5.set.2014

Rotina dos filhos pós-separação!

Queridas leitoras, seguidoras e amigas da minha irmã, e minhas agora também!

Depois das incríveis mensagens que recebi pelo post “Sim! Existe Vida após a Separação”, resolvi voltar a este cantinho delicioso para continuarmos o assunto.

Agradeço muito pelo retorno, pelo carinho, pelos pedidos de “quero mais”.

E hoje vou falar um pouquinho sobre a situação dos nossos pequenos na vida após a separação do casal!

Lembrando uma coisa importante: não tenho e nem ofereço nenhum embasamento jurídico, muito menos psicológico e/ou pedagógico ao falar deste assunto. Minha intenção não é esta, absolutamente, mas sim falar da parte bem prática da situação através do que eu vivenciei.

 Rotina dos filhos pós-separação! A importância, a dificuldade de se estabelecer e os maravilhosos frutos que podemos colher.

A vida de uma criança no período que sucede a separação dos pais pode ser um completo caos. Ou não. Tudo vai depender da maneira como o rompimento do casal é conduzido e da rotina que se estabelece para a criança a partir daí.

Vivenciei esta complicadíssima fase intensamente, e venho aqui compartilhar com vocês porque, chegando a um momento novamente estável da minha vida, acredito que tive sucesso e hoje colho bons frutos.

A primeira coisa que posso afirmar com segurança é: tudo depende de você, MULHER E MÃE.

Sim, tudo deu certo porque EU agi de determinadas maneiras, porque EU busquei, EU insisti, EU agüentei momentos terríveis, EU engoli muitos sapos, tudo pelo bem estar do meu filhote. Se não fosse a maneira pela qual EU conduzi as coisas, certamente teríamos tido mais problemas.

Explico contando a minha historia:

Quando me separei, meu ex marido foi morar, inicialmente com a mãe. E nas primeiras semanas, naturalmente, estávamos os dois meio pirados, confusos, abalados pelo baque do rompimento (independente dos motivos e culpas, ambos ficam abalados, isso é fato né?).

Eu, morta de dor e de raiva, disfarcei tudo que eu pude sobre a situação para que meu filho percebesse o mínimo possível. Ele nunca me viu chorando, nem reclamando, nem jogada numa cama apesar de ser esta a minha vontade muitas vezes, nem xingando até a quinta geração do ex, nem definhando em 8 kg em dois meses. #soudessasquequandotatristenãocome #menos8kgemdoismeses #nãofoidetodoruimné? #brincadeirinha

Não mudei um milímetro da rotina dele (escolinha, horários de dormir e brincar, alimentação), exceto pelos dias em que ele estava com o pai. Era aí que começava o meu problema.

O pai, cheio de culpas, medos e saudades, não abria mão de ver o guri praticamente todos os dias, e leva-lo pra dormir com ele dia sim dia não. Imagina a função. No começo era mochilinha pra cá e pra lá, até que o pai conseguiu montar um guarda roupa pra ele na casa da vó. Também mandei brinquedos, quadros, almofadas, naninhas e objetos familiares para que o pequeno não estranhasse tanto o novo quarto.

Embora meu filho gostasse de ficar com o pai e também comigo, em casa, ainda não tinha caído bem a ficha sobre a separação pra ele nesta época, E EU FICAVA COMPLETAMENTE LOUCA COM A FALTA DE ROTINA NA VIDA DELE..

Um dos motivos das brigas com meu ex era justamente o meu perfil “general” – como ele falava – com os assuntos do Caio. Rotina pra mim sempre foi fundamental. Adoro. Sou daquelas que usa agenda, que planeja os meses, os fiins de semana com antecedência, faço cardápios, cumpro horários a risca. Me organizo melhor assim, vivo melhor assim. E o Caio sempre foi tranqüilo, educado, ajustado em função desta rotina, desde bebê. A Rotina dá segurança e confiança pra criança, e na minha opinião, é fundamental no desenvolvimento deles.

Meu ex é o contrario. Não tinha horários, não conseguia se planejar, estava sempre correndo e sempre atrasado, sempre esquecendo das coisas. Mal conseguia cumprir as combinações malucas que ele mesmo propunha.

Pois bem, aqueles meses foram de rotina zero e muitos sapos engolidos por mim. Minha aflição aumentava a medida que o ano novo se aproximava e o Caio ia mudar de colégio. Ia sair da creche/escolinha para fazer o Jardim A em um colégio grande, de 1º e 2º grau, que ele está até hoje.

Com esta super mudança na vidinha do meu pequeno, mais do que nunca se faria necessária uma rotina estabelecida e cumprida, para que ele sofresse o mínimo possível com a mudança de escola, de profe, de amiguinhos, de horários… mas meu ex não concordava em montarmos uma rotina mais rígida, porque sabia que acabaria ficando menos com o filhote.

Então resolvi buscar ajuda de uma psicóloga infantil, sobre a qual eu havia recebido as melhores referencias. A procurei e expliquei toda a situação, e ela passou a atender não só o Caio, para ajudá-lo a elaborar as mudanças na vidinha dele e também trabalhar “luto” pela separação dos pais, como também fez consultas comigo e com o pai dele, nos orientando, salientando a importância da rotina e do cumprimento das combinações, e fazendo a gente assumir um compromisso conjunto para com os assuntos do Caio. E foi uma santa ajuda!!!!!!

