22.ago.2014

Sim!!! Existe VIDA depois da separação! Existe AMOR depois da separação!

Gurias.

Sou irmã da Ângela. A irmã mais velha.

Hoje vim escrever sobre SEPARAÇÃO. Aliás, sobre o que acontece ou pode acontecer depois de uma separação.

A Ângela me pediu pra escrever sobre este assunto, pois muitas leitoras pediram, sugeriram, seja porque estão passando por esta situação, seja porque estão pensando em se separar, seja porque ainda estão machucadas e fragilizadas, buscando umas palavrinhas amigas.

Apesar de ser um assunto muitissimo delicado e pessoal, e eu não ter nenhuma formação “profissional” para falar disso, vim fazer um relato. Vim contar a minha história, ainda que resumidamente, na esperança de, como uma amiga, dar um colo e dizer que sim… EXISTE VIDA APÓS A SEPARAÇÃO!

Vou começar do começo. Do que foi o meu começo.

Bom, minha historia começou quando eu tinha 15 anos. Conheci meu ex marido, que tinha 16, namoramos por 8 anos, moramos juntos por 1 ano, estudamos, nos formamos, depois compramos um apto próprio e casamos! Os dois sempre trabalhando muito, uma parceria muito afinada.

Após 14 anos juntos (entre namoro e casamento), e tendo superado muitos tratamentos para engravidar (eu tenho Endometriose grau IV e tive que fazer FIV, mas aí é outro assunto para comentar…), tivemos nosso tão sonhado e esperado bebê.

SIM, EU TAMBÉM SOU MÃE DE GURI!!!!!

Uma gravidez perfeita, dos sonhos. Um filho lindo, extremamente saudável e bonzinho. Eu, uma mãe realizada, tranqüila e bem resolvida, apesar de todo o “perrengue” que são os primeiros meses com um recém nascido em casa. Meu ex ajudava em casa e com o bebê, mas claro que a maior parte das funções sempre fica com a mulher. #essapartevcssabembem #somudamdeendereço.

Mas ainda assim tudo bem, com muitas dificuldades financeiras, os dois trabalhando (voltei a trabalhar quando meu filho tinha 8 meses), e íamos levando nossa vidinha.

Eu não sei dizer exatamente quando a crise começou – até hoje acho que na verdade só tivemos uma única e derradeira crise – mas acho que foi quando meu filhote tinha uns 2 anos e meio, e meu ex foi trabalhar, durante a semana, em outra cidade. Nesta fase acho que começamos a perder a sintonia… Depois de 8 meses neste esquema, meu ex voltou para nossa cidade, e achei que a nossa vida ia voltar ao normal.

Mas me enganei. Ao mesmo tempo em que achava que ia ser um recomeço pra nós, eu já estava me acostumando (e quase gostando…) de ter a casa só pra mim, do meu jeito, os meus horários junto com meu filho, a rotina (super pesada) que adaptei pra nós 2, enfim.

Confesso que eu estava virada numa mulher meio ligada no automático, ultra atarefada, emocional adormecido, só pensando em filho e rotina de filho, sem paciência, sem graça, pavio curto, e cansada nem sei do que. Eu sabia que alguma coisa não estava legal, mas não identificava (ou não queria ver…) o que era.

A partir da volta do ex marido pra casa, foram só alguns meses até nos separarmos definitivamente. Claro que não foi tão simples assim. Primeiro ele foi pra casa da mãe dele e combinamos (idéia dele!!) de fazer terapia de casal para tentarmos resgatar o que tinha se perdido pelo caminho. Mas já era tarde. Já tinha acabado. Ele inclusive já estava com outra.

Foi alguma coisa perto da morte, eu confesso. Era a materialização exata da expressão “coração partido”.

Quando realmente “caiu a ficha”, a dor que eu sentia era tão grande que parecia que me rasgava por dentro. Era uma dor que praticamente me anestesiava pois nem chorar eu conseguia. Parecia que não era comigo.

Eu não conseguia acreditar que 18 anos depois de uma união perfeita, não existia mais nada além daquela EU ali sozinha, com o coração em carne viva, e com um filho pra criar.

Independente de quem foi a “culpa”, se houve traição ou traídos ou de quem tomou a decisão por romper definitivamente e ir embora, a dor é avassaladora.

Sei que não foi do dia pra noite que tudo acabou, e volto a dizer que não sei em que momento nos perdemos, mas naquele momento era como se o mundo tivesse ruído aos meus pés, e eu estivesse no vácuo.

