14.out.2015

“Pede para a mamãe”: sobre a importância dos pais manterem a concordância na educação dos filhos

pede para mamae

Imagem daqui

A mãe só permite doces aos finais de semana, o pai chega do trabalho com balas em plena terça-feira; o pai não vê a hora de o filho lhe acompanhar no futebol, a mãe acha que ainda é cedo. Exemplos como esses ilustram as variadas divergências que, normalmente, acontecem na maneira como cada pai educa seu filho , costumando ser motivo de conflito entre os pais.

Não que seja preciso concordar com tudo o tempo todo, até porque, além de ser praticamente impossível, as pessoas têm mesmo opiniões diferentes, mas o que se pretende enfatizar é a importância de os pais manterem em comum determinados acordos na hora de educarem as crianças, evitando assim conflitos entre si e confusão para elas. Claro, sabemos que não é fácil e haverá situações em que chegar a um acordo comum parecerá um milagre, porém se na maioria das vezes pai e mãe compartilharem da mesma ideia, o filho será beneficiado. É como um trabalho em equipe mesmo e isso é válido também para quem ajuda na educação das crianças, de forma mais contínua (avós, dindos, babá, etc). A ideia é que os valores, os ensinamentos, os “nãos” sejam, em sua maior parte, cumpridos por aqueles que convivem e participam da rotina dos pequenos de forma mais ativa, com isso, ajudamos as crianças a saberem o que esperar quando não se comportam bem, por exemplo.

 Pode ser difícil no dia-a-dia manter essas combinações, mas elas são possíveis. Mesmo sendo comum assumir papéis ao longo de nossa vida, poder se dar conta, nesse caso, de que de repente um dos pais é o mais flexível e o outro é o mais rígido é de grande importância, já que a criança está aprendendo quem é, o que pode e o que não pode fazer, quando pode fazer “tal” coisa, e tais atitudes podem confundi-lá. Além da confusão na cabeça da criança, quando as discordâncias prevalecem, acabam prejudicando a autoridade dos pais, perante os filhos. Imaginemos aqui, se uma pessoa sempre nos diz sim e a outra não, quem vamos respeitar? Talvez, não saberíamos. Mas, saberíamos a quem pedir, se caso quiséssemos, tomar sorvete antes do almoço, certo? Ou seja, além da confusão para a criança, cria-se uma tensão no casal e um “espaço” no qual a criança faz uso para conseguir o que quer, seja ficar no computador até mais tarde, tomar banho de piscina em dia frio, não ir a aula… E assim, por diante.

A questão então é a possibilidade de os pais permanecerem “de mãos dadas”, do mesmo lado na educação dos filhos e não como rivais, em lados opostos, pois se mantendo unidos ao passarem seus valores e limites, os filhos irão começar a entender que as regras existem para serem cumpridas e não burladas. Nada que algumas conversas entre o casal não ajude. Conversar sobre a educação, o que concordam e o que discordam e encontrar aquilo que é aceitável para os dois, definindo, em comum acordo, as regras da casa (de um modo geral, mesmo se os pais forem separados) ainda segue sendo uma boa solução para evitar os desapontamentos com esse tema.

Ou seja, expor nossas ideias, escutar as do outro e propor acordos é uma maneira sensata de os pais estarem unidos no que se refere a educação dos filhos. É, não tem muitas fórmulas prontas, cada casal funciona de um jeito, mas esses são alguns detalhes que fazem a diferença na hora de educar as crianças, tanto para elas, quanto para o casal.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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