De um jeito imparcial, e com muita segurança, ela montou, junto conosco, a divisão dos dias que Caio ficaria com cada um, as responsabilidades (escolares e médicas, por exemplo), nos orientou na conduta de disciplina e educação, para que os ambos falássemos sempre “a mesma língua” e tivéssemos uma rotina parecida com ele nas duas casas, dentro do possível de cada um, claro. (mais um exemplo: colocá-lo para dormir sempre na mesma hora).

Evidente que as coisas não aconteceram como um passe de mágica.

Amarguei vários deslizes e escapadas das combinações, e a pior parte: por um bom tempo Caio gostava mais de ficar na casa do pai do que na minha. Nem preciso dizer o quanto isso me doía né? Por muitas e muitas vezes tive que segurar o choro enquanto meu próprio filho chorava porque não queria voltar pra minha casa, não queria largar o pai pra ficar comigo nos dias que “eram meus”. Isso porque a casa do pai era infinitamente mais divertida, mais “livre”, mais flexível em todos os aspectos e sem horários para nada….

Foi um período muito difícil, mas me mantive forte nas minhas convicções e com a ajuda da psicóloga e de muitas conversas mais, as coisas foram se ajeitando, e o próprio Caio foi entendendo, se acostumando e gostando da tão citada rotina. Ao mesmo tempo em que o meu ex foi se esforçando para cumprir as combinações, eu também fui ficando mais flexível, menos estressada. Todos saímos ganhando.

Sempre expliquei que pai e mãe amam igual, mas cuidam dos filhos de jeitos diferentes: enquanto o pai brinca mais, joga bola e vídeo game, a mãe cuida mais das roupas, de comidinhas, de fazer temas, de botar pra dormir… Como resultado disso, Caio agora aproveita o melhor das duas casas e o melhor que o pai e a mãe tem a oferecer pra ele! E é de uma esperteza só!

Importante: estou abordando só o lado prático da historia, do que foi meu dia a dia após a separação. Sei que em muitos casos, as coisas tem que ser resolvidas judicialmente, ou o pai é totalmente ausente em todos os aspectos, enfim, acontece muito. Eu só gostaria de frisar que se você conseguiu entrar em um acordo financeiro, e se o pai está disposto a estar minimamente presente na vida da criança, ACEITE, PERMITA. Releve as mágoas, apague a raiva, engula o orgulho nem que seja só nos momentos de tratar da vida e dos assuntos do seu filho. #exinguetudoquequiserquandoestiversozinha

Seu ex talvez não seja o melhor pai do mundo (e se estão separados ele já não é o melhor companheiro pra você), MAS É O PAI QUE O SEU FILHO TEM, e privá-lo desta convivência – ainda que seja pouca, que seja atrapalhada, que não seja a melhor – é tirar dele o direito a um tempo que não voltará nunca mais.

Confesso que era só nisso que eu pensava. Logo que separei, DECIDI agir assim única e simplesmente pelo bem do meu filho, e com isso consegui que ele crescesse seguro, se sentindo amado e amparado sempre.

De quebra, hoje ele tem um pai muito melhor do que tinha quando éramos casados. O pai pega junto, arca com as responsabilidades, dá a dura necessária e o importante: muito muito amor.

Como ex casal que somos, conseguimos achar um jeito bastante civilizado de criar e educar nosso filho. Nos falamos direto e sempre, sobre todos e quaisquer assuntos referentes ao Caio. Ele é a nossa prioridade sempre.

E por fim (nossa…olha o tamanho que ficou este post!!!), queria dar um sacode nas mulherada!!!!

Sabem que no começo, quando o Caio ia para a casa do pai dormir durante a semana, ou pior, passar o fim de semana, EU MORRIA PRO MUNDO nestes dias. Sério, ficava perdida como uma cachorro, não achava o que fazer, não achava graça nas coisas, e o tempo demorava horrores pra passar. Mesmo tendo namorado, depois marido e casa nova, mesmo tendo uma cachorrinha fofa pra chamar de filha, eu passava sentindo como se estivesse faltando uma parte de mim (e faltava mesmo né?).

Demorou pra eu me libertar desta sensação, mas aos poucos fui descobrindo como aproveitar o meu tempo nestes momentos e…. fui gostando!!!! No começo aproveitava pra arrumar um armário, ler um livro, bem quietinha em casa. Depois comecei a ir no salão nestes dias, ou caminhar. Agora já planejo e abano as tranças faceira por aí, fazendo programas que não podemos fazer quando estamos com crianças, tipo cinema, café com as amigas, restaurante, até uma baladinha com marido, além de passar os dias estudando e fazendo trabalhos pra nova faculdade que resolvi fazer, depois de quase 15 anos formada…

Aproveitem meninas!!! Este tempinho sem filhos também pode ser ótimos pra nós, pra nossa auto estima, pro nosso lado mulher! Sem culpas bobas, ok? E nem preciso dizer que quando Caio volta pra casa eu estou cheia de saudades, paciência, disposição e acabo sendo uma mãe ainda melhor!

Um beijo grande pra vocês! Muitas felicidades sempre!

Natal Luz 010

Desirée

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