2.abr.2015

Precisamos falar mais sobre o AUTISMO!

02 de Abril é o dia Mundial de Conscientização do Autismo! Oportunidade perfeita para que se abram espaços que propiciem de fato tal conscientização. Afinal de contas, o que é o Autismo? Você sabe? Muitas pessoas escutam o termo – e até o utilizam – sem compreendê-lo verdadeiramente. Com isso se propagam ideias erronêas e até mesmo preconceituosas a respeito de um tema tão delicado. A Dra. Fernanda já falou sobre o tema hoje aqui no Blog, quem quiser ler clique AQUI.

O Autismo é muito discutido entre profissionais e pesquisadores na área da saúde, que muitas vezes divergem a respeito de sua origem. O consenso que existe é na sua conceitualização, que compreende-o como um transtorno global do desenvolvimento marcado por duas características principais: dificuldade de se comunicar e interagir socialmente e um padrão de comportamento repetitivo e restritivo. Podem haver alterações no desenvolvimento da linguagem, mas não é uma característica geral do autismo. Muitos desenvolvem a fala, mas podem apresentar dificuldade de compreender e desenvolver uma conversa, com discurso repetitivo, muitas vezes incapazes de compreenderem ironias e metáforas.

O Autismo é mais comum em meninos e apresenta seus sinais antes dos 3 anos de idade. Infelizmente os pais acabam buscando ajuda quando a criança já tem cerca de 5 anos, pois dificilmente os sinais são detectados precocemente. Os sintomas variam consideravelmente, desde quadros de autismo associados a um sério comprometimento social e cognitivo, sem desenvolvimento da fala, com comportamentos repetitivos e estereotipados, até casos mais leves como a Síndrome de Asperger, na qual geralmente não há grandes dificuldades na fala, existe interação social, mesmo que pouca, e são muito comuns casos nos quais o sujeito tem uma inteligência acima da média.

Atualmente a última versão do DSM-V (Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais muito utilizado por psiquiatras e psicólogos) engloba os Transtornos Globais do Desenvolvimento dentro do Espectro do Autismo. Independente de qual for o nível de comprometimento da criança o importante é pensar que quanto mais cedo os sinais forem detectados, melhor será o prognóstico. Talvez o ponto mais delicado para os pais seja admitir a condição do filho, o que sem dúvida é um processo muito difícil. Muitas vezes os sinais são evidentes como: dificuldade de inteagir com os demais, não manter contato visual, atrasos no desenvolvimento (principalmente na fala), movimentos repetitivos e estereotipados (com comportamentos auto-agressivos), dificuldade de sair da rotina estabelecida e preocupação com partes de objetos, preferindo brincar com eles a interagir com pessoas.

Por mais evidente que possa ser, quem conhece ou tem algum familiar com o diagnóstico de Autismo sabe o quanto isso pode trazer conflitos para a família em questão. Sem dúvida é um quadro que exige muito cuidado, paciência e atenção dos pais, frequentemente deixando-os exaustos, deprimidos e frustrados. Além de toda a demanda existente no núcleo familiar, os pais muitas vezes também têm que enfrentar o julgamento e preconceito dos demais. Por muito tempo se propagou a ideia de que o autismo era causado por fatores ambientais, como se fosse o resultado de uma estrutura familiar frágil e problemática. Muitos se referiam às mães de crianças com diagnóstico de autismo como “mães geladeiras”, devido a sua suposta frieza emocional. Hoje ainda existem divergências quanto a origem do autismo. Existem correntes que acreditam na origem psicogênica e outras que estudam e se focam na origem genética. O mais adequado parece ser pensar em múltiplas causas, ou seja, em uma espécie de “combinação” de fatores genéticos, psicológicos e biológicos.

Pode parecer pouco, mas na prática traz uma mudança muito significativa, pois contribui para que se desfaça a falsa crença de que autismo seja culpa dos pais. Quando isso fica claro para os próprios pais e pessoas a sua volta, eles conseguem lidar muito melhor com o diagnóstico, além de aderirem melhor ao tratamento dos filhos. A diminuição da culpa abre espaço para que os pais possam compreender melhor seus filhos, conseguindo ter mais empatia com a criança, deixando de vê-la como uma pessoa “estranha” e sim como alguém com limitações físicas, cognitivas e emocionais, que precisa de apoio e compreensão. Tendo um espaço de acolhimento e orientação os pais podem melhorar, e muito, a vida de seu filho com alguma forma grave de autismo, levando-o para tratamento, decobrindo maneiras que facilitam diálogo e interação, além de saber (e evitar) o que pode lhe deixar desorganizado, dessa forma respeitando-o e melhorando sua qualidade de vida.

 Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

Comente pelo Facebook

Leia mais!