Me aproveitei da correria do dia a dia, das tarefas com casa e filho, do trabalho e da academia (neste momento voltei pra academia) para me distrair e, aos poucos, ir botando os pés no chão e organizando os pensamentos. Foram algumas semanas até eu sair “do escuro” e ter certeza que eu estava viva. Claro que eu não tinha superado nada, mas pelo menos voltei a respirar.

Quem já passou por isso sabe que esta ferida não tem cura. Ela deixa de doer, muitas vezes é relevada, adormecida, praticamente esquecida, mas ela sempre existirá.

Mas a vida segue e o mundo dá voltas, gurias.

Nada mais clichê que dizer que o tempo se encarregará de ajeitar as coisas, mas é exatamente isso: O TEMPO SE ENCARREGA DE ACALMAR OS CORAÇÕES, AMENIZAR A DOR E TRANSFORMA-LA, inclusive.

Se uma separação provoca um estrago terrível nas nossas vidas, ela também traz boas oportunidades de recomeçar.

Em primeiro lugar, e a fase mais difícil, é a aceitação. Difícil porque não se trata da separação de um casal, somente, mas do fracasso de um projeto, de um grande plano que o casal construiu junto, de uma idéia de eternidade que surgiu, que buscamos e nos prometemos.

Eu me perguntava o tempo todo “Como ele pode abrir mão de TUDO? Como pôde esquecer TUDO? Este TUDO é justamente o projeto, a idealização da nossa vida, que tínhamos junto daquela pessoa. É um verdadeiro período de luto, percebendo a sonhada eternidade, agora ruída.

UMA PAUSA: Cabe salientar, apesar de que não vou me deter – hoje – neste aspecto, que quando se tem filhos tudo fica mais difícil, é claro. Mas no meu caso, nós preservamos o nosso filho o máximo que pudemos, e nos aconselhamos muito sobre a melhor forma de conduzir e explicar a situação pra ele. Graças a Deus meu ex marido sempre foi bom pai, e hoje, separados, ele é ainda melhor como pai do que quando estávamos juntos… Podemos voltar a comentar este aspecto em outra oportunidade.

Voltando ao nosso assunto, junto com o período de luto e aceitação, ainda passamos por um momento de revolta. Como não???

Eu mesma, confesso: muitas vezes pensei “ E agora, meu Deus!! Eu com 34 anos, não mais uma guriazinha, e com um filho de 3 anos pra criar…Quem vai me querer???”

Em geral, fica a impressão de que só o ex é feliz. Um homem divorciado volta a ser solteiro, é um homem livre e desimpedido em todos os aspectos. Normalmente logo aparece com novos amigos, novos hobbies, freqüenta lugares dos quais você nem imagina que ele gostava. E o que sobra pra mulher separada?? Se reorganizar na rotina, dar conta dos filhos e inclusive da parte emocional deles além da sua própria, fazer milagres com as finanças até que tudo se resolva oficialmente (ou judicialmente) e por fim convencer um novo pretendente de que as crianças vão junto com o pacote que você tem a oferecer….

Esse é um raciocínio precipitado, elaborado com um pezinho no ciúme e outro na dor. Mas é fato. Eu não conseguia pensar diferente no inicio.

Mas a vida não pára, e como falei antes, o tempo vai acertando as coisas, e a reconquista da felicidade depende de alguns rearranjos.

Sei que para quem está passando maus bocados com o fim de um casamento, certamente não é fácil pôr o foco no futuro. É quase impossível projetarmos o futuro enquanto ainda nos sentimos “meia” pessoa.

Sair da solidão do divórcio requer empenho. Quem deseja encontrar um parceiro deve se dispor, se permitir, se abrir. Como disse o educador Paulo Freire, num artigo de revista que li na época (e eu lia todos os tipos de auto ajuda relacionados ao assunto!!!) , “A mulher deve esperançar.” O verbo – analisa ele – é o oposto de esperar. “Seu significado é ir atrás, buscar. Lembre-se de que você rompeu um casamento e sobreviveu. Se compreender que não se morre disso, estará quase pronta para dar o primeiro passo.”

E tenha certeza que você vai estar muito mais esperta, atenta e segura do que é bom pra você. No erro e no fracasso de uma relação, aprendemos algumas lições, e passamos a ter a idéia do que fazer para acertar na próxima tentativa.

Ao se ver sozinha, faça um exercício. Tente se lembrar de quem você era antes de casar, das coisas que gostava, dos programas que fazia, dos seus antigos hobbies, coisas que foram se perdendo pelo caminho.

