19.fev.2016

O que um avô faz pelo seu neto!

São muitas as histórias de avós que são famosas por “estragar” os netos. Os pais se esforçam para educarem os filhos e lá vem os avós que permitem tudo para os netos, concedendo liberdade total. Na realidade, para os pais ficam os ônus e para os avós, os bônus.

No meu caso, todo carinho e  liberdade concedida ao neto Antônio, de 5 anos, reverteram em uma noite de cão, mal dormida, na primeira visita do ano.

_ Vô, posso dormir contigo hoje? – Suplicava, o neto.

_ Pode, como não? Eu vou gostar!

Aberto o sofá cama na sala, aparece uma enorme cama para os dois. Depois de vermos, pela metade um filme sobre Papai Noel, decidimos dormir. Coloquei o Antônio deitado perto da parede e eu fiquei do outro lado.

Aqui tenho mais folga – pensei. Pois pensei errado!

Na primeira hora do sono os dois personagens, avô e neto, dormiram placidamente. Ainda não era meio noite e veio o primeiro empurrão do neto. Queria esticar-se e mover-se, ora para um lado, ora para o outro.

Ah, o meu ronco acordou o inocente, pensei. Maldito o ronco que espantou até os gatos da casa. Acordei imediatamente, o neto parecia dormir, mais aí vem o segundo round, um coice nas minhas costas tirou-me do sossego.

_ O que fazer?, pensava eu, olhando para o neto.

Mas durou pouco, outro coice tirou-me da cama. Estava perdendo a luta. Antônio inverteu a posição do corpo ficando com os pés sobre toda largura da cama.

_ Santo convite aceito, pensei comigo mesmo!

Levantei no escuro e apalpando as paredes fui até a cozinha acendendo a luz. Pensei em ir até o quarto do Antônio para buscar um colchonete, ou cobertor grosso. Mas não achei. Assim mesmo encontrei uma espécie de colchonete duro dobrável. Levei para a sala, abri a geringonça e experimentei dormir, mas foi impossível, pois meus pés ficavam de fora.

Aí outro batalhão do Antônio entrou em ação noite a dentro. dois gatos pré adolescentes resolveram trocar a noite pelo dia e com suas mortíferas unhas, corriam pela sala, banheiro e cozinha, dando patadas nas minhas pernas. A solução foi aprisioná-los na cozinha, já eram 2:47.

Então, tomei uma decisão, levei o colchonete no quarto e decidi dormir no chão em cima de um tapete emborrachado, mas meus ossos logo reclamaram e fui obrigado a desistir. Aí já eram 3:50.

Levantei e fui empurrando o neto para a parede.

_ Vovô, você está roncando muito, não consigo dormir!

Pronto, pensei, agora sou eu o culpado da noite de cão.

_ Tá  -, disse eu – não vou mais dormir!

Fiquei mais uma meia hora acordado, tentando dormir, mas foi tudo em vão. Quando Antônio parecia dormir, um novo empurrão desalojou-me do seu lado.

Resolvi então mudar de lugar, colocando o travesseiro nos pés da cama. Os petardos (coices) continuaram e fui obrigada a uma longa espera até o amanhecer. Nem as noites de pescaria foram tão longas como essa.

Eram 7:30 da manhã quando levantou o  pai Augusto para o trabalho. A primeira medida foi libertar os gatos da cozinha. Os “prisioneiros” logo foram lamber meus pés, seus mal agradecidos!

De fininho, levantei deixando Antônio dormindo como um anjo.

-Então Antônio, como dormiu essa noite? – perguntei mais tarde.

_ Eu não dormi, vovô! Você roncou demais. Eu não vou mais dormir com você nunca mais!

Foi minha triste despedida da noite de cão.

O que um avô não faz pelo seu neto, pensei comigo mesmo!

 

beijos

Vovô Camilo

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