8.dez.2013

Parto Brasil Afora {Ana Paula Soares}

Mamis, ontem era dia de Parto Brasil afora. Hoje é dia de mais uma leitora contar como foi seu parto. A Ana Paula Soares é Rondoniense e mudou para São Paulo para casar com o homem dos sonhos, e morar em Sorocaba. A família dela é constituída pelo marido e 3 filhos {Pedro Henrique – 5 anos, Ana Clara – 2 anos e Ana Alice – 2 meses}. Muito obrigada pela sua história inspiradora!

E se você também quiser postar seu parto aqui no Blog e inspirar muitas leitoras e mães, mande email para [email protected] e eu explico como funciona! =)

Ah, quem não leu os primeiros relatos é só clicar AQUIAQUI, e AQUI , e se emocionar! Beijos, Angi

” A 3ª bebê, Ana Alice, veio de surpresa, logo na época que eu estava me preparando pra voltar a estudar. Eu vinha de dois partos traumáticos. Um normal {cheio de intervenções e violências} e uma cesárea {cheia de violência obstétrica}. Eu estava apavorada pois não queria passar por nenhuma das duas experiências novamente.

A médica que me acompanhava no pré-natal era ótima, me identifiquei muito com ela, ela disse que tentaríamos o PN e caso não evoluísse, faríamos a cesárea. Estava tudo muito vago pra mim, o que estava me deixando mais apreensiva do que o normal.

Foi então que contratei uma doula que me tranquilizou demais, pra qual eu corria quando tinha alguma dúvida ou insegurança. Conversando, ela me contou sobre o lindo trabalho que o Drº Bráulio Zorzella estava fazendo na Santa Casa de Sorocaba e logo corri pra saber se meu plano de saúde cobria a maternidade. Por um equívoco meu, achei que cobriria.. então fiquei tranquila. Minha filha então “só” precisaria nascer no dia do plantão do Drº e tudo ficaria bem.. ela chegaria ao mundo de forma respeitosa.

A minha bolsa rompeu na terça, dia 17 de Setembro (eba! era dia do Drº na maternidade), ás 00: 30. Tentei dormir, tomar café normalmente e descansar pq sabia que o parto seria cansativo. A tarde, fomos pra Santa Casa, sendo informados lá que nosso plano não era aceito. E agora?

Queríamos um médico humanizado, queríamos que nossa filha viesse pelas mãos do Drº Bráulio pois não conhecíamos outro que atendesse “respeitosamente” e tão naturalmente. Foi então que decidimos que eu internaria pelo SUS, mesmo tendo um excelente plano de saúde que cobriria outras maternidades da cidade. Poderíamos ter ido pra outra maternidade, na qual a médica que me acompanhou durante a gestação é plantonista. Mas optamos por nos internarmos na Santa Casa mesmo, pelo SUS, pra sermos atendidas pelo Drº humanizado.

Fui internada às 15:00 horas, e desde o início do atendimento, fui tranquilizada pelo Drº, que conversou, me escutou, tirou minhas dúvidas, pegou meu plano de parto e viu o que nós realmente queríamos. Ele prometeu que teríamos o parto natural e humanizado que desejávamos!

A todo momento o Drº vinha e nos ver e tranquilizar. Mesmo com muitas horas de contrações ritmadas e dolorosas, a dilatação estava “estacionada”, o que me fez pensar que não seria capaz de conseguir meu VBAC(parto vaginal pós cesárea)! Durante a madrugada as contrações “apertaram” tanto que eu achei não aguentar mais.. foi então que ele me recomendou (nunca ordenou nada, como muitos médicos fazem) que eu tomasse um banho morno pra relaxar e diminuir as dores.

Fui… e aí meu trabalho de parto evoluiu muito. Quando aceitei ser examinada, já podiam ver a cabecinha “do presentinho da mamãe”.

E nossa filha nasceu!!! Infelizmente meu esposo não conseguiu chegar a tempo pra ver o nascimento da nossa caçulinha, mas acredito que foi perfeito da forma que foi. Foi um momento meu e dela, eu a dei colinho, eu corte o cordão após ele parar de pulsar e ela mal chorou, só deu quase um miadinho. Sem ocitocina sintética, sem episio, com o mínimo de exames de toque, sem gritos.. Deus preparou todo o ambiente pra gente. Pouca luz, sem barulhos, sozinhas no pré-parto, numa troca de plantão fazendo com que menos pessoas “curiosas” presenciassem, pari na posição que eu me senti melhor.

Alice nasceu às 7:24 do dia 18 de Setembro, com 3.010 kg, 46 cm e veio pros meus braços de forma respeitosíssima pelas mãos do melhor médico do mundo que pedia licença pra tocar em mim, que não fez procedimento desnecessário, que me respeitou em todos os momentos, que me fez esquecer que estava internada pelo SUS (o que convenhamos, gera medo, muito medo!), que em momento algum me permitiu “sentir largada” pelo obstetra, que dizia durante o lento TP(trabalho de parto): “Ana, você quer saber com quantos centímetros está?” “Ana, posso fazer um toque pra vermos como estamos?”. E que durante o expulsivo disse: “Ana, fique tranquila. Vamos fazer a Ana Alice vir ao mundo? Ela já quer nascer! Veja que não tenho nada cortante nas mãos, só estou de luvas e só vou te ajudar”. Foram palavras IMPAGÁVEIS, excelente pessoa e profissional!

Tivemos apenas um imprevisto, tive retenção placentária. Por isso precisei ir pro centro cirúrgico pra fazer uma curetagem. Mas eu não mudaria nada, foi perfeito do jeitinho que foi. Só tenho a agradecer a Deus, ao meu esposo Daniel, a nossa doula linda Carla Arruda, ao Drº Bráulio Zorzella, ao meu irmão Paulo que veio de Rondônia pra me ajudar com as crianças, ao meu irmão Pablo, que só não veio por compromissos de trabalho, e aos meus pais, Dolores e Moisés, pelo apoio de sempre mesmo a mais de 3 mil km de distância:isso sim, é amor!!

Acredito que todas as mulheres, independente da sua situação financeira, tem o DIREITO de parir de forma tranquila e respeitosa como eu tive!
Mulher, guerreira, não permita que lhe roubem o momento mais importante da tua vida, não permita que seu filho venha ao mundo já sentindo tanto desconforto! Seja protagonista do teu parto…

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Ana Paula Soares