto e q aconteceu uma coisa muito diferente: quando ele chegou no carro dele no estacionamento do hospital pra ir para casa quase 4 da manhã tinha uma pomba branca pousada sobre o capo e ela saiu voando, foi lindo.
Antônio, meu filho, afilhado de Iemanjá, meu Nico, bem-vindo.”
IMG_204253519696662

Comente pelo Facebook

Leia mais!