28.nov.2014

Público x Privado

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A diferença entre o público e o privado é uma questão geralmente polêmica: como saber o que pertence a cada “espaço”? Esse sempre foi um ponto importante no desenvolvimento de crianças e adolescentes, que vão, primeiramente, a partir do ambiente familiar, diferenciando o que faz parte do público e o que faz parte do privado, do seu íntimo.

Aquela história de que “tudo começa em casa” é a mais pura verdade! É a partir do convívio com pais, irmãos e outros familiares que as crianças vão aprendendo a diferenciar o que acontece “dentro de casa” e o que acontece fora dela. Dessa forma, as atitudes e comportamentos delas têm uma relação direta com o que lhes é passado dentro de casa.

Após ter um filho, algumas situações na vida do casal passam por mudanças significativas. Os hábitos já adquiridos não precisam modificar totalmente, mas precisam se adaptar em função dos filhos, pois à medida em que eles crescem emocionalmente e fisciamente, começam a apresentar muitos questionamentos. Uma simples troca de roupa na frente deles, por exemplo, começa a gerar muitas dúvidas, uma vez que, em torno dos 2 anos a criança começa a perceber as diferenças entre o corpo dela e de sua mãe, além de começar a se dar conta da diferença entre homens e mulheres.

Muitos pais acabam ficando em dúvida se devem trocar de roupa na frente dos filhos. Quem pode responder essa pergunta são eles mesmos, pois a resposta está em como eles encaram essa situação. Se na família isso é visto de maneira natural, não precisa ser um hábito abolido dentro de casa. Porém, os pais também devem se preparar para responder as dúvidas da criança – sempre à medida em que elas aparecem, pois não há necessidade de encher a criança de informações que ela ainda não está preparada para receber. Independente dos hábitos dentro de casa, o essencial é que a criança seja respeitada no seu espaço, na sua individualidade, aprendendo a diferença entre o que faz parte do público e do privado.

Hoje em dia as crianças aprendem tantas coisas, e de forma tão rápida, que muitas vezes seus pais esquecem da sua real idade. Com isso, ficam expostas “ao mundo dos adultos” muito cedo, o que pode até mesmo, dependendo da situação, ser algo traumático para elas. As crianças pequenas ainda não têm a cognição como a de um adulto. Com isso, elas interpretam os fatos de forma muito distinta. Seu pensamento é muito diferente, pois têm a imaginação muito mais “aguçada” e fazem uso dela de uma forma muito rica. Se elas são expostas a muitos estímulos que fazem parte da intimidade dos adultos, isso se torna algo muito complexo, pois ela tem que lidar com conteúdos que seu psiquismo ainda não dá conta. Por isso é preciso que os pais tenham cuidado com o excesso de exposição da criança, que pode se transformar em um excesso para o seu psiquismo. Não é proibido que fiquem nus na frente dos filhos, mas eles precisam ficar atentos se essa situação parece comoda para a criança, e caso percebam que não é, devem buscar respeitar seu espaço, pois é natural que também apresentem vergonha.

A inserção da criança no “mundo real”, ou seja, na sociedade, terá uma influência muito grande de como se deu a construção de seu espaço e de sua individualidade, primeiramente dentro de casa. Ela terá maior facilidade de respeitar os demais quando tiver recebido o cuidado, respeito e proteção necessário dos pais.

 Quanto mais a criança for escutada e respeitada, mais ela irá conseguir fazer isso com os demais. Para isso é muito importante que ela tenha seu espaço, mesmo que não exista um quarto só para ela. Mais do que um espaço físico, se trata também do respeito a sua individualidade, sua intimidade. 

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

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