Tenha certeza que coisas boas vão acontecer, que pessoas legais vão entrar na sua vida e que você não só merece mas como vai ter a oportunidade de começar de novo e ser muito feliz.

E quando menos você esperar, aquele friozinho na barriga um dia vai surgir…

E você vai sorrir sem perceber, quando seu coração sorrir por dentro. E você vai se dar conta que perdeu o controle sobre os pensamentos, e voltará a ter comportamentos típicos de uma adolescente.

E aí, minha amiga…. você estará se vendo apaixonada novamente… E voltar a sentir as “borboletas no estômago” é uma sensação que não tem preço!

Foi isso que senti quando conheci meu segundo e atual marido.

Deus foi generoso comigo e me mandou um anjo pouco tempo depois que me separei.

Eu ainda estava juntando os cacos quando ele surgiu, também divorciado e com uma filha de 17 anos, e contrariando todas as minhas teorias e perspectivas do que seria a minha vida após o divorcio, disse que procurava uma mulher exatamente da minha idade, do meu jeito, já realizada com a maternidade (traduzindo: ele não queria uma menininha louca pra engravidar…), e com disposição pra curtir a vida a dois.

Por um tempo eu custei a acreditar que as coisas tinham realmente se resolvido. Eu fazia quase um boicote contra mim mesmo, pode???

Mas arrisquei, acreditei, dei mais uma chance pro amor e principalmente pra mim.

Estamos casados ha 2 anos e meio e muito felizes. Enfrentamos os mesmos perrengues de qualquer casal, mas com a vantagem da maturidade e isso traz uma segurança incrível.

Tenho certeza que sou uma pessoa muito melhor hoje, depois deste “tapa” que levei da vida. Melhor em todos os aspectos: como esposa, como mãe, como mulher.

Tem uma prima da nossa mãe que tem como lema de vida “Eu prefiro ser feliz do que ter razão”, e eu passei a adorar esta frase.

Pra terminar, gurias, reproduzi aqui uma dicas que tirei de um dos livros que li na época.

São dicas bem “clichês”, mas que em determinados momentos precisamos ler, ouvir, pensar e remoer, até interiorizá-las e aplicá-las.

No livro DAS SEPARAÇÕES AO AMOR, o psicanalista LUIZ ALBERTO PY orienta como começar de novo:

1) Demora, mas a dor passa. Nessa fase, não se apresse em substituir o ex. As novas possibilidades ficam sujeitas às comparações. O fantasma do antigo cria uma sombra sobre o futuro.

2) Você tem certeza de que não merece o que está vivendo. Ninguém merece. Mas quase todas as pessoas levam um fora. Para não piorar a situação, rejeite o papel de vítima e evite mendigar.

3) Aceite a realidade, mesmo que a tarefa seja penosa como sobreviver a um naufrágio. É natural passar por estágios de negação, revolta, ódio e depressão até chegar à aceitação.

4) Perdoe. O perdão dissipa a raiva e os sentimentos negativos e deixa o coração mais leve.

5) Humildade é importante. A dor aumenta quando você se deixa guiar pela vaidade. Acreditar que está sendo vista como uma fracassada retarda a superação dos problemas. Livre-se do orgulho.

6) Preserve o amor dentro de você. Não deixe que a tristeza e a amargura apaguem o que viveu. Cultive a gratidão pelos bons momentos.

7) Faça a eutanásia da paixão. Uma história que se tornou inviável precisa ser eliminada. Retire, dia após dia, a importância que deu à pessoa a quem admirou. Esse terreno será fértil.

8) Antes de tomar qualquer atitude, pense nos seus filhos. Eles também sofrem, estão juntos nessa empreitada e merecem prioridade. Nunca pense que utilizando seus filhos vai punir o ex e vai faze-lo voltar. Isso prejudicará única e exclusivamente as crianças.

9) Enterre os mortos, feche os portos e cuide dos vivos.” Foi o que determinou o Marquês de Pombal, em 1755, depois de um terremoto em Lisboa. Quando estiver no olho do furacão, lembre-se do marquês. Sepultar os mortos é parar de deplorar a tragédia e de se recriminar por ela. Fechar os portos sugere impedir que novos problemas apareçam enquanto você cura as feridas; é manter o foco na reconstrução. Cuidar dos vivos quer dizer tomar conta do presente, ter cautela com o que sobrou, valorizar o que há de bom em sua vida

Foi um prazer ter estado neste cantinho que eu tanto amo e acompanho!

Felicidades pra vocês todas!!!

Super beijo

Desirée

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