17.abr.2012

Sobre as mães que habitam (ou não) em mim

maesuper

Eu falei inúmeras vezes da mãe que sempre sonhei em ser. Uma mãe que cuida do filho, da casa, do marido e dela, claro. Uma mãe que faz biscoitos, bolos, pães caseiros, e suco de fruta do quintal. Aquela mãe que dá conta de tudo, com 1 ou 4 filhos ela se vira, vive com um sorriso no rosto e de alto astral. A mãe sarada que volta a sua forma em 6 meses, ok tem mulher que volta antes, mas isso eu nunca pensei que seria possível.

A mãe que eu gostaria de ser antes do Antônio nascer não existe. Um tipo de mãe extinta, um tipo de mãe que nunca existiu, somente em filmes hollywoodianos românticos que fogem a realidade. Aquelas mães que pensávamos que nossas mães eram, mas que hoje sabemos que não existem. Até conheço algumas mães que fazem de tudo, dão seu jeito, mas tuuuudo e sozinhas não existe. Duvido.

A mãe que eu gostaria de ser depois que o guri nasceu é uma “mãelabarista”, mãe real, que consegue equilibrar e vive em harmonia com os outros e consigo mesmo. Sente culpas, não consegue emagrecer, compra mais para o filho do que para si, chora de emoção e de alegria do nada, dá risada de si mesma, faz bolo no final de semana. Mãe normal, sabem? Que é super segura de suas escolhas, não se abala. Sabe que não dá conta de tudo, mas é feliz assim. Isso mesmo, queria uma vida normal, onde cada um cuida da sua vida normal. Seria tão bom…vida simples, vivida em paz.

Porém as coisas não são assim, e nem sempre cada um cuida da sua vidinha. Aí é que a gente esquece do que queremos e começamos a pensar em como agradar os outros, sejam eles parentes, amigos, vizinhos…ou mesmo a sociedade, que espera que sejamos ótimas mães e ótimas filhas, ótimas esposas, e ótimas amigas, ótimas donas de casa e ótimas profissionais. Já fui muito de falar que estou nem aí para o que os outros pensam, mas sempre que alguém dá uma opinião sem ser questionada eu ainda me abalo, as vezes fico triste, pois penso que estou fazendo o melhor para nossa família, na nossa realidade, e aí vem aquela pulguinha…e a gente sente cada vez mais culpa, por não ser aquela mãe que os outros querem que sejamos. E nos cobramos cada vez mais, daí queremos fazer tudo, mas como somos normais, não damos conta e sentimos mais culpas…é ou não é?

Se a gente trabalha fora nos questionam com quem vamos deixar nossos bebês e ainda falam que é um absurdo deixarmos com babás ou na escolinha. Se a gente opta por ser mãe em tempo integral e nos dedicarmos 200% a casa, e esquecermos completamente de nós mesmas o pessoal cobra que vamos largar nossa formação, e que não podemos ficar fora do mercado de trabalho.

Eu ainda não entendi por que sempre tem alguém para falar da nossa vida, alguém me explica?

Cadê essa mãe que todos cobram, acho que elas estão na cidade dos Jetsons, lembram? Onde a mãe cuida de dois filhos, da casa, do marido, de tudo. Ops, com uma ajudinha de um robô, porque mãe real que faça tudo nem no Incrível Mundo de Bobby…

Agora vamos falar a verdade, a mãe que eu sou. Ainda não achei equilíbrio nenhum, mas estou chegando lá, posso sentir. Sinto culpa sim, mas tento me livrar delas antes que elas tomem conta de mim. Amo ser mãe em tempo integral, mas descobri que AMO ter meu espaço, amo ter tempo para mim, amo me sentir útil, e ter reconhecimento , o que quase não tenho.

Não é exagero, nem quero me fazer de coitadinha. Eu sabia que ter filho longe da minha mãe seria abdicar de algumas regalias, podendo contar com ela para irmos ao cinema, ou um café. ou sair com amigas.
Sempre que tenho que deixá-lo com alguém (tia,dinda,sogra) parece que estou implorando por ter um tempinho para mim, mesmo que eu sei que elas adoram curtir o Tonico. Sem contar quando você pede para alguém ficar com o filho, por ter um compromisso,e a pessoa diz que não pode ficar. Aí é LINDO DE SE VIVER! Daí que a gente não pede nunca mais…rs

Não sei como não ser repetitiva ao falar que sou a melhor mãe que posso ser, eu sei. Mas é que é bem isso, me esforço muito, nem sempre é natural, as vezes dá vontade de gritar para o mundo que preciso de um tempo para mim, e não me vem com 5 minutinhos!

Estou longe da mãe perfeita, mas cada vez mais perto do meu equilíbrio, aquilo que funciona com a gente, que nos faz bem, sem querer agradar aos outros, sem querer ser a melhor, mas ser FELIZ!

E é isso que desejo a todas as mães nas suas escolhas, muitas escolhas que teremos na vida, FELICIDADE!
E com vocês, que tipo de mãe vocês são?

Beijos, Angi

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