8.abr.2015

Vamos falar sobre Depressão Pós-Parto?

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Após a idéia de ser mãe, a gestação parece ter voado e de repente passaram-se noves meses e o bebê nasceu! E nasceu com saúde, o parto foi ótimo, o pai e os avós estão felizes pela chegada do novo membro da família e tudo em casa está organizado esperando o bebê. Aí a mamãe chega com o filho nos braços, passam alguns dias e do nada, ela começa a sentir-se triste, ansiosa e com uma melancolia que não sabe explicar da onde veio. Talvez essa cena não seja tão incomum assim.

É verdade que a gestação e a maternidade são repletas de desafios, de altos e baixos e, é verdade também, que muitas mulheres, por vezes, sentem tristeza, ansiedade ou raiva. Sentimentos que são normais e podem fazer parte desta fase. Por ser uma fase da vida da mulher que gera angústias, como a de ser uma boa mãe e culpa por sentir que não está conseguindo atingir suas próprias expectativas, muitas mulheres apresentam mudanças no humor e no comportamento e é preciso estar atento para poder diferenciar o que é esperado e o que pode estar se tornando patológico. O conhecimento é fundamental para não haver confusão!

Depois de dar á luz (entre o 3º e 5º dias) ocorre, em cerca de 60% a 80% das mulheres, o que se chama de baby blues ou blues puerperal – uma fase transitória na qual, há alterações no humor da mãe, tais como a tristeza, irritabilidade, ansiedade e choro. Esses sentimentos surgem devido às alterações hormonais, ao aumento da responsabilidade pelo novo papel a ser desempenhado, as muitas incertezas e as adaptações relacionadas ao bebê.

Como é uma fase, isso tudo tende a durar alguns dias ou semanas e os sintomas desaparecem espontaneamente, devido a adaptação ao bebê a ao apoio da família. Portanto, essa fase não é tratada como uma doença e sim, como uma alteração esperada.

Porém, se observarmos que estes mesmos sintomas estão mais intensos, ou seja, se pioraram. E se estão impedindo que a mulher mantenha suas atividades e sua rotina, causando-lhe prejuízo e tornando-se frequentes, é provável que falemos em depressão pós-parto. E ai, iremos tratar como uma doença que merece atenção e compreensão dos amigos e familiares, e que, principalmente precisa de acompanhamento especializado.

A depressão pós-parto é bem mais séria! Em geral, a maioria das mães consegue superar aquela tristeza inicial e passam a curtir seus bebês, já uma mãe com depressão pós-parto, tende a ficar cada vez mais ansiosa e tomada por sentimentos desagradáveis. Estima-se que de 10 a 15% das mulheres sofram com isso. Em alguns casos os sintomas aparecem após o nascimento, em outros a depressão já estava presente antes mesmo do nascimento do filho e ainda, existem casos nos quais os sintomas surgem meses depois de a mulher dar á luz.

Os sintomas mais comuns são: tristeza constante; sensação de culpa; irritabilidade; choro constante; falta de energia; alterações no apetite e no sono; ansiedade; perda da libido, entre outros. Nesses casos, existe um desinteresse geral pelas atividades e não apenas com relação ao nascimento do filho, mas afinal, qual é a causa?

A depressão pós-parto não tem uma única causa, sendo então, multifatorial. Isto é, uma soma de fatores, tais como a queda do nível hormonal nos pós-parto, um histórico de depressão e/ou uma gravidez não planejada, seriam apenas alguns desses fatores. O papel da família e amigos será muito importante para ajudar a mamãe nesse delicado momento, incentivar a prática de atividades físicas e de atividades que envolvam a relação mãe-bebê, evitar que a mulher se isole, podem ser boas opções.

Caso identificado esse conjunto de sintomas, é adequado propor uma conversa demonstrando a preocupação e o carinho que se tem pela pessoa, e também propor um acompanhamento especializado. O tratamento para depressão pós-parto envolve psicoterapia e medicação. A mulher não precisa sentir-se culpada ou com vergonha por “estar assim”. Procurar ajuda é saudável e será o melhor caminho, tanto para a mãe, quanto para o bebê.

Luiza Cantarelli Coradini
Psicóloga Clínica
CRP: 07/20819
Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência

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