23.nov.2013

Parto Brasil Afora {Relato da leitora Thais Cunha}

Mamis, lembram que a partir de semana passada, todo os sábados, teremos post super especiais? São Relatos de Parto de mães leitoras do Blog, pelo Brasil afora!

Hoje quem conta como foi seu parto é a Thais Cunha, leitora do Blog e mãe do Matheus, que tem 47 dias, super emocionante e inspirador!  Se você quiser postar seu parto, mande email para [email protected] e eu explico como funciona! =) Beijos, Angi

” O dia anterior ao seu nascimento do meu filho, foi um dia como outro qualquer. Eu estava ativa, andei bastante, sai pra almocar com uma amiga e fui conhecer o (futuro) pediatra com meu marido. Gostamos de logo de cara, e perguntamos se ele poderia acompanhar o parto. Ele topou! Ainda durante a consulta ele deu a dica de uma concha pra seio. Saímos de lá e fomos comprar a tal concha.

Chegamos em casa, já era tarde, jantamos e fomos montar a comoda pro quarto do Matheus.  Depois tomamos banho e deitamos pra ver um filme. No meio do filme senti vontade de fazer xixi. Tive um escape antes de chegar ao banheiro. Nada demais. Quando fiz xixi vi que o tampao saiu! Corri pra contar a novidade pro seu pai. Sentimos que a hora estava chegando. Dormimos às 23:30 horas.

As 00:30 eu acordei sentindo um pouco de cólica, parecia uma cólica menstrual bem leve. Tentei dormir, mas não consegui. Por volta das 2 horas da manhã, comecei a monitorar o intervalo das contrações. Vinham a cada 7 minutos e não eram muito fortes. Meu marido ainda dormia, continuei monitorando. A intensidade das contrações foram aumentava bem rápido. Eu achava que estava na fase latente e que o trabalho de parto estava só começando. Mesmo assim acordei seu pai as 3:30 da manhã. Terminamos de arrumar a mala da maternidade.

As contrações vinham cada vez mais forte. Tive muita vontade de evacuar, então ia ao banheiro, evacuava e depois entrava no chuveiro. Fiz isso umas três vezes. A água quente ajudava a suportar as dores das contrações. Aos poucos fui entrando no meu mundo particular. Já não conseguia mais responder as perguntas do marido… Quando as contrações vinham tinha também muita náusea. Sentia que meu filho estava cada vez mais perto.

Sentia dor. Mas tinha ouvido tantos relatos de dores que achava que a minha ainda era pequena e que ia demorar até meu filho nascer. Foi quando meu marido sugeriu que fossemos para o hospital pois as contrações vinham a cada três minutos. Então avisamos a Dr. Márcia e o Dr. Jorge e fomos!

Era sexta-feira, 04 de outubro, por volta das 5:15 da manhã. Não tinha transito e chegamos rápido ao hospital. Fui recebida com uma cadeira de rodas e subimos pra ala de gestantes. Ao chegar lá, ainda na recepção, uma pessoa tentou me explicar que as salas de parto estavam cheias e que eu “teria que esperar”. Estava no intervalo dos contrações e tentei explicar que parto não se espera. Ela me olhou de cara feia. Acho que só entendeu o que eu quis dizer quando veio a próxima contração e eu assustei com meu grito as gestantes que calmamente esperavam por suas cesáreas…

Fui levada pra sala de pré parto, nesse mesmo momento a Dra. Márcia, a parteira, chegou. Ela me ajudou a tirar a roupa e colocar o avental. Me deitaram na cama pra monitar os batimentos cardíacos do bebê, e medir a dilatação. Estava com 6 cm… A dor era forte e eu ainda achava que o trabalho de parto demoraria muitas horas. Pedi anestesia e fui informada de que a anestesista chegaria em 40 minutos… Andava como podia pelo quarto. Quando chegavam as contrações me agarrava ao marido, ou a Dra. Marcia. Por incrível que pareça, as dores pareciam diminuir! Recebia massagens e me sentia muito melhor!

Já não sentia mais a necessidade da anestesia, e pouco tempo depois senti vontade de fazer força. Até pensei que queria evacuar. Perguntei se poderia… a Dra. Marcia respondeu com delicadeza: pode sim, mas primeiro deite-se na cama pra eu verificar sua dilatação. Deitei na cama com dificuldade. Ela checou e respondeu:” Dilatacao total! Você não está com vontade de ir ao banheiro. Você esta com vontade de parir!”

A anestesista chegou nessa hora. Nem preciso dizer que não fazia mais sentido, né? Tudo que eu queria naquele momento era pegar meu filho no colo. Já não sentia mais dor. Só alegria! Bastava eu fazer força! E foi o que eu fiz. Não sei quanto tempo durou. Pra mim foram pouquíssimos minutos…. Morria de medo do expulsivo. Achava que nessa hora a dor seria insuportável.

O obstetra ainda nem tinha chegado. Queriam me mudar pra sala de parto porque o obstetra plantonistas não queria fazer o parto naquela salinha. E eu “só″ queria parir. Esqueci todo o resto. Não queria sair dali. Queria ver meu filho! Queria um banquinho mas não tinha disponível. Me virei de lado na cama. Fiz força! Alguém perguntou da episiotomia, mas o obstetra explicou que não fazia episiotomia de rotina. Então fiz força de novo. E não senti nada, não doeu… nada! Lembro que tinha umas 5 pessoas olhando, e o marido narrando tudo pelo celular para o resto da família.

Foi quando saiu a cabeça, e tive vontade de chorar. Não de dor, mas de alegria. Fiz mais uma força e o Matheus nasceu, às 7:23 da manha. Sem episotomia, sem pontos, sem laceracao, sem ocitociona… Enfim, sem nenhuma intervenção. E apenas 90 minutos depois que eu cheguei ao hospital!

Ele saiu do meu ventre direto pro meu peito, quase não chorou. Abriu os olhos, e foi como se já me conhecesse. Me emocionei muito. Como ele era lindo. Amamentei ali mesmo, ainda todo sujinho. E enquanto ele mamava, aproveitava pra fazer coco em mim. Foi uma delícia. Verdadeiro, honesto, humano. Fomos protagonistas do momento mais importante das nossas vidas. Foi o parto mais bonito que eu poderia sonhar!”

thaiscunha