18.ago.2015

Sobre a Terceirização dos Filhos

Na atual sociedade o tempo passou a ter muito valor! Conseguir ter tempo, esperar o tempo certo e não ter tempo para tudo que se quer fazer são expressões escutadas bastante comuns. Sendo assim, as famílias sofreram com as consequências deste novo tempo e vivem em rotinas tão aceleradas que, não raro, transferir algumas responsabilidades virou um hábito.

Mas, e quando esse hábito se refere à educação infantil? Será que é uma boa ideia? Muitos pais atualmente estão transferindo para terceiros a tarefa de cuidar! Concordo que talvez, o termo terceirizar seja um pouco forte, porém, é o que estamos vendo acontecer, os filhos são deixados sob os cuidados de outras pessoas, que não os pais, cada vez mais seguido e por motivos variados. E concordo também, que criar filhos não é tarefa fácil, exige empenho, paciência, tempo e amor. Muito amor. E sim, precisa-se da ajuda de muita gente! Por isso mesmo, é preciso pensar nesse tipo de conduta, para que saibamos que essa terceirização pode acarretar consequências psicológicas para as crianças.

Quando contamos com o auxilio de muitas pessoas para ajudar a criar os filhos, corre-se o risco de delegar essa função e acabar perdendo a chance de cuidar dos próprios filhos e perde-se também, o fundamental desta relação, a conexão pais-filho. Já sabemos que pai e mãe menos presentes na rotina dos filhos, não indica necessariamente, que a qualidade da relação seja inferior, mas para a criação e educação, a quantidade de horas passadas com os pequenos, costuma influenciar. Então, é chegada a hora de voltar a trabalhar! E agora, o que se faz com o(s) filho(s)?

Quando essa pergunta fizer parte da sua rotina, ou seja, quando pai e mãe voltam ao trabalho, a questão sobre a educação dos filhos tende a ser pensada de uma forma mais ampla, pois se considera como agentes da educação todas aquelas pessoas que vivem com a criança, tais como avós, tios e os grupos de convivência. E é nessa fase que algumas crianças vão para os berçários, creches e algumas convivem com as babás. Algum problema nisso? NENHUM! Só que é necessária a compreensão que a creche e/ou a babá não irá substituir o papel dos pais. A principal função será ainda a deles.

Por isso, o alerta é válido, por que é comum na hora de educar os pais negociarem com a criança que ela “só vai ganhar presente do Papai Noel se tomar banho” ou “só ganha chocolate do coelhinho se almoçar tudo”, a questão aqui é que a criança entra em um sistema de “condição”… Se fizer isso terá um ganho maior. Mas, talvez não entenda o verdadeiro motivo de precisar tomar banho ou de comer. O bom seria conciliar as ideias de que tomar banho ou comer são ações necessárias para nos mantermos e não apenas porque é Natal ou Páscoa, por exemplo.

Além disso, é importante mencionar que o fato de delegar para terceiros a educação dos filhos, gera consequências, algumas como:

– quebra de vínculos (pelo afastamento da rotina dos filhos);

– educação e valores passados com os quais os pais não concordam (babás, escolas podem não ter os mesmo valores que os da família, por exemplo);

– falta de limites (como os pais não passam tempo suficiente com os filhos, é mais comum cederem ao que as crianças querem, não impondo regras e limites);

– baixa autoestima (não participando das reuniões e festinhas escolares, por exemplo)

– além de que é possível a criança entender que o outro não precisa ser valorizado ou ainda, apresentar problemas com as figuras de autoridade.

Na verdade, a criança gosta e precisa se sentir amada (quem não?) e é importante que os pais demonstrem disponibilidade afetiva para elas. Ok, entendo que criamos os filhos para o mundo e é muito saudável que eles tenham amigos da escola, que convivam com as professoras, com babás, avós, etc e também é preciso considerar que o desenvolvimento infantil depende das vivencias sociais e para isso, é bom que os pais estejam cientes dos papéis que precisam assumir na vida dos filhos.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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