30.maio.2012

Sobre bonecas e meninos …

Sempre quis ter uma filha menina, para brincar de bonecas, de casinha, mas também para jogar basquete, subir em árvores, nadar no lago, brincar de carrinhos. Cresci ouvindo que tal brincadeira era de meninas, e a outra de menino. Se queria jogar basquete minha mãe dizia que era coisa de menino, eu questionava por que, e a resposta era porque basquete é violento, e menina não pode ralar o joelho, pois ficaria feio quando eu usasse saia. Coisas do tempo da minha mãe, que provavelmente escutou da mãe dela, que escutou da mãe dela…mas hoje em dia alguma mãe pensar assim…não entendo!
Os filhos aprendem desde pequeno o que é certo e errado, e é nossa responsabilidade, como pais, educarmos para serem bons cidadãos.
Quais são os valores que queremos passar para nossos filhos?
Pensem sobre como gostariam que seus filhos fossem quando adultos?
As crianças aprendem os esteriótipos de gêneros  dos pais, adultos, televisão, internet, religião, brinquedos, roupas, e livros. E nós temos a responsabilidade de ensinar a igualdade dos sexos, que todos podem ser o que quiserem ser, sem distinção por ser menino, ou menina.
Cresci querendo fazer diferente com meus filhos, deixá-los fazerem o que quiserem, serem quem quiserem ser. Eu gosto que Antônio brinque, que brinque como o que quiser. Nunca comprei uma boneca para ele, mas ele brincou algumas vezes com amiguinhos na pracinha, e nunca proibi, pelo contrário, conversava com ele e explicava que o bebê gosta de carinho. Há um tempo atrás eu ganhei em um sorteio da Tutti Tati Kids, uma boneca que vem com um sling. Achei a boneca super fofa, e adorei que vem com sling, afinal usei muito com Antônio, então imaginei que ele fosse gostar. Quando chegou o Antônio adorou, me surpreendeu a maneira dele cuidar da bebê, põe para dormir, faz carinho, dá abraço. Eu acho lindo, porque já está treinando para ser o irmão mais velho(daqui uns anos), e tenho certeza que essa brincadeira estimulará a vontade de cuidar, ajudar a mãe a trocar a fralda, e amar o(a) irmãozinho(a), ter mais compaixão.
Meu marido cozinha com frequência , na casa dele o pai sempre cozinhou, isso influenciou para que ele sempre achasse natural cozinhar também, que não é tarefa exclusiva da mulher. E o guri já me ajuda na hora do almoço, me alcança as verduras, experimenta o arroz, mexe a panela comigo. Quando vamos na pracinha, se tem crianças brincando de panelinha ele adora e faz muitas comidinhas. Acredito que será um bom cozinheiro, já está tomando o gosto em cozinhar seus bolinhos de areia.
As mulheres por sua vez cobram dos maridos ajuda nas tarefas domésticas, só que esses homens muitas vezes foram criados com essa diferenciação nas brincadeiras, e acham que tarefas de casa é coisa de mulher, pois durante anos a mãe dele repetia que brincar de casinha é coisa de menina. Não é mesmo?
Tudo é questão de nos liberarmos de certos preconceitos impostos pela sociedade, que meninas brincam de casinha, comidinha para serem ótimas mães e donas de casa, e meninos brincam de carrinho para serem ótimos motoristas, pilotos. Devemos tratar com naturalidade um homem cozinha, uma mulher que dirige, assim  nosso filho vai ver que é uma coisa perfeitamente normal.
Até as Barbie’s já mudaram bastante, antigamente era a Barbie, o Ken e as filhas e a casinha da Barbie. Agora existe a Barbie veterinária, médica, professora, etc. As mulheres não querem somente ser mães e donas de casa, elas querem trabalhar, ter independência profissional, reconhecimento, e hoje em dia muita gente não respeita mulheres em cargos “masculinos” como por exemplo, motorista de ônibus, taxista, e piloto de avião. Até virou notícia há pouco tempo, isso tem que mudar.
Meninos podem brincar de bonecas e gostar de dançar certamente seu filho se tornará mais carinhoso, sua filha pode jogar bola e terá mais coordenação motora, agilidade e confiança.
Embora queremos que nossos filhos sejam livres para se expressar como quiserem, temos o dever de protegê-los da reação das pessoas na sociedade que vivemos. Um menino usando um tênis rosa pode ser provocado na escola, uma menina com cabelo super curto pode ser rejeitada pelos amigos, o ideal é achar um equilíbrio, porém não é fácil!
Devemos ensinar aos nossos filhos que é bom expressar suas emoções, que não há problemas em gostar de flores, panelinhas, brincar de bonecas, que a violência não é aceitável, e que nem tudo acaba em lutinhas.
As meninas precisam entender que nem tudo na vida gira em torno da espera do príncipe encantado, que carros são legais, que você pode jogar bola e não tem problema em ser forte e inteligente.
Eu não me importo com preconceitos impostos pela sociedade, quando vejo Antônio com muita naturalidade embalando a boneca para nanar, vejo lampejos de um bebê consciente se tornando um guri carinhoso e sensível que um dia será o irmão mais carinhoso, maravilhoso e amoroso que se possa imaginar…e futuramente um ótimo pai!
E vocês acham que existem brincadeiras de meninos e meninas?
Seus filhos brincam com todos os brinquedos, ou vocês não gostam que eles brinquem com algum tipo de brinquedo por achar que não é de menino, ou de menina?

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