20.mar.2015

Quanto mais se grita, menos se escuta!

não grite com os filhos

Independente do tipo de família a qual uma criança pertence, uma coisa é certa: seus pais (ou representantes deles) são a primeira e mais importante referência na sua vida. As experiências que ela vive no ambiente familiar é que vão contribuir para os primeiros aprendizados, que estão diretamente relacionados com o exemplo transmitido pelos pais.

A maneira que uma criança irá se desenvolver e se relacionar com os demais vai depender, sem dúvida, da personalidade dela, mas também, sofrer uma grande influência do jeito que ela é tratada pelos pais e familiares próximos. Os pequenos ainda conhecem pouco do mundo real e de como ele funciona. Se uma criança cresce em uma família na qual os pais gritam com ela o tempo todo, ela vai aprender, quase que por uma dedução lógica, que é assim que o mundo funciona e, mais do que isso, sem capacidade ainda para questionar, pode interpretar esses comportamentos como naturais. A partir daí se cria um cenário perfeito para que ela internalize a ideia de que é preciso gritar para ser escutada.

O grito parece, aparentemente, funcionar de forma rápida e eficaz. Essa sensação acontece porque a criança geralmente para de fazer o que causou a irritação de sua mãe ou de seu pai. O que parece estar resolvido, na verdade abre portas para que a criança se sinta humilhada e fique assustada, acabando com a possibilidade de que ela realmente aprenda e reflita sobre o que aconteceu.

Ela acaba obedecendo por medo e não por respeito pelas figuras paternas. Assustada e insegura, a criança pode viver essa situação de uma forma traumática. Sem saber como lidar com isso, pois se tornou um excesso para o seu psiquismo, ela acaba repetindo esse comportamento com os demais, pois ela entende que é dessa forma que se consegue ser escutado, o que pode comprometer seriamente sua capacidade de se relacionar no futuro.

Além do medo, a criança também fica muito confusa, pois após o grito geralmente vem a culpa dos pais por ter gritado, o que faz com que eles queiram reparar o mal que fizeram à criança. Então, além de sentir medo, o pequeno, ao ver o pai ou a mãe triste e arrependido, muitas vezes se responsabiliza por causar essa reação nos adultos, mesmo sem entender muito bem o que se passou. A longo prazo, pode sentir-se inseguro e instável.

Já o diálogo é sempre o melhor caminho, mas dá trabalho, exige paciência e maturidade emocional dos pais. Os adultos muitas vezes subestimam as crianças, achando que não adianta conversar porque elas não têm capacidade de compreender o que eles querem dizer. Porém, se as situações forem nomeadas e explicadas para ela, aos poucos ela vai compreendendo a mensagem que os pais querem passar, respeitando-os e de fato escutando o que eles querem dizer. Fica muito mais fácil para a criança se desenvolver bem tendo confiança e segurança nos pais e não sentindo-se perdida, sem saber qual será a reação deles. Assim ela poderá compreender e aceitar as diferenças, respeitando o outro e seus limites! Ela passa a respeitar não por medo e sim por ter entendido que aquilo é errado ou que não é o momento de fazê-lo, tendo capacidade de tolerar a frustração daquele momento, tendo, assim, muito mais chances de se tornar um adulto seguro, construindo relações positivas e saudáveis no futuro!

 Manoela Yustas Mallmann

Psicóloga Clínica

CRP 07/20863

Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

Contato: (51) 9559-2905

e-mail: [email protected]

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