20.ago.2014

Quando dizer não para seu filho

Dizer não para os filhos não é tarefa nada fácil. Ainda mais em dias como os de hoje, nos quais o tempo é cada vez mais limitado! Depois de um dia inteiro de trabalho, chegar em casa e passar as poucas horas que se tem com eles “brigando” ou “punindo” é algo evitado e que gera muita culpa.

Porém, vivenciar esses momentos difíceis com os filhos, nos quais o não e o limite se fazem necessários, são de extrema importância na vida da criança. São esses momentos que as preparam para receber os “nãos” fora de casa. O limite é um ponto saudável e estruturante do desenvolvimento infantil, até mesmo porque prepara o seu filho para lidar melhor com as frustrações que a vida irá lhe impor.

Ok, sabemos que é importante dizer não, mas quando se deve fazê-lo??? Perguntas como “quanto de castigo dou para meu filho”, “estou deixando ele (a) fazer tudo?”, “estou fazendo o certo?” são recorrentes e muitas vezes deixam os pais sem saber como agir. Não se tem uma fórmula ou resposta única, pois o que será proibido ou não também depende diretamente dos valores de cada família, assim como das combinações que serão feitas com os filhos.

As crianças não têm capacidade cognitiva para discernir claramente o que é certo e o que é errado, já que isso se desenvolve ao longo tempo. Além do mais, quando ela já consegue fazer isso, é comum que testem os limites que lhe estão sendo impostos. Sendo assim, cabe ao adulto ser coerente e manter as combinações e regras estipuladas com seus filhos.

A criança ainda quando pequena, costuma fazer o que lhe vem à mente: quer o que vê nas lojas e nos supermercados, imita o que os outros fazem, tem muita curiosidade, o que acaba gerando uma necessidade de tocar, desmontar, reconstruir, mexer nos objetos que estão ao seu alcance, mas isso não necessariamente é ruim – o que acontece é que pode ser visto pelos pais ou pelas pessoas como uma atitude “bagunceira” por parte da criança.

Mas, temos que saber que atividades como esta fazem parte da forma como ela entra em contato com o mundo a sua volta e é importante que ela o explore, pois só assim irá conhecê-lo e poder desenvolver de forma mais satisfatória também a sua criatividade. Para isso é muito interessante que as crianças tenham a possibilidade de brincar com objetos que permitam tal exploração. São alguns exemplos massinhas de modelar, material gráfico, folhas de ofício e brinquedos que estimulem o potencial criativo da criança.

O não vale (e muito!!!) também para a rotina das crianças: que horas ir para cama, quanto tempo ficar na frente do computador ou televisão, o horário das refeições, etc, são momentos nos quais o limite deve ser construído diariamente com a criança. Para que isso ocorra de forma tranquila, tanto para a criança quanto para os pais, é fundamental que as combinações feitas permaneçam mantidas. Inclusive as exceções, pois estas também fazem parte das regras. Os filhos tendem a testar os pais, justamente porque estão no processo de aprender o que podem ou não fazer. Portanto os pais devem ficar atentos às tentativas de burlar as regras e, caso isso ocorra, deve ser conversado de forma que a criança entenda o sentido do não.

Para que os limites sejam introjetados pela criança do melhor forma possível, estes devem ser dados com afeto, carinho e segurança. Dizer “não” não é a mesma coisa que ser rígido ou autoritário. Muito pelo contrário, seu filho se sentirá seguro ao saber que não se pode fazer tudo o que quer, entendo isso como uma atitude de proteção dos pais.

Então, mamães (e papais), quando seus filhos chorarem e ficarem chateados, não se sintam malvados ou ruins, pois os momentos difíceis fazem parte e exigem muita paciência! Quando a brabeza passar, eles entenderão que junto com o não também está sendo transmitido o cuidado e afeto que é preciso para se desenvolver com saúde e segurança!

 

 

Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência em formação

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

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