6.maio.2015

Somatização: você sabe o que isso quer dizer?

Atualmente, se sabe que o nosso corpo é exposto aos eventos externos e ambientais, mas, talvez ainda se tenha dificuldade em aceitar que o corpo também fica exposto às influências internas e emocionais. Vamos aos exemplos? Quem nunca teve uma dor de barriga antes de uma entrevista de emprego? Ou sentiu o peito apertar quando soube de uma notícia triste? Ou, então, depois de um dia de grande estresse, não teve enxaqueca? E aquela gastrite… Enfim, apenas alguns exemplos de quando o corpo “fala”.

A somatização, porém, não se restringe apenas aos adultos. Bebês e crianças podem manifestar sintomas de ordem emocional. Na verdade, a somatização é mais comum do que a gente imagina, os sintomas psicológicos são “normais”, mas QUANDO SE TORNAM CRÔNICOS e TRAZEM PREJUÍZO para a pessoa afetando sua rotina, aí podemos pensar em um transtorno que PRECISA ser visto e avaliado. Se já é difícil para um adulto entender que ele mesmo, pode estar somatizando, imaginem pensar isso com relação aos pequenos! Há pessoas que acreditam que crianças nada entendem e que não teriam motivos para sofrer e quando elas reclamam, geralmente estão querendo só chamar a atenção dos pais. Sim, às vezes querem chamar atenção e receberem cuidados especiais, e outras vezes, não. Portanto, CUIDADO com essa ideia! Ela pode ser um pouco perigosa.

Crianças são atentas ao que se passa com elas e ao ambiente em que vivem. E absorvem o que escutam e o que enxergam, ou seja, elas também necessitam ser OUVIDAS e RESPEITADAS.

Acho que estamos começando a entender essa tal somatização, mas, de fato o que ela é mesmo? Em linhas gerais, é quando conflitos e fatos que ocorreram na vida da pessoa podem desencadear reações orgânicas e isto, leva à produção de sintomas que se expressam por meio do corpo. É uma área de estudo da psicologia que se preocupa com a relação mente-corpo. Sendo, o sofrimento físico um reflexo do sofrimento emocional.

E por que isso acontece com as crianças? Um dos motivos, é que no começo de suas vidas, os pequenos ainda não desenvolveram por completo a capacidade de se comunicarem verbalmente, não conseguindo e dependendo da idade, tem dificuldade em descrever suas emoções. E, por isso, não é raro que quando algo não está bem, eles se expressam mais facilmente através da linguagem não verbal, através do corpo. O problema disto, é que essa forma de comunicação, por vezes, manifesta-se de maneira não tão saudável.

Sabe quando TODA a vez, por exemplo, que você e seu marido precisam se afastar e seu filho, tem dor de barriga? Ou quando precisa ir para a creche ou para a escola e adoece? Quando depois de passar por mudanças significativas passa a apresentar problemas respiratórios? E ainda, quando vocês notam que SEMPRE que ele está mais agitado ou triste, aparecem alergias na pele?

Com isso não quero afirmar que toda doença é culpa da nossa “cabeça”, mas que se as emoções negativas (medo, ansiedade, tristeza, raiva, etc) estiverem interferindo, nós, os bebês e as crianças teremos nosso sistema imunológico abalado.

Sabemos que a infância é uma fase do desenvolvimento que nos permite intervir “a tempo” e consequentemente propor a melhora. Um profissional especializado pode ajudar a tratar e a amenizar esse tipo de problema, que mesmo manifestado no corpo, pode ter causas emocionais. Por isso, em determinados casos, o tratamento é feito em conjunto. Com o auxílio do médico, para tratar o corpo e com o psicólogo para tratar e cuidar das emoções.

Com conhecimento e sem preconceitos podemos buscar a ajuda certa, para que sintomas relativamente comuns, que aparecem no corpo, não causem prejuízo e não atrapalhem o desenvolvimento saudável de seu filho. Aliás, cuidar das nossas emoções deveria ser todo o dia e não apenas frente a um problema. É aquilo… amor e compreensão, fazem bem para qualquer coração.

 

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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